De modo que o tal "progresso" - tá, perfeitamente, o Papa deixou claro que "progresso" não é SÓ ISSO: mas deixou claro que TAMBÉM É ISSO - a NOÇÃO de progresso, o conceito do "conjunto X" , é que deve ser reavaliado.
O conjunto X é um conjunto que é INVIÁVEL como GERAL, como "para toda a humanidade". É necessário arranjar outro, mais simplesinho. É preciso VOLTAR.
Não sei onde é que está a caridade em querer dar para uma comunidade - seja de que tamanho for - alguma coisa que, se TODOS tiverem, estupora qualquer sistema e esculhamba qualquer futuro.
Esse é o meu primeiro ponto, o de ter achado a encíclica sumamente infeliz, por ter ignorado uma coisa bastante BANAL.
O segundo é que há que navegar com cautela entre o individual e o coletivo - sem tombar para lá ou para cá em nenhum momento. É complicado, mas é possível.
Eu achei a encíclica torta para o lado "coletivista".
Eu não gosto da Ayn Rand e já demonstrei que discordo dela em inúmeras ocasiões, mas aquela apologia do egoísmo me parece pelo menos honesta, e menos danosa, palavra de honra, do que qualquer coletivização.
O ideal seria a manutenção do máximo de individualidade com o máximo de amor ao próximo - mas sem sindicato e sem organismos enfiados no meio, porque eu não acredito em NENHUMA dessas organizações ou instituições como capazes de desempenhar tal papel. TUDO o que elas fizeram até hoje foi exatamente prometer o inviável e hipocritamente jogar no lado contrário, o lado do "viável", e dane-se sutilmente quem tiver que se danar para que os "eleitos" consigam lá seu "progresso", naqueles termos. Com uma mão promete-se um treco impossível e com a outra matam-se mais mil pra que o impossível se torne possível. Deus que me perdoe, mas é só o que têm feito esses camaradas.
E EU vou ter que jogar do lado deles? 😮!
É ruim, hein?
Lamento. Lamento mais do que qualquer um imagina.
Vou ver o que o Olavo propõe de concreto, e faço de boa-vontade.
Mas dizer que concordo não digo nem morta.
Meu amigo, o Papa não se declara favorável à NOM. Mas AGE favoravelmente a ela.
Já na Austrália, na Europa, em sei lá mais aonde, levantam-se vozes dizendo: " É isso!"
Por exemplo: "Sidney, 12 jul (SIR) – A Encíclica do Papa Bento XVI “Caritas in veritate”, com as suas indicações sociais e econômicas, traça o caminho mestre sobre o qual a humanidade deve preparar-se para alcançar os Objetivos do Milênio.
[...]" Segundo estimativa das Nações Unidas, em 2009 as fileiras daqueles que lutam a cada dia pela simples sobrevivência aumentou de 55 a 90 milhões de pessoas. Por isso, é fundamental o empenho das nações mais ricas. Nesse delicado quadro, afirma a Caritas, a Encíclica di Bento XVI, chamando a atenção sobre a centralidade do homem, oferece a ’indicação chave: a de agir “no amor”, que nasce do empenho social, civil e político, para a construção de um mundo mais justo e fraterno."
O caminho das Nações Unidas, no entanto, é um BECO SEM SAÍDA - não é o caminho correto por NENHUM CRITÉRIO.
Eu escolhi o exemplo da água e do saneamento como BÁSICO, como EXPRESSIVO: amigos, se todo o mundo (rico) investisse para dotar de condições de saneamento julgadas "desejáveis" todo o mundo (pobre), ANTES QUE O PROJETO CHEGASSE AO MEIO COMEÇARIA A MORRER GENTE DE SEDE EM ALGUM LUGAR. Gente POBRE, evidentemente.
E A ONU SABE DISSO!
Sabe perfeitamente!
Não é BURRA! É HIPÓCRITA!
Esse empenho civil e político não pode se dar DENTRO DE UM MODELO que é em si ERRADO, leva em conta conceitos ERRADOS, não vai melhorar nunca - a não ser que, como eu disse, elimine gente pacacete. Que é o que FARÁ.
Os critérios da NOM não são critérios que falem em modéstia ou privação.
NÃO: falam em OBTENÇÃO DE CRITÉRIOS "MAIS JUSTOS" - sendo que por "mais justos" quer dizer que todos tenham MAIS.
Quando o caminho correto seria que todos tenham MENOS, muito MENOS, monumentalmente MENOS! O "MAIS" para todos é IMPOSSÍVEL, em primeiro lugar.
E desnecessário, em segundo.
Quer mais justiça? Eu TAMBÉM QUERO. A volta que é obrigatória para isso é extraordináriamente simples e extraordinariamente DIFÍCIL - TODA simplificação é difícil!
Toda VOLTA também é.
Eu continuo dizendo: nesta direção, chegaremos a um beco sem saída. A solução teria que ser procurada, na minha opinião, nas nações POBRES, e não nas ricas. Quem desaprendeu e foi longe demais são as nações ricas, que têm portanto que APRENDER, não têm que ENSINAR.
