Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Nova Encíclica de Bento XVI

Iniciado por pedro_14 em 07/07/2009 · 143 mensagens · página 2 de 3

lus_orkut_2#51
Mano Xará,

Para provar algo teria que partir de uma hipotese bem regulada com embasamento claro para fazer com que tal analogia se poste, pelo menos, similar a um certo dado.

Não posso afirmar ou provar nada a partir de mera interpretatividade discursiva, por isso afirmei que deveríamos esperar que o próprio Vaticano poste algo, o que posso fazer, e isso demora um tempo para a leitura, e gerar uma mera hipotese a partir de outros textos anteriores a esse, e verificar as semelhanças, mesmo assim, a probabilidade que meus argumentos incidam sobre um desvio é alta.

Trocando em miúdos, digo algo agora e depois o Vaticano publica um texto posterior afirmando outra coisa.

De qualquer maneria, obrigado pelos link's...
marcelo_18#52
"A rejeição categórica do diagnóstico econômico e das soluções propostas pelo Papa Bento XVI deve, portanto, vir junto com o apoio mais decidido aos valores gerais que ele proclama. E a melhor maneira de fazer isto é mostrar que esses valores vão no sentido precisamente oposto ao dos remédios que ele propõe."

É isso.
marcioneijr#53
Prof. Felipe Aquino sobre a nova Encíclica:

''A nova encíclica do Papa fala contra, e não a favor de, um Governo Mundial e uma Nova Ordem Mundial''

8 de julho de 2009 (LifeSiteNews) - Jornais, blogs, programas de rádio e de televisão estão repletos de discussões sobre o suposto convite do Papa Bento XVI para uma "Nova Ordem Mundial" ou um "Governo Mundial" [one-world government]. Estas idéias, no entanto, não estão baseadas nem na realidade nem numa leitura clara da última encíclica do Papa, Caritas in Veritate, cuja publicação ontem [07 de julho] acendeu a discussão inflamada.

O Papa, na verdade, fala diretamente contra um Governo Mundial e, como deveria ser esperado por aqueles que leram os seus escritos anteriores, convida a uma massiva reforma das Nações Unidas. A confusão parece ter surgido do parágrafo 67 da encíclica, que teve algumas citações [pull-quotes] escolhidas para apimentar [have spiced] as páginas dos jornais mundo afora, do New York Times àqueles bloggers de teorias da conspiração que vêem o Papa como o Anticristo.
marcioneijr#54
A citação chave que leva a esta acusação diz: "Para gerenciar a economia global; para reviver as economias atingidas pela crise; para evitar qualquer deterioração na presente crise e maiores desigualdades que dela podem resultar; para proporcionar um integral e conveniente [timely] desarmamento, segurança alimentar e paz; para garantir a proteção do meio-ambiente e regular a migração; para tudo isso, há uma urgente necessidade de uma verdadeira autoridade política mundial, como o meu predecessor, o Bem-Aventurado João XXIII, indicou alguns anos atrás".

Entretanto, no parágrafo 41, o Santo Padre diferencia especificamente o seu conceito de uma autoridade política mundial [a world political authority] daquele de um Governo Mundial [a one-world government]. "Nós devemos", ele diz, "promover uma autoridade política dispersa". Ele explica que "a economia integrada do presente não faz com que o papel dos Estados seja redundante; mas, ao invés disso, faz com que os governos precisem de uma maior colaboração mútua. Ambas, sabedoria e prudência, sugerem que não sejamos tão precipitados em declarar o fim do Estado. Em termos de solução da presente crise, o papel do Estado parece destinado a crescer, conforme ele recupere muitas de suas competências. Em algumas nações, no entanto, a construção ou reconstrução do Estado permanece um fator chave de seu desenvolvimento".

