Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

O que há de errado em ser ateu?

Iniciado por rhyan em 14/05/2006 · 120 mensagens · página 2 de 3

edson_5#51
"Falam como se todo ateu fosse militante do ateísmo. Eu sou ateu, não sigo nenhum deus, isso não quer dizer que cultue a não-existência de deus, isso é um simplismo analítico."

Gérson, ninguém disse que você cultua alguma não-existência. Mas para ser um "sem-deus" você precisa crer que Deus não existe, no mínimo. Do contrário, você seria um desses "tenho um lado espiritual independente de religiões" do Orkut, e não parece ser esse o seu caso. E nenhum “ismo” no mundo se baseia em pura negação. Nem se restringe ao mero culto de alguma coisa. Pensar assim é que é coisa de fanático religioso.

Mesmo que se resuma a “não há Deus”, aí está a doxa ateísta. Por menor que seja, ela existe. Afirmando a inexistência.

Sem nenhuma ironia, não consigo entender a questão de outra maneira.
edson_5#52
A preocupação com o que é metafísico faz parte do ser humano. É dela que surge a religiosidade, sob as mais diversas formas. O ateísmo vem dessa mesma fonte, mas tenta confrontá-la, tenta negar essa característica intrínseca do homem.
gerson#53
Não há doutrina alguma, a não ser que vc tenha inventado um novo significado para a palavra doutrina.

Gérson, ninguém disse que você cultua alguma não-existência. Mas para ser um "sem-deus" você precisa crer que Deus não existe, no mínimo.

Está baseando sua análise em um paradigma teísta, o qual vc adota como padrão. Veja, se não existisse o conceito de deus, não existiria o conceito de ateu. Eu não preciso crer na não-existência de deus, assim como um budista tbm não precisa crer na não-existência de deus, assim como vc não precisa crer na não-existência de Brahma, Shiva ou qualquer outra divindade mítica.
paulo_21#54
Já que essa é uma comunidade voltada a discutir as idéias do filósofo Olavo de Carvalho, acho interessante pinçar uma parte do artigo "A chacota geral do mundo" publicado no Diário do Comércio, em 17 de abril de 2006, para auxiliar na análise da questão inicial.

"Quem quer que saiba o que é lógica tem a obrigação de saber também que, se a demonstração da existência de Deus pode ser difícil, a da Sua inexistência é absolutamente impossível. Tanto é impossível que nenhum ateu jamais tentou sequer formulá-la. Todos limitam-se a argumentos periféricos e ocasionais, voltados antes a detalhes de doutrina religiosa, perfeitamente discutíveis em si mesmos, do que ao centro inexpugnável da questão.

Essa impossibilidade não era desconhecida dos maiores pensadores ateus do passado, que a contornavam sem poder enfrentá-la. A quase totalidade dos que polemizam hoje em favor do ateísmo - e eles ultimamente se multiplicam como ratos de esgoto - não têm o menor pressentimento dela, embora esbarrem nas suas fronteiras a cada instante. A maioria apela em última instância ao argumentum ad ignorantiam, declarando com patética inocência que aquilo que desconhecem não pode existir. Esses são invencíveis na discussão, pois nenhum argumento tem o poder de infundir inteligência no ouvinte que uma sólida aliança da genética com a má educação tornou irremediavelmente estúpido. Sob esse ponto de vista, o ateísmo parece ter um futuro brilhante.

A tese ateística não sendo logicamente defensável até suas últimas conseqüências, os inimigos de Deus acabaram-se distribuindo em tribos diversamente localizadas, cada qual atacando o problema por um pedacinho da borda, não na esperança de chegar um dia ao centro, mas na de vencer a platéia pelo cansaço, persuadindo-a enganosamente de que a soma infindável de argumentos relativos tem o valor e a autoridade de uma prova absoluta"

O artigo todo pode ser lido no link:http://www.olavodecarvalho.org/semana/060417dc.html
gerson#55
Provarei que deus não existe assim que vc ou o Olavo me provarem que mula-sem-cabeça não existe. Topa o desafio?
mar_orkut#56
comparado aquele negocio de estereograma. Alguns olham e olham e soh veem riscos, outros, qdo olham nao os riscos mas mais alem-visao paralelta e nao convergente-veem a imagem em 3d, algumas vezes ateh algo que emerge dela. Requer, para alguns, o macete certo, truques(tecnica), paciencia, perseveranca...mas para outros a visao eh facim, facim. Quem viu sabe que ha o que ver, alguns que nunca viram acham que quem ve eh escolhido, mas outros acham que ele delira, hehe.
Aos meus amigos ateus que parece estarem doidos para crer e nao conseguem sugiro que pecam a Deus que lhes mostre SUA EXISTENCIA de um jeito que a intelectualidade deles aceite, hehe...e se a intencao for sincera, Deus sabera.
E as vezes indico coisas pra ler, como esse lance aqui que eh dez:
http://www.olavodecarvalho.org/apostilas/serconhecer.htm

Ambas essas coisas, e otras mas, me ajudaram a deixar meu ateismo bem pra tras.
paulo_21#57
A questão é exatamente essa. Eu não quero provar que ele existe. Eu acredito que ele existe e pra mim basta.

