Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

A ciência contra a razão

Iniciado por adermir em 13/01/2009 · 105 mensagens · página 2 de 3

guedes#51
Marilena Chauí eu tenho pavor. Quando ela escreve algumas coisas restritas ao ensino da Filosofia até desce, mas quando ela começa a falar de política e outras coisas, aí é complicado
ricardo_15#52
Leia melhor, Guedes, pois eu não disse que você respondeu ao artigo, mas, sim, ao elogio a ele feito. E este elogio, naturalmente, é o primeiro post do tópico.
guedes#53
Ok, entendo. Mas eu não respondi a elogio não, respondi ao conteúdo que foi postado sobre ciência. Em verdade, nem levei em conta o artigo para ser sincero.
guedes#54
Especificamente o segundo "parágrafo" do que foi postado.
ricardo_15#55
Guedes,

Mas o conteúdo do post do Adermir era um elogio e um comentário ao artigo. Por si só, nada prova, apenas indica o desenvolvimento argumentativo contido no artigo. Não faz sentido responder ao post em si, neste caso, desconsiderando o artigo, ora. Mas enfim, isso é irrelevante.
bernardo_3#56
O erro crasso que o Guedes está citando não é erro algum. Isso está naquela controvérsia entre o Olavo e o Giraldhelli (o Filósofo Pornô de São Paulo). A questão terminou quando o Olavo mostrou que estava certo citando justamente o original em grego...

Procurem no TO.
guedes#57
Se você tivesse "vastíssimo" conhecimento de filosofia, não teria soltados as asneiras que soltou aqui até agora quando cutucou teoria do conhecimento.

É só apontar as asneiras!
ricardo_15#58
Bernardo,

Sim, lembro-me desta alusão na discussão com o Guiraldheli. Mas pode ser que Olavo tenha repetido algo assim no Aristóteles em Nova Perspectiva. E talvez Guedes tenha uma crítica mais substancial a ser feita neste quesito.
adermir#59
Bem, amigos, agradeço ao Pedro por levar o debate para o ponto em que se iniciou, porque ficar discutindo com os vastíssimos conhecimentos do humilde monitor de faculdade cansa...

[n]Pedro:[/n]

De fato, sempre os pressupostos lógicos últimos de uma afirmação científica serão uma crença irredutível, que de modo algum pode derivar de outro silogismo. Isso quer dizer que a ciência tem que necessariamente ter em seu alicerce algo que a transcenda, caso contrário será reduzida, como bem demonstrou o nosso humilde vasto conhecedor, a alguma tautologia.
priscila#60
Guedes, a razão só ela não é suficiente.

Seja racional e nem um único postulado da Física Quântica fica em pé: te resta viver sem eles, e permanecer assim, sem acreditar em nenhum e negando todos. ! So much for science, como vocês a entendem. Um apanhado de mixarias tequinológicas provincianas, que passa ao largo do conhecimento.

A sabedoria, a grande arte do conhecimento, ficou lá atrás e duvido que possa ser recuperada. Seu paradigma, mesmo sua metodologia, foram desprezados há séculos, em favor da praxis imposta por um bando de imbecis. A Física Quântica serviu para demonstrar que estava todo mundo errado e era todo mundo burro - mas até onde eu sei, chamar burro de "burro"nunca adiantou nada e nunca desatolou ninguém do lodaçal da estupidez.

Com a FQ ou sem a FQ, os burros continuam zurrando e achando que o universo será decifradérrimo e mostrado no Discovery Channel em no máximo três programas patrocinados pela BBC.
priscila#61
Abraço a meus queridos amigos Pedro Werneck e Adermir, que não via há tempos!
Tenho andado muito sem tempo, e é sempre uma alegria encontrar vocês e ver que ainda estão aqui na comunidade, abrilhantando o ambiente com a luz de sua clara inteligência!
!
adermir#62
[aproveitando o off]

Querida Priscilla:

Embora ausente das postagens, sempre tenho dado umas sapeadas por aí, e com interesse maior naqueles tópicos em que você participa...