Mais adiante na encíclica (57), ele fala no conceito oposto de um Governo Mundial - subsidiariedade (o princípio da Doutrina Social da Igreja que estabelece que as questões devem ser resolvidas pela menor, mas baixa e menos centralizada autoridade competente) - como sendo essencial. "A fim de não produzir um perigoso poder universal de natureza tirânica, o governo da globalização deve ser marcado pela subsidiariedade", diz o Papa.
marcioneijr#55
Desde muito antes do seu papado, Joseph Ratzinger lutou vigorosamente contra a visão das Nações Unidas de uma "Nova Ordem Mundial". Já em 1997, e repetidas vezes depois disso, Ratzinger fez de tal visão seu objetivo público [took public aim at such a vision], notando que a filosofia vinda das conferências da ONU e o Millenium Summit "propunha estratégias para reduzir o número de convidados à mesa da humanidade, a fim de que a presumida felicidade que [nós] atingimos não seja afetada".

"Na base desta Nova Ordem Mundial", ele falou que está a ideologia do "fortalecimento das mulheres", que equivocadamente vê "os principais obstáculos para a plenitude [das mulheres] [como sendo] a família e a maternidade". O então cardeal avisou que "neste estado do desenvolvimento da nova imagem do novo mundo, os cristãos - não somente eles; mas, em qualquer caso, eles mais do que os outros - têm o dever de protestar".

Bento XVI de fato repetiu estas críticas em sua nova encíclica. Na Caritas in Veritate, o Papa condena as "práticas de controle demográfico, da parte de governos que freqüentemente promovem a contracepção e chegam até mesmo a ponto de impôr o aborto". Ele também denuncia os corpos econômicos mundias como o FMI e o Banco Mundial (sem os nomear especificamente) por suas práticas de empréstimo que visam ao assim chamado "planejamento familiar". "Há razões para suspeitar que a ajuda ao desenvolvimento está às vezes ligada a específicas políticas de saúde pública que de fato envolvem a imposição de fortes medidas de controle de natalidade", diz a encíclica.
marcioneijr#56
Qualquer visão de uma adequada ordenação do mundo, de economia ou cooperação política internacional, sugere o Papa, deve estar baseada em uma "ordem moral". Isto inclui primeiro e principalmente "o direito fundamental à vida" da concepção à sua morte natural, o reconhecimento da família baseada no casamento entre um homem e uma mulher como base da sociedade e liberdade religiosa e a cooperação entre todas as pessoas com base nos princípios da Lei Natural.
massasofrida#57
para mim nada.
fernando_22#58
"Os beatos de sempre vão assegurar-nos, é claro, que a nova Encíclica não é um manifesto de apoio ao governo global. O texto mesmo dá-lhes o desmentido formal: “Para sanar as economias atingidas pela crise, ... urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial” investida de “poder efetivo”. Como modelo dessa autoridade, S. Santidade sugere... o Estatuto das Nações Unidas! Publicada com poucos dias de antecedência da nova reunião dos líderes do G-8, que já proclamam a necessidade de adotar em escala mundial uma política de “estímulos” como a implantada pelo presidente Barack Obama nos EUA, qual outro efeito real pode ter essa Encíclica senão o de um incentivo legitimador a que esses indivíduos façam precisamente o que querem fazer?"

http://www.olavodecarvalho.org/semana/090710dc.html
fernando_22#59
"Se, em aparente compensação, Bento XVI exorta os planificadores globais a orientar suas ações num sentido cristão, ele não fornece nem a mais mínima sugestão prática de como realizar essa cristianização do globalismo. A proclamação dos valores cristãos paira no céu das generalidades abstratas, enquanto, no plano da ação prática, só o que se sugere é a ampliação dos controles globais. Sem conexão com as medidas efetivas sugeridas, o apelo à verdade e à caridade funciona, nesse documento, tão-somente como um adorno retórico, embelezando um programa político que não tem com ele a menor conexão lógica e que oferece, como solução do mal, a ampliação das causas que o geraram. Os líderes do G-8 estão livres para brandir a Encíclica Caritas in Veritate como um poderoso argumento em favor de políticas que já haviam escolhido de antemão."

http://www.olavodecarvalho.org/semana/090710dc.html

Análise certeira. Nada mais a dizer. Esse documento será uma nódoa na vida da Igreja.
lusguilherme#60
Fernando agora é profeta.
lusguilherme#61
Massa:

A encíclica não é pro povão, é para os bispos. E, se você não viu nada de religião na encíclica, é porque não a leu.
hiranclair#62
Vaticano diz que Obama 'tentará reduzir abortos' nos EUA
Em primeiro encontro, Bento 16 e Obama discutiram ainda células-tronco e o Oriente Médio.