O simples fato de um não-ateu querer "provar" que Deus existe é pq passa pela cabeça dele a possibilidade inversa, e isso não passa pela minha.

O inverso também é assim - um ateu que "vive" seu ateismo tudo bem, mas um ateu que quer provar que Deus não existe, já parte do pressuposto ou da idéia de que ele possa existir. Tenha convicção e viva com ela.

Mas não se esqueça você é ateu graças a Deus.

Abraço!!!!
lvaro_4#58
Para o Gerson responder.

Oi, Gerson.

É um prazer discutir filosofia com você neste mundo de ignorantes e neste país de semi-analfabetos. Vide Lulândia.

Antes de partimos para São Tomás de Aquino, Leibnitz, Descartes e Espinosa vamos de Santo Anselmo.

Quero que você refute o seguinte raciocínio.

1. Que é ??? Que existe e que possa ser pensado que não exista nada maior que não possa ser pensado???
2. Se se pode pensar a existência de algo maior do que se possa ser pensado, temos uma contradição. É certo, portanto, que existe algo que não existe nada maior do que se possa ser pensado.
3. A existência desse algo maior do que nada pode ser pensado é, portanto, provada.

Refute isto.

Qual é a contratese ateísta???
lvaro_4#59
Lembre-se: 1. Nunca, na conclusão, os termos podem ter extensão maior do que nas premissas.
2.O termo médio deve ser universal ao menos uma vez.
3. De duas premissas negativas nada se conclui.
4. A conclusão segue sempre a premissa mais fraca.
5. De duas premissas particulares, nada se conclui.

Uma pequena dica: Você pode se apoiar em Kant para tentar responder.

Depois, a gente chega, como já disse, a São Tomás, Leibnitz, Descartes e Espinosa.
lvaro_4#60
Agora, permita-me entrar com um pequeno valor subjetivo meu:

Um materialista diria que o que existe e que pode ser pensado cujo nada maior pode ser pensado é a matéria.

Argumento muito estranho neste universo de energia e forças sutis. Mas, admitamos a ontologia materialista como contratese.

O ateu não tem nenhum conceito para colocar como contratese.

O ateísmo não possui contratese simplesmente pelo fato do ateu não buscar essas interrogações, o ateísmo é um sistema mais fechado do que qualquer dogmatismo que convive com dúvidas e reais sofrimentos psíquicos quanto a objetividade do seu conhecimento. Este é o problema de ser ateu:Não conseguir formular uma única tese sobre uma realidade que não compreende e refugiar-se na negatividade anti-filosófica.

Mais tarde, quando tiver novamente um computador a minha disposição, provarei que não existe Mula-Sem-Cabeça utilizando-me da epistemologia e das teorias dos arquétipos ideais platônicos.

Por favor, exponha-me sua contratese e lhe agradeço por estarmos estudando filosofia juntos.
rhyan#61
Relaxa, Gerson, não estava falando de vc.
lahouse#62
Não sou estudante de filosofia, mas deixe-me dar uma opinião (corro grande risco de falar besteira por falta de formação, me perdoe se for o caso)

1. Que é ??? Que existe e que possa ser pensado que não exista nada maior que não possa ser pensado???

Até aqui tudo bem. Questionamento válido

2. Se se pode pensar a existência de algo maior do que se possa ser pensado, temos uma contradição.

aqui voce coloca a condição que refuta sua primeira questão

É certo, portanto, que existe algo que não existe nada maior do que se possa ser pensado.

Aqui entra um problema lógico. Esta premissa não pode ser de cara aceita como verdadeira, pois já pressupõe que a maior coisa a ser pensada tenha, de fato, sido pensada. Ou seja, foi colocado um limite (desconhecido, mas ainda sim um limite) na capacidade de imaginação.