Abraços e feliz ano novo.
adermir#63
Acho que existem dois níveis, ou âmbitos, para se tecer críticas a um postulado científico: por sua consistência intrínseca, ou seja, pelas decorrências lógicas dos postulados e das afirmações decorrentes, sendo um fator de "crise" de uma ciência a existência de afirmações não confirmadas pela experiência; e por sua consistência extrínseca, isto é, da validade dos próprios postulados em si, como expressão verdadeira.
Em direito é muito comum, em determinadas correntes, afirmar-se que um pensamento é válido se decorrer logicamente das premissas adotadas, sejam elas quais forem. Entretanto, o valor extrínseco das premissas também serve para invalidar o pensamento, e esse valor só é perceptível por categorias que sejam transcendentes à lógica interna.
Os que postulam a autoridade da "ciência" como validadora de todo o pensar ignoram, com frequência, a percepção da validade extrínseca, e o fazem movidos por intencionalidades nada inocentes. Na verdade, estamos vendo a ciência utilizada como expressão da guerra cultural, de modo ideológico e parcial, ora proclamando a absoluta relatividade do conhecimento, ora a absoluta autoridade deste, conforme a conveniência do momento.
bernardo_3#64
Você pode nos falar mais sobre a irracionalidade da Mecânica Quântica? O Feynman dizia que se uma pessoa estudasse MQ e saísse dizendo que tinha entendido aquela, havia duas opções: ou o cara era um maluco completo ou então ele não tinha entendido absolutamente nada...

O que eu realmente acho que é coisa de lunático é teoria de supercordas, M-theory, teoria de branas e tal. Aquilo lá é loucura pura!
adermir#65
Nem tanto ao mar, nem tanto à terra. Uma coisa é identificar o uso malsão do discurso científico, outra é relativizá-lo da maneira como se faz no texto sugerido...
priscila#66
Ué, amigo, mas você mesmo já falou! !
O paradigma quântico não é nada racional - e isto não o INVALIDA, de forma alguma! Ao contrário - a FQ é o preciso e melhor exemplo de que uma coisa não obrigatoriamente tem que ser racional para ser verdadeira! Eu sou uma profunda admiradora da Mecânica Quântica, e penso que ela desbancou a imbecilidade iluminista até seu último reduto.

O todo é diferente da soma das partes, nada pode ser descrito integralmente, há muito mais coisas entre o céu e a terra, etc, etc, etc.
Em resumo: a FQ não vai desvendar os segredos do universo - mas avisa aos imbecis que nem tentem querer fazer tal idiotice, porque o segredo é indecifrável por sua própria natureza. E eu acho isso ÓTIMO!!!!!

Então não pense que o "não-racional"é pejorativo, amigo: na verdade, trata-se de um enorme elogio - e esse julgamento também era o de Niels Bohr, é claro!
priscila#67
E aí vai a minha citação favorita do Niels, justamente impaciente com alguém que tentava explicar alguma coisa paradoxal de forma racional, ou seja - impaciente com alguém que tentava fazer caber uma coisa maior num recipiente menor:

"No, no, you're not thinking; you're just being logical."
priscila#68
Niels Bohr sabia que o processo de pensamento, o processo cognitivo, não pode ser completado apenas através do uso da lógica - e sim exige o uso de um outro modelo de percepção que não é, de modo algum, submisso aos parâmetros dia razão ou da lógica e nem mensurável por eles.

E é isso que eu também penso.
guedes#69
Perdi o foco total da discussão, tô trabalhando... mas pelo pouco que lí....

Priscila, pouco importa postulado de física quântica, acho que você não leu nada do que eu escrevi. Eu falei que, independente de postulado da mecânica quântica ou não, é ela que te ajuda a fazer aviões, aeronaves, máquinas de exames biológicos, et cetera para você viajar, ir ao médico, et cetera todas as coisinhas lindas que a gente vê por aí.... mas parece que eu tô falando grego, eu falei exatamento o contrário, falei que a ciência não se propõe a postular nada...

enfim, essa discussão já tá cansativa, viu?
guedes#70
Acho que praticamente todo mundo aqui já apontou a maior delas, sua confusão entre verdade e identidade, tautologia, pensamento. Leia o artigo que até agora você não leu, seja menos arrogante que é melhor pra todo mundo, inclusive para você que vai aprender muito aqui.