O Vaticano afirmou nesta sexta-feira que o presidente americano, Barack Obama, teria prometido tentar reduzir o número de abortos nos Estados Unidos durante seu primeiro encontro com o papa Bento 16.

A reunião entre os dois líderes durou apenas 40 minutos e ocorreu no Vaticano, horas depois de Obama ter participado da reunião do G8.

"O pontífice me disse que o presidente Obama afirmou seu compromisso pessoal de tentar reduzir o número de abortos nos Estados Unidos", disse o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi.

O jornal do Vaticano chegou a defender o líder americano de ataques feitos por grupos anti-abortos nos Estados Unidos, dizendo que, ao contrário do afirmado por alguns bispos católicos americanos, Obama não seria um presidente pró-aborto.

Postura

Além do aborto, outro controverso tema discutido entre Obama e Bento 16 teria sido as pesquisas com células-tronco.

O papa presenteou Obama com um livreto explicando a oposição do Vaticano sobre estes dois temas.
hiranclair#63
O presidente americano afirmou que leria o material durante a viagem a Gana, onde chegou há pouco.

O correspondente da BBC em Roma David Willey diz que o Vaticano adotou uma postura amigável em relação a Obama desde sua eleição em novembro, apesar das mudanças nas leis que passaram a facilitar as pesquisas com células-tronco.

De acordo com Willey, o encontro foi "cordial" e que o porta-voz do Vaticano disse que o papa Bento 16 ficou muito impressionado e satisfeito com a reunião.

Os líderes também teriam conversado sobre temas como o Oriente Médio, mudanças climáticas e a crise econômica mundial. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,vat…400926,0.htm
hiranclair#64
Primeiro vêm essa encíclica favorável á criação de um governo mundial, que já está a caminho e da qual Obama é uma das peças chaves, agora o Vaticano aparece defendendo, com uma postura bem simpática ao Obama, pra mim fica difícil de não acreditar que o Vaticano está percebendo a formação de um governo mundial e ao invés de combatê-lo está tentando interferir no processo e criar um Globalismo Cristianizado, como disse o Olavo.
O duro é que concordo com a análise do Olavo, as palavras do Papa colaboram para legitimar e dar força ao processo de criação desse governo mundial, mas o lado cristão fica num nível abstrato que não se sabe como vai ser possível colocar em prática.
hiranclair#65
Será que o Vaticano acredita mesmo que Obama não é um presidente pró-aborto ou só fingem que acreditam? Só complementando o que disse, acho que o Vaticano está fazendo política e querendo garantir seu espaço no governo mundial à caminho, acho que é isso.
lusguilherme#66
O que fode é otaku de quase 40 anos fazer cross-posting e cagar regras a partir de notícias deturpadas. Não sou de falar palavrões em discussões, mas você já me deu no saco.

O que aconteceu foi que Obama disse que reduziria o número de abortos nos EUA. Está mentindo, claramente. Ele recebeu do Papa um documento explicando as razões da Igreja em ser contra o aborto e as pesquisas com CTE. O Papa "chamou ele na xinxa" pra falar só sobre a questão do aborto, você queria que o Obama declarasse o quê?