3. A existência desse algo maior do que nada pode ser pensado é, portanto, provada.

Caso você parta do pressuposto que não há limites para a imaginação de alguém, esta conclusão é FALSA
priscila#63
Não é assunto para o tópico? Eu discordo! Ciência só se ocupa do Big Bang - e não do estado anterior ao dito Big Bang?
Ué, tudo bem! Desde que se considere que houve, lógico, tal estado!!!
Sabemos todos que, se houve um fenômeno como o mencionado Big Bang, e com as características específicas do dito Big Bang, e com a tralha toda cientificamente compreendida de forma a que tal fenomeno possa ter existido - há que haver o pressuposto de que existe um estado de não-Big Banguice! Se a ciência não descreve tal estado, nem se interessa em descrevê-lo, nem precisa mesmo estudá-lo - certo: não é assunto dela! Pra dizer que existiu um fenômeno necessário para criar um espaço-tempo inexistente, a ciência é obrigada a admitir um estágio no qual tal espaço-tempo não havia. Um pressuposto obrigatório.
E, ao contrário, não é absolutamente nada científico descrever o que a própria ciência não descreve - a bendita singularidade. Sobre ela paira o mistério, somem as leis - e a ciência ratifica a idéia de desconhecimento com um bonito e adequado nome...
Mas aquilo que a ciência não descreve, e do qual não se ocupa - existe! Dogmatizar a lógica científica seria então tirar da discussão, por "inexistente" ou "irrelevante" aquilo do que a ciência não se ocupa.
O nome do tópico é exatamente "o que há de errado em ser ateu" - nada mais adequado, então, em se falar disso. O que há de errado em ser ateu é justamente pensar que fora da resposta científica (e portanto humana) não existe nada - ou nada interessa. Mas o transcendental, que fugirá sempre, por sua própria natureza, a qualquer tentativa de explicação - continua a ser...
Certíssima, claro, sua afirmação implícita de que a análise científica do Big Bang começa quando começa o dito cujo. Quando (já que "antes" é um termo tão pouco adequado...) esse começo não era, o "buraco", em carioquês castiço, fosse mais embaixo ou mais em cima, evidentemente não é um assunto científico - nunca foi e nunca, por sua própria natureza, será.
gerson#64
1. Que é ??? Que existe e que possa ser pensado que não exista nada maior que não possa ser pensado???
2. Se se pode pensar a existência de algo maior do que se possa ser pensado, temos uma contradição. É certo, portanto, que existe algo que não existe nada maior do que se possa ser pensado.
3. A existência desse algo maior do que nada pode ser pensado é, portanto, provada.

Refute isto.

Qual é a contratese ateísta???


Álvaro, há cientistas que dizem que nosso universo tem 11 dimensões, contudo nosso cérebro só consegue imaginar/visualisar apenas até a terceira dimensão, na qual vivemos, é impossível para a limitação de nosso cérebro imaginar como seriam as outras dimensões e muito menos descrevê-las. No caso de deus, há toda uma descrição conceitual deste, deus teria características humanas, como sentimentos e senso moral, ou seja, já há aqui uma simplificação do conceito divino, coisa que é impossível de se fazer com a descrição das outras dimensões.

Se não podemos sequer imaginar como seriam as outras dimensões, (se é que elas existem de fato) como então atribuir a causa de tudo à um ser de características humanas, isso é pular etapas intelectuais, é como aprender "cálculo diferenciado integral" sem aprender a quatro operações básicas.
gerson#65
Ademais, esse argumento que colocou já parte de um princípio de que algo tem de existir pelo simples fato de que possamos pensar na sua existência. No iníncio do século XIX, havia muita especulação quanto à existência de vida em outros planetas do sistema solar, inclusive descrevia-se a existência de cidades alienígenas nos anéis de saturno, só pq isso foi pensado, não quer dizer que venha a existir de fato, a não ser na mente de quem imaginou isto.

Concluindo que o raciocínio que vc colocou é meramente especulativo, não sendo de fato irrefutável.

São Tomas e Descartes seguem praticamente a mesma linha de racioncínio, logo terão a mesma refutação.

Sei que deve saber disto, mas só pra constar: Kant não era ateu, e sim um racionalista.
gerson#66
Ele refutou todas estas ditas "provas filosóficas" da existência de deus, seguindo do princípio que elas estariam colocando a existência de de deus a priori e não a posteriore, como de fato deve se seguir uma argumentação, cuja conclusão deve ser o produto e não a premissa.

Estes pontos que colocou estão ainda no campo da argumentação, não chamaria isto de prova.
gerson#67
Eu, enquanto ateu, acredito que o ateísmo deve ficar restrito ao âmbito pessoal. Um ateu não tem que ficar pregando o ateísmo, e deve apenas manifestar e defender sua condição de ateu apenas quando se sentir de alguma forma prejudicado ou atinjido por questões religiosas, como por exemplo algum crente afirmar que o indivíduo ateu é um ser imoral e dar a entender que a moral é monopólio das religiões. Contudo, sempre buscando esclarecer, e nunca atacar a fé ou a religião alheia.