Se você estiver errado e agir sempre assim, vai sempre demorar muito mais para aprender. Se for humilde, vai ser sempre mais fácil perceber quando tem alguém com quem você pode aprender e alguém a quem pode ensinar, e não vai perder oportunidades.


Ainda não entendi minha confusão. Poderia me explicar qual é a asneira envolvendo verdade e identidade?

E esse seu discurso tá muito besta, viu? Diz que o outro é arrogante, mas se coloca na posição de sabedor, de julgador das "asneiras" alheias. Ou você é um tremendo hipócrita ou você é, no mínimo, contraditório.
guedes#71
Se quiser uma aulinha de Frege sobre identidade e veracidade, pode falar, ninguém vai reclamar!
miguel_3#72
A ciência, do ponto de vista histórico, rompeu completamente com a filosofia, de modo que o ideal de saber científico diverge totalmente da filosofia. Razão para a ciência significa operatividade ou funcionalidade. Daí que as invenções científicas são invenções técnicas. O que move o cientista é a produção técnica.

O ideal de racionalidade científica interpreta o real como o desempenho de uma mecânica. A natureza e a sociedade transformam-se em máquinas. O empenho do cientista é descobrir a funcionalidade destas máquinas..
guedes#73
O Miguel foi o único sensato ao falar de ciência neste tópico até o presente momento.
bernardo_3#74
Você disse: "O que move o cientista é a produção técnica".

Então você pode me explicar qual é a produção técnica que moveu Darwin na elaboração da teoria da evolução das espécies? E Einstein na teoria da relatividade (especial ou geral)? Ou Kaluza-Klein na teoria que leva o nome deles? Ou Witten no desenvolvimento das teorias de supercordas, branas, M-Theory etc.? Ou Ludwig von Mises em economia? Ou Eric Voegelin nas ciêncas políticas? Ou Hayek na teoria das ordens espontâneas? Ou Gödel, quando da formulação dos seus famosos teoremas? Ou Jung na psicologia?

Não é a produção técnica que move o cientista. Von Neumann (um dos maiores cientistas do século XX) dizia justamente o contrário: que o cientista desenvolve suas pesquisas num nível extremamente abstrato e, 30 ou 50 anos depois, alguém acaba pegando aquelas idéias e as aplica a problemas técnicos...

Claro que não é sempre assim. Mas é o que mais acontece.

A técnica é o critério que as pessoas fora da ciência acabam usando para legitimá-la. Por exemplo, a física clássica foi legitimada pelas suas previsões, mas também por suas imensas aplicações práticas. Mas é evidente que a preocupação fundamental de Newton não era em fazer um automóvel ou qualquer coisa do tipo.
bernardo_3#75
Eu adoraria que você nos desse algumas aulas sobre Frege. Mas, para não desvirtuar o tópico, estou criando outro. Pode começar a aula por lá, ok?
tiago_5#76
pqp... o cara cria um tópico em cima de um dos melhores textos que eu li do Olavo ultimamente, e chega um cara ai e senta a lenha em cima dele??? Palhaçada isso, ainda por cima querendo bancar uma de intelectualóide, "eu já sabia disso".

Quando li esse texto do Olavo, até eu queria cria um tópico recomendando a todos, dá vontade de esfregar na cara de muita dawkinete cientificista de hoje.
bernardo_3#77
Ele não sentou no texto do Olavo. Ele nem sequer o leu...
miguel_3#78
Bernardo,

Elementar, meu caro. Como eu disse, a ciência transforma ou interpreta o real como um mecanismo, como algo técnico, seja pelas mãos humanas ou pela própria natureza. Darwin tinha como objetivo decifrar esta operatividade no surgimento do homem. O mesmo processo ocorre nas demais teorias que vc menciona.
antnio_5#79
Putz, é por causa de tipos como esse Guedes que os cientistas sérios perdem credibilidade.
marcos_14#80
Como é burro esse Guedes.
adelice#81
Um pouquinho de Mortimer Adler, sobre a verdade:

One cannot say that no statements are true or false, or that there is no such a thing as truth in the sense defined, without contradicting oneself. If the statement that express the skeptic’s view about truth is one that he himself regards as true, then at least one statement is true. If it is false, then is quite possible for many other statements to be either true or false. If the statement that skeptic’s view is neither true or false, then why should we pay any attention to what he says?