Se você achar o Osservatore defendendo o Obama me mostra que eu calo a boca. A Santa Sé já recusou 2 propostas de embaixadores americanos porque eram abortistas. Se quer atacar a Igreja com artiguinho de jornal, vai na comunidade do Emir Sader que você vai fazer sucesso.
massasofrida#67
alemães não chegam a tanto.
lusguilherme#68
Eu me submeto à realidade, Massa. Se o otaku me mostrar o Osservatore defendendo o Obama, já disse que calo a boca. A diplomacia da Santa Sé me diz muito mais que artiguinho da Reuters.
fernando_22#69
Luis Guilherme

Não é preciso ser profeta para enxergar a realidade. Agora, se vc quer se apegar ao seu wishful thinking, bem, o problema é só seu.
priscila#70
Luís, calma... 🙂.
Eu entendo seu ponto, suponho que todo mundo já entendeu.

Mas é difícil, caraca! Como eu disse, é um pouco como levar uma tijolada no quengo.
Eu confesso que fiquei um pouco desconcertada. It's scary!

Mas todos os católicos QUEREM fazer o que o Olavo sugere, que é mostrar que, se o OBJETIVO é bom, o CAMINHO não é. Ou pode não ser. Pessoalmente não acho que seja.

Podemos ler a encíclica inteira, e depois debater pontos que sejam debatíveis, um por um.

Não adianta fingir que não aconteceu nada - e o Vaticano II traumatizou muita gente - eu VI ISSO, na época! Ninguém quer aquilo de novo.
priscila#71
Sim, me ocorreu isso: porque o Papa MENCIONA "o que seu antecessor começou"- e até onde eu sei, João Paulo II de fato tinha uma noção muito precisa de que havia três forças atuantes no mundo - a Nova Ordem, o comunismo e a Igreja Católica, que era a única que poderia se OPOR a qualquer uma das duas outras.

Lembro dos termos, inclusive: the Red Internationale (o comunismo), the Golden Internationale (a NWO) e the Black Internacionale (a Igreja Católica, por causa das vestimentas de seus padres).

De modo que me ocorreu que se trataria de uma marcação de território, uma espécie de aviso que a Igreja Católica quer "partir para a briga", metaforicamente falando. Que não pretende ficar de fora.

É assim que você vê?
priscila#72
Foi pro Miguel, a pergunta.
Eu esqueço de "endereçar". 🙂.
cristina_2#73
Ou a Igreja toma posições sem meias palavras, ou cada vez mais nos privaremos do nosso direito à cristandade. Se o Papa não der nomes aos bois, como evitar os leques de interpretações advindos de suas palavras? . . . [2]
cristina_2#74
Enquanto os conservadores e cristãos não aprenderem que não é possível fazer face ao inimigo simplesmente “tomando posição” contra ou a favor disto ou daquilo, não haverá esperança para a humanidade senão a de adaptar-se servilmente a controles globais cada vez mais opressivos e anticristãos. A estratégia do inimigo não é linear: ela é dialética. Ela articula forças contrárias, fazendo-as trabalhar pelo sucesso da síntese global. O que é preciso não é combater propostas isoladas – favorecendo na esfera cultural o que se abomina na da política, ou cedendo na economia aquilo que se pretende defender na esfera cultural –, mas compreender a lógica total do “sistema do Anticristo” e oferecer-lhe resistência integral, tão articulada quanto a estratégia de que ele se serve. [2]
rafael_33#75
Porém ela em si não possui erros de doutrina, mas não é irreformável:o que quer dizer que as posições expressas sobre política econômica não são a expressão pura e simples da revelação divina.
rafael_33#76
“Toda atividade económica tem consequências de carácter moral...!”,

O liberalismo é tão maligno quanto o marxismo!!

Mas daí a imaginar que a solução para moralizar a economia seja a gestão estatal pura e simplesmente vai uma distância grande ; sóse moraliza a economia criando uma civilização cristã que dê bases de sustentação a instituições de regulação ética da economia ;os insituttos atuais de regulação econômica atendem muito mais hoje a interesses estatais que a ideais éticos.
cristina_2#77
Somente Deus é INFALÍVEL, PERFEITO E IMUTÁVEL!
wellington_2#78
A Igreja nunca foi liberal. A DSI não é liberal. Se voces esperam que o Papa defenda o liberalismo pode tirar o cavalo da chuva. A Igreja defende a participação do Estado como agente da justiça social. É uma visão social-democrata. Alias o Olavo condena isso em um texto antigo "Capitalismo e Cristianismo"
http://www.olavodecarvalho.org/textos/capitalismoecristianismo.htm

Bem a Igreja sempre foi anti-capitalista, basta ler Weber.
fernando_22#79
"O Papa é Santo"

Xiii...