Esta é a minha ética pessoal, obviamente há ateus que pensam diferente, pois como eu já disse, ateísmo não é doutrina.
gerson#68
Ops! (...)prejudicado ou atingido por questões religiosas(...)
lvaro_4#69
Celso...

Onde se lê...

2 “Se se pode pensar a existência de algo maior do que se possa ser pensado, temos uma contradição”.

Desenvolve-se de forma lógica e implícita no seguinte:

2. “Se se pode pensar a existência de algo maior (do que o algo maior que pode ser pensado) que se possa ser pensado, temos uma contradição

Entendeu??? Premissa oculta derivada da primeira proposição.

1. Que é ??? Que existe e que possa ser pensado que não exista nada maior que não possa ser pensado???

Não sou também “estudande” de filosofia hehehe. Mas praticante.
lvaro_4#70
Ananias...

O discurso lógico-formal de Santo Anselmo concebe o maior ser que EXISTE e se possa ser pensado.

.1.Que é ??? Que existe e que possa ser pensado que não exista nada maior que não possa ser pensado???

Não penso que um ateu convive com a dúvida. Quem convive com a dúvida é quem possui fé.

O ateu ou não acredita em Deus, ou acha que não pode pensa-Lo, (esta é uma variante de um discurso ateu) ou simplesmente nega sua existência.

Isto chama-se certeza, e não dúvida.
lvaro_4#71
Gerson...

Acredito que, no momento, esta sua Contratese dialética não refuta do ponto de vista lógico-formal a Tese que propus.

Já que entramos no esquema dialético... então:

CONTRATESE:

No caso de deus, há toda uma descrição conceitual deste, deus teria características humanas, como sentimentos e senso moral, ou seja, já há aqui uma simplificação do conceito divino, coisa que é impossível de se fazer com a descrição das outras dimensões.

RESPOSTA AOS ARGUMENTOS DA CONTRATESE:

No caso humano, há toda uma descrição conceitual deste, o homem teria características divinas, como sentimentos e senso moral, ou seja, já há aqui uma transcendência do conceito humano, coisa que é possível de se fazer com a descrição de uma única dimensão.

Quanto a “pular etapas intelectuais” estas etapas só poderão ser puladas de acordo com as mensurações dos universos citados, mais a causalidade pode ser a mesma.
lvaro_4#72
Gerson...

"Ademais, esse argumento que colocou já parte de um princípio de que algo tem de existir pelo simples fato de que possamos pensar na sua existência".

Creio que você esqueceu-se aqui do movimento lógico/dialético que vai do concreto pensante ao concreto pensado.

É claro que um conceito pode existir designando um objeto inexistente. Ou em linguagem platônica, existir apenas no céu das idéias ou na mente. Mais não me refiro a um conceito ideal, mas a um conceito real.

Que é ??? QUE EXISTE e que possa ser pensado que não exista nada maior que não possa ser pensado???

É mais ou menos por aí que eu vou provar que não existe mula sem cabeça. Estou construindo o argumento lógico.

"São Tomas e Descartes seguem praticamente a mesma linha de raciocínio, logo terão a mesma refutação".

Veremos, em breve, que São Tomás de Aquino refuta o argumento de Santo Anselmo. A Tese que lhe propus é refutada pelo São Tomás e a gente vai em breve discutir como e o porquê.

Em breve: sensacional CONTRATESE de São Tomás a Santo Anselmo.

UMA DISPUSTA ENTRE DOIS SANTOS!!!!!!!

Descartes continua sim... mas veremos sua especificidade.
lvaro_4#73
Gerson...

Ainda sobre Kant

"Ele refutou todas estas ditas "provas filosóficas" da existência de deus, seguindo do princípio que elas estariam colocando a existência de de deus a priori e não a posteriore, como de fato deve se seguir uma argumentação, cuja conclusão deve ser o produto e não a premissa".

Poderemos discutir aqui todas limitações das refutações kantianas...
gerson#74
No caso humano, há toda uma descrição conceitual deste, o homem teria características divinas, como sentimentos e senso moral, ou seja, já há aqui uma transcendência do conceito humano, coisa que é possível de se fazer com a descrição de uma única dimensão.