Resumo da Ópera: se verdade não existe as declarações de qualquer um aqui, inclusive de quem atesta que a verdade não existe, são inúteis.
pedro_9#82
Os contrapontos feitos pelo Olavo ao método científico (moderno, diga-se de passagem) devem estar enumerados cuidadosamente em algum texto ou transcrição de aula. Mas quando eu colho aqui e ali alguma crítica solta, é difícil não dizer que elas são bem frágeis. Especialmente no que ele escreveu na década de 80, e que saiu publicado em veículos um tanto esquisitos, como a revista Planeta. Resumidamente, alguns pontos levantados contra a moderna ciência são:

1. O domínio simbólico e o significado mais analógico da investigação científica foram abolidos;

2. Trocou-se o conteúdo simbólico, sujeito à interpretação, por uma precisão cada vez mais dispersiva e restritiva, sujeita à mera constatação empírica, ou instrumental;

3. Historicamente, a substituição foi realizada por um bando de platônicos de fundo de quintal, animados por uma raiva profunda contra o aristotelismo escolástico;

4. No fundo, no fundo, esses mesmos platônicos de galinheiro tinham mesmo é raiva da Igreja Católica;

5. A conclusão do movimento de separação de questões metafísicas, e estreitamento do campo de estudo da ciência, foi um fechamento progressivo da mente humana ao que transcende a a esfera do mensurável e do matematizável, decretando a simples inexistência do que não pode ser experimentado sensivelmente (ou por instrumentos de precisão) e do que não pode ser expresso em modelos matemáticos.

O primeiro ponto é válido, mas não consigo entender por que essa "modéstia", ou enfoque nas relações entre fatos naturais, seria tão danosa, por si mesma. Quanto à segunda afirmativa, é de novo oportuno perguntar por que raios a exatidão é um negócio tão ruim (aliás, o amor à exatidão é, ele mesmo, uma forma de amor á verdade). Talvez Guénon explique, e ele me parece a fonte do segundo ponto.
pedro_9#83
O item três, presente na introdução a um livro de Boutroux, é quase uma afronta. O ódio e as polêmicas dos primeiros cientistas modernos (renascentistas) não se dirigiam primariamente contra a Escolástica, mas contra o atroz materialismo averroísta e peripatetista.

Quanto ao quarto item, é simplesmente sacanagem. Praticamente noventa por cento dos grandes cientistas era de cristãos sinceros (a começar por Galileu) ou carolas, embora houvesse alguns doidos (Newton, por exemplo), em geral temíveis oponentes dos ateus de plantão. O quinto ponto descreve um evento histórico que realmente aconteceu, mas que é mais devido ao cientificismo que à ciência.

Bem, esta é minha intervenção e meu pitaco. Espero ter contribuído um pouquinho para o tópico.
marcos_8#84
Denunciei este tópico como spam, inadvertidamente. Alguém sabe como desfazer a cagada?
miguel_3#85
Acima de tudo a ciência tornou-se instrumento de poder. O Estado moderno é científico. Tanto o Estado comunista quanto o capitalista tem como governo tecnocratas que dirigem a vida pública e privada. Para o Estado moderno ciência é o intrumento programador da praxis social.
adermir#86
Pedros:

É importante dizer que, no meu entendimento, Olavo não critica o método científico em si, e o considera válido para atestar a veracidade das afirmações feitas pela própria ciência. O que está em jogo, e que aparentemente não pode ser sujeito ao crivo do método científico, são os postulados primeiros dessa ciência, que são pressupostos não decorrentes do binômio proposição-experimentação. As proposições primeiras são necessariamente intuições, ou apreensões da totalidade não redutíveis à linguagem, o que em última análise qualquer ciência é.