Alguém avise Bento XVI de que ele já foi canonizado em vida!
fernando_22#80
Vcs estão perdendo o ponto principal. Não se trata de o Papa defender o liberalismo ou o socialismo; se trata de o Papa - e seus assessores - estarem entendendo, ou não, o que está acontecendo na realidade. O Olavo aborda justamente esse ponto: o exame que a Encíclica faz da situação político-econômica é um desastre, é de uma inabilidade atroz!

E isto é motivo para altíssima preocupação: se o Papa não sabe o que está acontecendo, se ele não entende o que está acontecendo, como ele vai conseguir agir de modo minimamente sensato? Cm ele vai orientar os fiéis?
lusguilherme#81
Enquete: quem já leu a encíclica inteira? Até agora só vi o Miguel, o Bento e a Priscila falando que leram.
priscila#82
O Papa NÃO É infalível em qualquer assunto, amigo!

A Igreja Católica, Apostólica, Romana NÃO DIZ isso e jamais disse!

O Concílio Vaticano I, em 1870, foi quem definiu o dogma da infalibilidade, num documento chamado Pastor Aeternus - e definiu dentro dos seguintes termos:

"[...]when the Roman Pontiff speaks ex cathedra, that is, when, in the exercise of his office as shepherd and teacher of all Christians, in virtue of his supreme apostolic authority, he defines a doctrine concerning faith or morals to be held by the whole Church, he possesses, by the divine assistance promised to him in blessed Peter, that infallibility which the divine Redeemer willed his Church to enjoy in defining doctrine concerning faith or morals. Therefore, such definitions of the Roman Pontiff are of themselves, and not by the consent of the Church, irreformable."

Perdão pelo texto estar em inglês, que é como eu na maioria das vezes os salvo. Mas não creio que você vá ter dificuldade em achá-lo em português no site do Vaticano.

Então veja: o Papa não é infalível em qualquer instância, não é esse o dogma da infalibilidade!
priscila#83
...o Papa é infalível somente, APENAS, quando DEFINE UMA DOUTRINA REFERENTE À FÉ E À MORAL PARA SER ADOTADA POR TODA A IGREJA!

Nesta específica instância, por uma graça especial de Deus, para a proteção de Sua Igreja Católica, Apostólica, Romana - o Papa recebe a assistência divina, conforme prometido a Pedro.

De modo que esse negócio de que "o Papa é infalível" pra qualquer assunto é uma bobagem - e inclusive muito usado por quem combate a Igreja, porque realmente seria um absurdo imaginar tal coisa...
priscila#84
A INFALIBILIDADE não é, portanto, um "atributo pessoal", que o Papa carregue por aí como inerente à sua pessoa - a INFALIBILIDADE se deve à ASSISTÊNCIA DIVINA dada ao Papa, por causa de sua posição como o detentor das chaves de Pedro, naquela específica instância descrita acima - pois Deus quer proteger, quer guardar, a Sua verdadeira Igreja.