Mas neste caso vc está partindo do pressuposto que deus existe e que é tem estas qualidades, deve explicar como chegou a tal premissa.
lvaro_4#75
É que esta premissa minha, conforme percebeu, não é uma demostração lógica, mas um exercício de retórica e dialética.

Voltamos, então, à primeira proposição.
gerson#76
Creio que você esqueceu-se aqui do movimento lógico/dialético que vai do concreto pensante ao concreto pensado.

É claro que um conceito pode existir designando um objeto inexistente. Ou em linguagem platônica, existir apenas no céu das idéias ou na mente. Mais não me refiro a um conceito ideal, mas a um conceito real.


Acredito que devamos definir bem o conceito de "existir" então antes de continuarmos. Vou deixar meu conceito e vc diz se aprova ou não:

Existir: ser tangível dentro da lógica, ser demonstrável e cogniscível.

Faço isso pq acho que não é função da dialética demonstra que algo existe, e sim que PODE existir, cabendo à lógica dar o veredito final.
lvaro_4#77
Não sei o porquê mas...

Quando vi sua definição do conceito de "existir", lembrei-me imediatamente da dialética hegeliana que sempre parte de uma negatividade.

Hegel constrói seu conceito em oposição ao objeto. Como se o objeto fosse a Tese e o conceito a Contratese.

HÁ em Hegel também a clara identificação do real com o racional, desta forma, acredito que sua definição de existir toma os objetos ou coisas como entes dotados de razão.

Não concordo com esta definição devido as aspectos irracionais presentes na estrutura do real.

Para mim, uma coisa existe quando:

1. Possui uma Ontologia própria.
2. Ou Fundamenta-se na Ontologia de uma outra coisa.

É claro que a dialética pode ser tomada como a arte da Contratese e a lógica formal como demostração.

Mas o discurso dialético pode desenvolver algum tipo de demostração, e neste caso, transformar-se em uma nova Tese.

Acho que não deverrei mais usar o computador hoje. Em todo caso, obrigado e a gente pode continuar uma outra hora.
gerson#78
Para mim, uma coisa existe quando:

1. Possui uma Ontologia própria.
2. Ou Fundamenta-se na Ontologia de uma outra coisa.


Mas neste caso vc já está definindo a discussão: deus possui uma ontologia própria, logo deus existe, segundo seu conceito. Acredito que isso não é justo para minha parte.

Ademais, várias entidades míticas possuem ontologia própria, como Zeus, Áries, Rá, Shiva, etc., devemos acolher a idéia que eles existem tbm?
gerson#79
Não vejo meu conceito como hegeliano, acho que o mais preciso para este tipo de discussão, pois não está diretamente ligado à ontologia, mas sim a algo qualitativo.
saulo#80
...q não tem fundamentação logica e por isso constitui uma crença. Ou seja os ateus repudiam os teistas por estes terem crenças infundadas e cometem o msm erro.
lvaro_4#81
1.Que é ??? Que existe e que possa ser pensado que não exista nada maior que não possa ser pensado???

"Anselmo teria que provar que o Ser Supremo por ele concebido existe, coisa que ele não faz"!

Ananias...

Eu já não lhe expliquei que a interrogação de Santo Anselmo parte de uma realidade existente????

1. Que é ??? Que EXISTE e que possa ser pensado que não exista nada maior que não possa ser pensado???

Pela definição, a interrogação parte de algo absolutamente maior que existe. Desta forma, a demostração não é extremamente necessária, pois alguma coisa absolutamente maior tem que existir apenas por um simples raciocínio lógico dedutivo.

Kant diria que o erro de Anselmo foi tratar a coisa existente como coisa a priori.

Mas, Kant não percebeu, em sua mania de procurar sempre as categorias ou os conceitos puros, que colocá-lo a posteriori seria um contrasenso.

Como colocar a realidade última (ontológica) como posterior ao conceito???

De onde o conceito partiria então???

huehuehuehue faz me rir!!!

Nos perderíamos sempre numa demostração metafísica infindável e o conhecimento não seria possível.

Os ateus preferem ao invés de tomar uma realidade lógica como premissa fundante, refugiar-se num negativismo pseudo-filosófico.

Este é o problema de ser ateu: não tomar como possível uma verdade simples: Deus é apriori e em linguagem aristótelica a causa suprema da realidade, do mundo, dos seres, das coisas e do universo.
saulo#82
Existir é um conceito (e d segundo nivel, inclusive), e Santo Anselmo e posteriormente Descartes incorrem no erro d considerar a existencia um predicado logico, Deus cairia sobre esse predicando, sendo seu sujeito, mas um erro afinal Deus tem q ser um objeto (sentido logica).