Priscilla:

Entendo que mesmo a física quântica, com seus postulados aparentemente absurdos do ponto de vista de certa lógica, parte de uma premissa racional; acho que você está usando os termos "racional" e "irracional" com conotação diferente da usada por Olavo no texto guia desta discussão.
fbio_6#87
E a verdade não é tangível por nada, para começo de conversa a verdade é uma criação humana, um conceito, nada mais que isso. Ela não tem existência a não ser na cabeça cabeça de quem pensa nela ou num dicionário. Apenas lá ela existe.

Se não existe verdade, para quê então estudar, investigar?
fbio_6#88
Se não existe verdade absoluta, então o comentário do Guedes não é verdade absoluta, mas apenas um produto da mente dele, uma idiosincrasia.
daniel_12#89
Tirou as palavras da minha boca Fábio.
Ele afirma, absolutamente, que não existe verdade absoluta! A contradição é tão óbvia que eliminaria a discussão.
Uma boa sugestão de leitura nesse sentido é o livro "Verdade Absoluta" (Nancy Pearcey).
marcos_12#90
O que a Adelice e o Fábio disseram é a mesma coisa, mas de pontos de vistas e de formas diferentes. É isso mesmo.
ricardo_16#91
O Ricardo Almeida está dizendo o seguinte para o Pedro:

Algumas destas críticas podem ser respondidas consultando a parte IV do Jardim das Aflições, Os Braços e a Cruz, complementada pela leitura de O Homem e a Natureza, do S.H. Nasr e do Reino da Quantidade e o Sinal dos Tempos, do Guénon.

Confesso não ter entendido o item 3. Não é ponto pacífico que as críticas dos primeiros cientistas e formuladores do método científico moderno tenham se dirigido ao materialismo averroísta ao invés da Escolástica em si. Se bem me recordo, Bacon, que não era platônico nem grande homem de ciência, mas cuja contribuição ao método científico na valorização da indução e experiência não deve ser subestimada, criticava diretamente a Escolástica. Galileu também tem páginas ácidas contra os escolásticos no Ensaiador, deplorando-lhes a mentalidade livresca e o apego à autoridade de Aristóteles sobre a prioridade do exame direto da Natureza.
ricardo_16#92
Concordo com o 4 item. De fato, a maior parte dos cientistas renascentistas eram mesmo cristãos devotos, vide Kepler, Copérnico, Tycho Brahe, Galileu, o próprio Newton. Eu acredito, porém, que a ambiência intelectual da época - e neste ponto eu me refiro sobretudo aos círculos esotéricos e platonistas como o de Lorenzo, o Magnífico - podem ter favorecido a dissociação da especulação metafísica e da experiência mística das formas de sensibilidade cristã. Mas isto é apenas uma sugestão.

Quanto ao item 5, lembre-se que o método científico, na medida em que se compõe de raciocínio abstrato, mecanicismo, experimentalismo, por si só reduz o âmbito do cognoscível àquilo que pode ser explicado mediante estas construções. Naturalmente, você poderia replicar que o absolutismo da ciência moderna como forma de explicação do mundo pertence à ideologia do cientificismo. Logo, sua observação permanece válida.
ricardo_16#93
Porém, esta separação não foi fruto de uma ideologia pura, de um mera moda cultural, mas tem raízes no modo de enfocar a natureza dos cientistas. Não digo que esta seperação tenha sido intencionalmente buscada pelos cultores do modelo científico - só a título de curiosidade, o grande Kepler era astrólogo, e Cardano um misto de mago e cientista. Mas a abolição progressiva da dimensão simbólica da ciência implicou numa compreensão da natureza que era destituída destes símbolos e isso se traduziu nesta separação, cuja força motora foi sem dúvida ideológica, mas bem calcada no modelo científico que a inspirou.

Finalmente, Olavo nunca disse que a exatidão em si era ruim. O que é ruim é a perda de certas dimensões de compreensão da realidade em nome da exatidão. São duas coisas diferentes.