Sem ser nessa específica instância, o Papa é tão falível quanto qualquer outra pessoa, é claro. Naturalmente é de se supor que, sendo um homem culto, um homem correto, um homem estudioso, etc, ele vá ter opiniões sensatas, boas, bem refletidas. Mas isso é apenas a mesma coisa que vale para qualquer outra pessoa deste mundo - e discordar do Papa numa questão não-doutrinal e não referente à fé católica ou à moral a ser adotada pela Igreja Católica como um todo não fere dogma NENHUM.
marcioneijr#85
Sim Priscila, pois os próprios santos como São Bernardo de Clairvaux e Santa Catarina de Sena foram severos críticos dos papas.
marcioneijr#86
'' Igreja não tem soluções técnicas para oferecer [10] e não pretende « de modo algum imiscuir-se na política dos Estados »[11]; mas tem uma missão ao serviço da verdade para cumprir, em todo o tempo e contingência, a favor de uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação. Sem verdade, cai-se numa visão empirista e céptica da vida, incapaz de se elevar acima da acção porque não está interessada em identificar os valores — às vezes nem sequer os significados — pelos quais julgá-la e orientá-la. A fidelidade ao homem exige a fidelidade à verdade, a única que é garantia de liberdade (cf. Jo 8, 32) e da possibilidade dum desenvolvimento humano integral. ''
orkut_7#87
OdeC no artigo "Um globalismo cristianizado?" aponta com clareza as contradições dessa encíclica. Uma verdadeira batata quente lançada nas mãos dos católicos, como se os cristãos já não tivessem problemas suficientes. Nos blogs e sites católicos independentes, tenho visto muitas críticas.

Um exemplo: "Ai, meu Deus! Foi com grande peso no coração que li, muito rapidamente, a Caritas in veritate.

Meu primeiro impulso foi ficar calado, mudo. Mas alguns leitores me perguntam sobre a encíclica. O que dizer?..." (Antonio Emilio Angueth de Araujo )
orkut_7#88
O dilema em que esse documento coloca os católicos é temível: deverão eles, por obediência ao Papa, colaborar com o fortalecimento do mesmo poder global que os estrangula e vai tornando inviável o exercício público da sua fé, ou, ao contrário, devem voltar-se contra o Sumo Pontífice, aprofundar ainda mais a divisão na Igreja e dar munição à campanha mundial anticatólica? (odeC)
priscila#89
Eu concordo com muitas coisas ditas nesta encíclica - creio que todo cristão há de igualmente concordar.

"A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão.

"No actual contexto social e cultural, em que aparece generalizada a tendência de relativizar a verdade, viver a caridade na verdade leva a compreender que a adesão aos valores do cristianismo é um elemento útil e mesmo indispensável para a construção duma boa sociedade e dum verdadeiro desenvolvimento humano integral. Um cristianismo de caridade sem verdade pode ser facilmente confundido com uma reserva de bons sentimentos, úteis para a convivência social mas marginais. Deste modo, deixaria de haver verdadeira e propriamente lugar para Deus no mundo."

"A caridade é amor recebido e dado; é « graça » (cháris). A sua nascente é o amor fontal do Pai pelo Filho no Espírito Santo. É amor que, pelo Filho, desce sobre nós. É amor criador, pelo qual existimos; amor redentor, pelo qual somos recriados. Amor revelado e vivido por Cristo (cf. Jo 13, 1), é « derramado em nossos corações pelo Espírito Santo » (Rm 5, 5). Destinatários do amor de Deus, os homens são constituídos sujeitos de caridade, chamados a fazerem-se eles mesmos instrumentos da graça, para difundir a caridade de Deus e tecer redes de caridade".

Absolutamente irretocável.
priscila#90
Também concordo com a exortação para que todos levemos em conta o bem comum, não apenas o "nosso"- ou melhor: que entendamos o bem comum como sendo o nosso, verdadeiramente:

"Ao lado do bem individual, existe um bem ligado à vida social das pessoas: o bem comum. É o bem daquele « nós-todos », formado por indivíduos, famílias e grupos intermédios que se unem em comunidade social[4]. Não é um bem procurado por si mesmo, mas para as pessoas que fazem parte da comunidade social e que, só nela, podem realmente e com maior eficácia obter o próprio bem. Querer o bem comum e trabalhar por ele é exigência de justiça e de caridade. Comprometer-se pelo bem comum é, por um lado, cuidar e, por outro, valer-se daquele conjunto de instituições que estruturam jurídica, civil, política e culturalmente a vida social, que deste modo toma a forma de pólis, cidade. Ama-se tanto mais eficazmente o próximo, quanto mais se trabalha em prol de um bem comum que dê resposta também às suas necessidade reais. Todo o cristão é chamado a esta caridade, conforme a sua vocação e segundo as possibilidades que tem de incidência na pólis. Este é o caminho institucional — podemos mesmo dizer político — da caridade, não menos qualificado e incisivo do que o é a caridade que vai directamente ao encontro do próximo, fora das mediações institucionais da pólis. Quando o empenho pelo bem comum é animado pela caridade, tem uma valência superior à do empenho simplesmente secular e político."
priscila#91
Mas aí vem a menção à Populorum Progressio - e a Populorum Progressio teve um efeito fulminante desde 1967, ano de sua publicação, até hoje.