Kant tb errou quando disse q nada mais poderia ser acrescido a logica, aí vem o Frege e cria a logica proposicional (intersentencial).

O grande erro dos deistas e teistas é considerar Deus um objeto q cai sobre o conceito EXISTIR, quando um objeto sem referencia não pode ser a base d uma metodologia cientifica.
lvaro_4#83
Em terminologia Aristotélica, Deus é causa eficiente de si próprio e a causa final do mundo. Por esse motivo, não vejo problemas em considera-Lo como um ser sob um determinado ponto de vista lógico e intrínseco, ou mesmo, reduzido às dimensões da temporalidade.

O Pensamento Escolástico medieval ganhou sua mais profunda dimensão quando atingiu este significado e esta verdade divina.

E na Temporalidade que sentimos, vivenciamos,compreendemos e caminhamos em Deus, no campo das ações humanas que se desenvolve na História.

Embora saiba e afirme as diferentes premissas que sustentam as três grandes religiões reveladas, penso que à luz de uma metafísica da história que esteja acima de qualquer distinção entre dialética real e dialética ideal, as contradições aparentemente insolúveis nos revelam um só Deus.

Um Deus único, que "É" e que interpretamos, cada qual, de acordo com a nossa religião e a nossa consciência.
lvaro_4#84
Quando afirmo um DEUS que podemos compreender com nossa própria consciência, refiro-me a um DEUS pessoal. A tradição cristã nos fornece base para pensar assim, não foi outra coisa que Cristo disse quando afirmou que iria preparar para cada um de nós um lugar no céu.
Não se trata aqui de nenhum problema da antropormofização do Divino. Que, para mim, é uma questão que pode ser resolvida praticando o exercício filosófico proposto por Nicolau de Cusa: A docta ignorantia, a coincidentia oppositorum. Deste modo, podemos afirmar um DEUS que "é", mesmo de acordo com os limites da nossa linguagem humana.

Neste caso, o limite é apenas de linguagem, não da realidade que esta descreve

Aristóteles já tomava a concepção Divina como incausada, motor imóvel e a imagem do "pensamento que pensa a si mesmo'nos revela um Deus que possui sua própria causa existente. São Tomás retoma este tema, distinguindo ontologicamente a existência da essência e atribuindo à essência de Deus a coincindência entre essas duas realidades.
saulo#85
O problema, Alvaro, é q Deus não é só um problema de linguagem, mas empirico tb. Desse modo essa palavra "Deus", pode até ter sentido (na verdade tem varios), mais dificilmente tera um referencia (valor de verdade, objeto correspondente por uma experiencia objetiva). Portanto vai ser sempre metafisica, ou seja, discutivel.

Seu discurso é meio confuso, vc mistura o pensamento tomista, kantiano e neo-tomista, numa confusão q parece se fundamentar em nada mais q sua opinião pessoal. Tome cuidado!
marco_13#86
Vejo a questão sob esta perspectiva:

Podemos elaborar sofisticados constructos intelectuais envolvendo Deus ou qualquer coisa, mas, por mais consistentes e irretocáveis que sejam, não podemos assumir que representam necessariamente a verdade ou realidade, por si só.

Para ilustrar: Imagine um cubo com um ponto dentro do mesmo e outro do lado de fora. É possível traçar uma reta ligando ambos os pontos sem atravessar as paredes do cubo? Todos diremos de imediato que não, e de fato, se tentarmos fazê-lo experimentalmente, fracassaremos. Entretanto, usando geometria analítica, podemos facilmente demonstrar que isso é matematicamente possível: Traçamos uma reta ligando ambos os pontos e em momento algum nenhum ponto desta reta atravessa qualquer parede do cubo.

Daí, pergunto: Provamos que é possível realizar tal feito? De forma racional,intelectual, matemática, sim. Mas podemos fazê-lo de fato? Não.

De acordo com o teorema de Banach–Tarski, é possível dividir uma esfera em cinco pedaços e construir duas esferas de tamanho idêntico à original usando esses pedaços. A demonstração matemática é rigorosa e impecável. Mas ninguém consegue fazê-lo com uma esfera real.

Também é possível construir um modelo matematicamente consistente de universo com 10, 14 ou 41 dimensões. Todos funcionam maravilhosamente bem e até resolvem muitos dos problemas mais espinhosos da mecânica quântica. Mas nenhum físico afirma que tais modelos de fato correspondam à realidade. (E o simples fato de todos estarem corretos já é deveras perturbador: O universo pode ter, ao mesmo tempo, 10, 14 ou 41 dimensões?)