(Ele me pediu pra postar isso aqui, não entendi exatamente o porquê)
adelice#94
O problema deste artigo é o título. Carinha vê o título e já intui o artigo sem sequer se dar o trabalho de lê-lo atentamente. Estou falando isso, porque este artigo já deu o que falar em uma lista da qual participo.

O Olavo, no primeiro parágrafo, de cara, estabelece sobre o que o artigo irá falar:

"Aquilo que hoje se chama orgulhosamente de "ciência", pretendendo-se com isso designar a instância última e suprema no julgamento de todas as questões públicas e privadas, nem é uma entidade univocamente reconhecível, nem muito menos um conhecimento que tenha em si seu próprio fundamento."

De qual ciência o Olavo está falando?

Ele mesmo disse: "aquilo que hoje se chama orgulhosamente de "ciência", pretendendo-se com isso designar a instância última e suprema no julgamento de TODAS as questões públicas e privadas"

Percebam que ciência está entre aspas.
adermir#95
Verdade, Adelice. O texto NÃO É um ataque à ciência em si, que é claramente tida como instrumento válido de apreensão do real, mas sim a um pensamento redutor e ideológico que se pretende científico quando sua base é claramente irracional.
priscila#96
O artigo aponta perfeitamente para o problema.
Inúmeros cientistas já disseram precisamente a mesma coisa - ou seja, já categorizaram o cientificismo como um mal que destrói, inclusive, o próprio conceito de ciência. A ciência sofreu um processo de implosão devido a ele.
Eu sei que sou radical, mas não há como não ser - e se se pegar o que se entende como "ciência" hoje e se espremer, saem duas gotas de conhecimento verdadeiro e um edifício monumental sem alicerce algum, construído em cima de premissas incomprovadas, e mesmo definitivamente inverídicas. E todas essas coisas falsas ou incomprovadas viraram DOGMAS, e é sobre esses dogmas que se erigiu o tal do edifício monumental. É o que eu vejo. É o que meu pai também via, e ele ERA um cientista. Que dizia a mesma coisa que o Olavo diz, já naquele tempo.
Ou seja - é da natureza da ciência ser questionada, ser exposta à crítica, ser repetidamente desconstruída e reconstruída. E o cientificismo DOGMATIZOU a ciência, que é precisamente o que não pode ser feito nunca, jamais - sob pena dela deixar de ser ciência. Eu diria que houve - há - um processo para transformar a ciência numa espécie de religião. O que se consegue com isso é um simulacro ridículo de "religião" e a morte da ciência. Ganha a imbecilização geral, só isso.
Sugiro: http://www.innerexplorations.com/philtext/an.htm
priscila#97
Relendo, eu sempre fico em dúvida sobre se fui clara o bastante. O problema não é, evidentemente, que a ciência possa ser desconstruída e reconstruída. Ela é assim mesmo, tem que ser assim mesmo. O problema é a dogmatização, é imaginar que desta ciência saiam verdades inquestionáveis sobre as quais se constroem noções - que uma vez construídas vão, pelo seu próprio "peso" de "verdades" assumidas como tal, permanecer assim para sempre. Dogmatizou, acabou - em termos de ciência!

A "coisa" não pode mais ser debatida, não pode mais ser questionada, não pode mais porcaria nenhuma!
O exemplo que o Dr. Wolfgang oferece, talvez o mais contundente de todos, é o evolucionismo, uma teoria que hoje não se pode questionar mais - e que é portanto não mais uma teoria científica, e sim um DOGMA DO CIENTIFICISMO. É uma diferença clara, óbvia, concreta, palpável. NENHUMA descoberta, nenhuma proposta, NADA pode mais questionar esse dogma - e ele não é, portanto, uma teoria CIENTÍFICA. Não é tratado como tal, não se submete mais às antigas metodologias, aos antigos parâmetros, aos antigos critérios. Perdeu o status, quando deixou de poder ser questionado!