Bom. Por hoje acho que chega.
orkut_7#92
Ingenuidade do Papa?

"Os organismos internacionais deveriam interrogar-se sobre a real eficácia de seus aparatos burocráticos (...) frequentemente muito dispendiosos", diz Bento XVI, considerando que, por vezes, a pretexto da luta contra a pobreza, os pobres servem para manter de pé dispendiosas organizações burocráticas.

Esse pegou o espirito da coisa sobre os tais organismo internacionais e G8s da vida:

"Por uma feliz coincidência, ou por desígnio da Providência, a nova encíclica foi publicada às vésperas de mais uma reunião dos representantes dos 8 países mais ricos do mundo (G8), na Itália; o Brasil também foi convidado. Se as lições do papa forem bem acolhidas, viverá em boa paz e ficará mais feliz a grande família humana globalizada. Um bom objetivo do desenvolvimento." (Card. D.Odilo P. Scherer Arcebispo de São Paulo)
orkut_7#93
3. Pela sua estreita ligação com a verdade, a caridade pode ser reconhecida como expressão autêntica de humanidade e como elemento de importância fundamental nas relações humanas, nomeadamente de natureza pública. Só na verdade é que a caridade refulge e pode ser autenticamente vivida. A verdade é luz que dá sentido e valor à caridade. Esta luz é simultaneamente a luz da razão e a da fé, através das quais a inteligência chega à verdade natural e sobrenatural da caridade: identifica o seu significado de doação, acolhimento e comunhão. Sem verdade, a caridade cai no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, que se pode encher arbitrariamente. É o risco fatal do amor numa cultura sem verdade; acaba prisioneiro das emoções e opiniões contingentes dos indivíduos, uma palavra abusada e adulterada chegando a significar o oposto do que é realmente. A verdade liberta a caridade dos estrangulamentos do emotivismo, que a despoja de conteúdos relacionais e sociais, e do fideísmo, que a priva de amplitude humana e universal. Na verdade, a caridade reflecte a dimensão simultaneamente pessoal e pública da fé no Deus bíblico, que é conjuntamente « Agápe » e « Lógos »: Caridade e Verdade, Amor e Palavra.
ayrton#94
Bom dia a todos! Não li todos os comentários, mas queria informar que tem uma matéria sobre a encíclica de Bento XVI, na Veja desta semana. Parece que ele dá um puxão de orelhas no assistencialismo do estado - onde podemos facilmente enquadrar o Bolsa Esmola (ou Bolsa Voto).
marcioneijr#95
Miguel
Você poderia citar as páginas do Livro R-CR?
tiago_6#96
"O Espírito-Santo não foi prometido aos Sucessores de Pedro para que, por revelação sua, manifestem nova doutrina, mas para que, com sua assistência, santamente guardassem a Revelação entregue aos Apóstolos ou o depósito da Fé e o expusessem fielmente" (D.S.3070).
priscila#97
Amigo, eu não sou nem maliciosa e nem a outra coisa que me esqueci qual é: o que eu disse é o que diz a Igreja, através do documento que eu dutifully linquei: que apenas - APENAS - nas referidas circunstâncias o Papa é assistido por Deus de forma a ser infalível, etc. Como está lá.

"APENAS" significa, evidentemente, que "EM QUALQUER OUTRA CIRCUNSTÂNCIA, NÃO"!