Citando Korzybski: O mapa não é o território.
priscila#87
Nada a ver com a discussão, mas: O universo tem 10 dimensões, 5 "espelhadas" em 5. Como os dedos da suas mãos.
priscila#88
Mas não existe nenhumíssima prova disso...
priscila#89
Falou pouco e disse tudo, Luis...
Do nada para o tudo - aliás, Pedro, eu disse isso uma vez (que o Big Bang representava um salto do nada para o tudo) e você contestou - e as pessoas ainda acham que acreditar em Deus é que é irracional???!!
priscila#90
Eu acho que não acreditar é que é...
Mas, por mim, todo mundo está entitled, é claro, a ser tão irracional quanto quiser - desde que não implique com a razão alheia (o que chateia, convenhamos...).
marco_13#91
Sim Roberto, vc estará correto considerando o conjunto de pontos (x,y,z). Mas se considerarmos o conjunto de pontos (x,y,z,a), ou seja, um espaço de 4 dimensões, é perfeitamente possível.

Alguém poderia protestar imediatamente afirmando que na realidade só existem 3 dimensões espaciais, e portanto isso não passa de um truque matemático. E eu concordaria! É justamente o que quero dizer quando falo de construções mentais x realidade.

Entretanto, físicos podem argumentar ser impossível unificar gravitação com magnetismo, força fraca e força força em 4 dimensões (espaço-tempo), enquanto em 10 isso é possível. Constituiria portanto apenas um truque matemático ou a expressão de uma realidade que não podemos experimentar mas não-obstante, existe? (Concebe-se que as seis daquelas dimensões extras se compactaram durante o processo do Big Bang, tornando-se pequenas demais para serem percebidas por nós)

Enfim, o truque pode até ficar claro nesse caso, mas pode ser não tão claro no elástico terreno filosófico. Fazendo uma analogia grosseira, podemos adicionar Deus na filosofia como adicionamos uma dimensão extra na matemática. Resolvemos o problema, mas a solução é real?
marco_13#92
Não há raciocínio filosófico que me convença de que Deus exista tanto quanto uma asa de borboleta

É por aí mesmo, Luis Paulo. Ainda que alguém prove filosoficamente que Deus exista, isso só garante a existência do Deus no plano filosófico, não no plano real.

Foi o que tentei demonstrar com as analogias matemáticas: O que existe nas nossas cabeças existe fora delas?
gerson#93
Foi o que tentei demonstrar com as analogias matemáticas: O que existe nas nossas cabeças existe fora delas?

Perfeito, Marco. Deus "É", na verdade crença, pois fora da crença ele não existe.
lahouse#94
Se considerarmos a quarta dimensão como o tempo (que pode ser considerada uma dimensão também), a demonstração deste problema do cubo torna-se evidente. a linha que une o ponto interno do cubo com o externo não atravessa as paredes do cubo se eles existirem em momentos diferentes.
fernando_21#95
"Mas eu, sinceramente, prefiro ser mais triste sabendo a verdade do que alegre vivendo uma mentira."

E você conhece a verdade ? UAU ! Acabou com a discussão filosófica mais antiga da humanidade...

Nada contra ser ateu, pois cada um tem livre arbítrio para viver a própria vida a maneira que bem entender. Mas afirmações arrogantes como esta, sem ao menos conceder minimamente o benefício da dúvida em um tema tão controverso, são completamente inaceitáveis.

(Um pouco OFF-TOPIC agora):

"Mas, se analisarmos a fé e as religiões de diferentes povos, poucas coisas são coincidentes. Os cultos, as divindades, os valores morais que moldam as sociedades, nada disto é absoluto.

Então, para podermos analisar o fenômeno, temos que encontrar as coincidências. E quais seriam elas?"

Você obviamente não conhece trabalhos como o "Unidade Transcendente das Religiões", de Frithjof Schuon ou, a "Filosofia Perene", de Aldous Huxley, além de estudos do próprio Olavo.
Como expô-las aqui é manifestamente impossível, sugiro que as procure, se tiver interesse sincero na questão.

Só uma dica: é ilógico que coisas que recebem o mesmo nome (religião) não tenham absolutamente nada em comum.
rhodan#96
1) É possível provar que nós existimos?

2) Quantas religiões existem?

3) Toda religião acha que as outras estão erradas?

4) Qual a probabilidade de uma religião ser a correta? (primeiro imaginemos que Deus exista)
lahouse#97
Usei estes termos não porque acho que sei a verdade, mas para comparar a visão do mundo por parte de ateus, comparando com os deístas.