E praticamente QUALQUER COISA dita científica hoje - com exceção da Mecânica Quântica, que já entrou de sola colocando-se fora do alcance da dogmatização cientificista desde o início - foi dogmatizada. É precisamente por isto que a Física Quântica nem é considerada exatamente CIÊNCIA - embora SEJA, justamente, o último reduto da própria. O resto é que deixou de ser.
Paradoxal - e verdadeiríssimo.
priscila#98
Resumindo:
- A religião deixa de ser religião se for relativizada.
- A ciência deixa de ser ciência se for absolutizada

A religião é um processo que envolve conceitos e processos TODOS absolutos, todos invioláveis, todos sagrados. A ciência se coloca degraus abaixo, e envolve conceitos e processos NENHUM dos quais é nenhuma das coisas ditas acima. Não são absolutos, não são invioláveis e não são sagrados.

A sabedoria, ou o conhecimento, ou a inteligência são, na verdade, a resultante da interação desses dois grupos de processos e conceitos - eu ousaria dizer dessas duas realidades, cada uma das quais representa um conjunto de percepções que nos foi concedido TER. Mas que nem sempre USAMOS.

Quando Aquinas sugere que se USEM os dois paradigmas, está solidamente exercendo o papel do magister, o mestre.
Fora disso, não há solução para o problema.

O "conhecer, amar e servir" é imprescindível inteiro.
É uma linda equação, é o enigma e ao mesmo tempo a solução do enigma.
Trunque-se isto, retire-se um termo da equação - e pronto, ecce imbecilidade.
rafael_33#99
e se chama Rene Descartes ; o método em ciência se tornou a regra através da qual é filtrada a realidade , ou seja , só é encarado como científico o que cabe no método ; a concpção de ciência clássica e medieval era muito diferente; ela envolvia não um método específico mais uma abertura da razão a ordem do cosmos , ao logos .
O método cartesiano na verdade é fruto de uma desconfiança das capacidades da razão para cptar este logos ; já que a razão não é confiável ( assim pensavam o ockamismo , pai das correntes modernas do racionalismo cartesiano e empirismo de hume ) é preciso erigir um método que garanta a verdade científica ; e ao estabelecê-lo Descartes jogou no lixo toda a sabedoria secular desenvolvida por gregos e medievais durante dois milênios e meio.
pedro_9#100
As objeções do Ricardo são totalmente justas, e já ruminei algumas delas. Seguindo a ordem em que ele as apresentou, respondo que a Escolástica da época (secs XV e XVI) em que começa o desenvolvimento dos novos métodos científicos estava longe de ser a de Santo Tomás e Duns Scot, e tinha se reduzido, em seus maiores centros, a uma disputa estéril de incapazes. Pior: a própria Igreja já estava querendo pôr fim às Escolas, e posteriormente terminou deixando de lado as grandes obras dos filósofos jesuítas, que eram a última conquista verdadeiramente portentosa da Escolástica. Aquelas acusações de brigas vazias feitas contra ela não eram de todo absurdas.

Bacon só ganhou fama porque os pensadores anglo-saxões sofrem de provincianismo crônico. Sua contribuição é muito pequena comparada a de Descartes, embora este último seja tão pouco indutivo. A prioridade da observação no estudo dos fenômenos naturais sempre havia sido ponto pacífico desde Sto. Alberto Magno. Ou Bacon (e Galileu) não tinham conhecimento desse fato, ou se faziam de idiotas ao não reconhecer isso. As duas possibilidades são, de fato, desabonadoras.

A respeito da separação realizada pela nova maneira de tomar a Natureza e do novo ponto de vista a que esta foi submetida, o que considero errado é justamente a autoridade profética e quase salvífica assumida pelos que lidavam com esse novo enfoque (e dos resultados que obtinham), e quem criou esse carisma não foram cientistas, mas ideólogos. O que gostaria de confirmar é se a dissolução da ciência simbólica e a redução de seu prestígio, foi culpa dos cientistas, mesmo indiretamente. Não estou convencido, basicamente, se aqueles sujeitos queriam mesmo substituir a simbólica por outra coisa e impor essa versão menor e menos ampla de conhecimento.

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