Você me pergunta se eu acho que o Papa "seria capaz", etc, etc. Não inclui na pergunta se a ação seria voluntária ou involuntária - e a minha resposta, lamento dizer, é um honesto "NÃO SEI". Não acho que dependa obrigatoriamente de uma intenção do Papa - desse ou de outro. Mas acho POSSÍVEL, é claro que acho, que uma ação Papal num âmbito FALÍVEL possa vir a ter medonhas consequências para a Igreja. Porque pensar o contrário seria ir CONTRA o que diz a Igreja, e pretender que qualquer Papa é infalível em qualquer instância - que é o CONTRÁRIO do que a Igreja diz, caramba! Eu sinceramente penso por exemplo que o papa João XXIII, Angelo Roncalli, ERROU! Errou feio. E seu erro teve consequências.

Minha crítica, repito, não fere nenhum dogma: e eu não pretendo de nenhuma forma abandonar a Igreja, porque penso que ela é resistente a esses erros. Maior que esses erros. Também não acho que ajude nada dizer que "concordo" com aquilo com que NÃO concordo! Seria um completo ABSURDO, não? 😮!
douglas_5#98
A Priscila tem razão...

Mas eu me pergunto, será que o Papa redigiu aquilo tudo sozinho?Se foi somente ele, então o Espírito não estava com ele no momento....
Como católico eu só tenho isso a dizer...
priscila#99
Por incrível que possa lhe parecer, amigo, qualquer fiel PODE, sim, criticar a Igreja como fez Bernardo de Claro Vale, santo e doutor desta Igreja.

Se a crítica é JUSTA ou não é outro assunto: mas DIREITO TODO FIEL TEM, pois todo fiel verdadeiro tem o mesmo valor diante de Deus - mesmo o mais anônimo e o mais humilde.
priscila#100
Aliás, quer saber? Eu ando meio desconfortável em não dizer com a habitual completitude o que eu vi de errado nesta encíclica - que, diga-se de passagem, não é a única encíclica da qual já discordei, até porque esta é a ducentésima nonagésima quinta encíclica já publicada na história do Catolicismo Romano, o que é MUITA encíclica!

E o que eu vi de errado é o seguinte: é que NÃO SÃO os protocolos da ONU, ou de quem for, que DETERMINAM o que significa o "bem da humanidade". Bem da humanidade eu também quero, mas o que eu chamo de BEM definitivamente não é o que está nos estatutos das Nações Unidas.

Eu sempre considerei estapafúrdio que alguém não veja que confortos - mesmo aqueles que julgamos indispensáveis - simplesmente não são fisicamente POSSÍVEIS de ser oobtidos por toda a humanidade. Como eu tive oportunidade de dizer em outros lugares, o chamado "conjunto X" - o conjunto que inclui as condições julgadas desejáveis para definir "o bem da humanidade" em termos aceitos dentro da noção vigente de "progresso" e "justiça social" - é fisicamente impossível de ser alcançado como modelo.

Lamento dizer que, se CADA humano tivesse, por exemplo, acesso a água encanada e a uma rede de esgotos (por um passe de mágica, neste exato momento), o planeta estaria DETONADO em um ano. Não EXISTE água suficiente pra isso. E aí quem pretende que este seja "um objetivo justo" vai ter que encarar essa verdadezinha incômoda mais cedo ou mais tarde. Também não é possível todo mundo comer comida dita "orgânica" - se este for um "objetivo justo", ou meia humanidade vai morrer de fome ou não sobra uma árvore em pé em cinco anos - e possivelmente as duas coisas aconteceriam.

Os paradigmas da ONU são feitos por gente que SABE disso perfeitamente: e por isso os paradigmas da ONU incluem sub-repticiamente uma série de medidas para REDUZIR a população mundial para que se possa chegar ao "conjunto X" (os que sobrarem, evidentemente). Sem esta dizimação, a ONU não perderia tempo com um modelo inviável. E o resto é conversa fiada.

‹ Voltar para a lista de tópicos