A visão deísta é bonita e agradável, e nos faz pensar que existe um ser supremo que vela pelo nosso bem estar e que todas as mazelas que as pessoas fazem diuturnamente serão punidas exemplarmente num "juízo final".

A visão ateísta acha que as injustiças serão frequentes e, se não fizermos nada, vai ficar por isto mesmo. Não há sentido oculto por trás de nossas vidas e a morte não nos levará a nenhum lugar (nem melhor, nem pior).

Entendeu (mais ou menos) o que eu tentei dizer com aquela frase?

Certeza, mesmo, sobre o que é a verdade, ninguém tem, e provavelmente nunca virá a ter. Me desculpe pela falta de clareza.
lahouse#98
O Deus judeu é diferente do Cristão.

Em primeiro lugar, ele, de acordo com o Judaísmo, é um ser ÚNICO! Para os cristãos, não. Na verdade, apesar de ainda manter Jeová (talvez por origens históricas), Cristo é a entidade mais importante, e ainda criaram um tal de "Espírito Santo", que seria uma terceira entidade meio obscura, que inspira as pessoas mas aparentemente não possui nem mesmo uma forma. Poderíamos concluir, sem medo de errar (eu sei que existem desculpas e teorias no sentido de tentar desfazer essa constatação) mas o cristianismo NÃO É UMA RELIGIÃO MONOTEÍSTA!

Continuando, no velho testamento, Jeová (vamos tratar por este nome para simplificar) é um Deus bastante severo, que pune com a morte quem o desagrada, lança maldições contra inimigos dos Hebreus, e tem um povo escolhido, que, somente ele, será salvo! Tem características guerreiras e, durante praticamente todo o Torá, planeja a posse de seu povo na terra prometida.

Jeová, do novo testamento, inexplicavelmente, revoga todo o ritualismo inserido por Moisés a seu próprio mando no passado, revoga a condição de "povo escolhido" dos Judeus, passando a aceitar qualquer pessoa que nele creia, inseriu um intermediário entre as pessoas e ele (Jesus não disse: ninguém vem ao pai senão por mim?), deixou seu caráter severo e guerreiro por um perfil bem mais amoroso.

Então, não se trata, de maneira nenhuma, a resumir ser erros de nomenclatura a existência de entidades distintas.

Jesus (ou Paulo) modificou totalmente a doutrina judaica para que ela pudesse ser assimilada por outros povos, mesmo porque o Judaísmo e seu determinismo genético impedem-no de se tornar uma religião de multidões!
lahouse#99
acho que não
mar_orkut#100
Desculpe entrar no meio, eh que tres de seus posts me chamaram a atencao, se me permite, vou alguns comentarios mais ou menos ligados ao tema.
Bom, primeiro voce colocou la atras que "A existência de um ser superior controlador/criador visa pura e simplesmente nos dar a impressão de que nossas vidas não são sem sentido e que tudo na nossa vida não acontece por acaso."

Astrologia, para quem segue, supre perfeitamente esse papel. Nao soh ela da uma forma aa nossa existencia, ela da um modelo de organizacao cosmica que molda noa soh a nossa vida mas como de todos os seres viventes-ate eventos-e tambem da sentido, ja que alem de nosso mapa natal, que seria a forma de nossa vida, ela tem tambem a coisa da historia dela, do desenrolar dela, assinalado por transitos e pregressoes, revolucoes solares, lunares, etc e tal. Acho que eh por isso que no meio astrologico tem um monte de gente que cre em Deus como um monte de gente que nao cre, porque ela atende essa necessidade de dar sentido aa vida, e da um modelo, assaz visual inclusive, de ordem cosmica.

Sempre que ouco o argumento de que crer em Deus eh proprio do homem primitivo que, inseguro, criava um deus para lhe tranquilizar num universo em que nao se conhecia a ciencia, coisa que ja repetiram nesse topico, vem a minha mente uma Veja que li faz teeempo, la pela decada de 80, ou inicio de 90, qdo dois fisicos bam-bam-bans acharam que tinham descoberto alguma coisa importante do Big Bang-nao me lembro o que. Um deles disse que depois q vc se depara com tal hipotese vc descarta a existencia de Deus...ja o outro dizia que era impossivel vc fucar essas possibilidades sem vislumbrar um Deus por tras disso tudo.
Essa coisa lembra-me tambem Pacal, um cara que, se nao me engano, deixou a matematica aos 25 anos soh para se debrucar no 'problema' Deus e tentar entende-lo.
Voces conhecem aquele baratinho que ele concluiu?
Se vc levar a sua vida na suposicao de que Deus existe e Ele nao existir, no fim das contas, vc nao tera perdido muito, mas tera ganho

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