O progresso como atualmente entendido não é a vocação do homem.
A vocação do homem é muito mais simples, e muito mais difícil - temos todos que VOLTAR para retomar o caminho esquecido. Em TODOS os âmbitos.
Insisto no SIMPLES E DIFÍCIL: o mundo só vai piorar se o estatuto da UN prevalecer sobre outra lei, a NOSSA, muito mais antiga, mais simples e mais difícil.
Eu realmente não acho que a idéia do Papa em si - de que o tal do liberalismo econômico é uma perversão, e que a injustiça deve ser combatida, e que não é possível esmigalhar tanta gente para tanta gente viver entupida de bobagens - esteja ERRADA: é a minha idéia, também.
A infelicidade foi vir com a ONU no meio da história, e os sindicatos, e sei lá mais o quê. Aí desandou.
Porque a rigor a ONU é o último referencial pra qualquer coisa.
Pra quem não encontrou referência à NOM, aí vai uma: "Adequadamente concebidos e geridos, os processos de globalização oferecem a possibilidade duma grande redistribuição da riqueza a nível mundial, como antes nunca tinha acontecido; se mal geridos, podem, pelo contrário, fazer crescer pobreza e desigualdade, bem como contagiar com uma crise o mundo inteiro."
"Para o governo da economia mundial, para sanar as economias atingidas pela crise de modo a prevenir o agravamento da mesma e em consequência maiores desequilíbrios, para realizar um oportuno e integral desarmamento, a segurança alimentar e a paz, para garantir a salvaguarda do ambiente e para regulamentar os fluxos migratórios urge a presença de uma verdadeira Autoridade política mundial, delineada já pelo meu predecessor, o Beato João XXIII.
Pra quem discorda do que eu disse, que o "conjunto X" não é visto como errado, quando É justamente o cerne da questão: "Há que recordar também que, no campo económico, a principal ajuda de que têm necessidade os países em vias de desenvolvimento é a de permitir e favorecer a progressiva inserção dos seus produtos nos mercados internacionais, tornando possível assim a sua plena participação na vida económica internacional."
"O desenvolvimento integral dos povos e a colaboração internacional exigem que seja instituído um grau superior de ordenamento internacional de tipo subsidiário para o governo da globalização [149] e que se dê finalmente actuação a uma ordem social conforme à ordem moral e àquela ligação entre esfera moral e social, entre política e esfera económica e civil que aparece já perspectivada no Estatuto das Nações Unidas."
O golpe final.
Fala sério.
Não vejo como sair dessa - que a sua brilhante inteligência seja um facho de luz nesse BREU, meu caro Olavo de Carvalho!
Corroborando, em termos gerais, o que a Priscila disse sobre o "bem" da humanidade, a partir de outras premissas:
"To suppose that the just authority is one which inaugurates an impeccably just order at all points is the broad way to follies of the most dangerous kind. An authority is just when it gives an example of justice in all activities proper to itself - and that it finds hard enough. The logical end of the illusions now in vogue is the quite absurd one of a society in which everything would be arranged justly and no-one would have to be just.
(...)
No proposition is likelier to scandalise our contemporaries than this one: IT IS IMPOSSIBLE TO ESTABLISH A JUST SOCIAL ORDER (...) To do justice is to apply, when making a share-out, the relevant serial order. But is is impossible for the human intelligence to establish a relevant serial order for all resources and in all respects.
(...)
Justice is a quality, not of social arrangements, but of the human will.
(...) There is no once-for-all scheme of things to be established and preserved (...) Therefore what we should be concerned with is that the whole ceaseless process of change should be increasingly permeated by the quality of justice in our individual wills"
Seu amigo pega um termo do texto do Olavo - "previdência social" -, descontextualiza o mesmo, cria o maior escarcéu em torno dessa questiúncula, e, last but not least, xinga o Olavo de tudo que é jeito - de mau caráter para baixo.
Tá claro, para qualquer pessoa que leia o texto com um mínimo de honestidade - o que não é caso do seu amigo -, que o Olavo usou a expressão "previdência social" num sentido lato, amplo, sinônimo de segurança ou seguridade social.
Das duas uma: ou seu amigo é um analfabeto funcional que não consegue entender um simples texto ou tá de sacanagem.
De qualquer forma, manda ele chupar um parafuso até virar prego: ocupação mais útil para as horas vagas dele.
Li apenas 1/3 da encíclica mas posso dizer 2 coisas:
1) tocou este cristão nada praticante e o fez pensar um dia inteiro na idéia de que a caridade é maior que a justiça, valor que tanto prezei até hoje e sempre reputei acima de qq coisa!
2) definitivamente o formato de encíclica não responde mais ao que a Igreja precisa fazer. Não defendo a extinção desse tipo de estudo e doutrina papal, mas acho que ela deveria adotar um formato mais conciso e direto, sem linguagem vazia e dada ao duplipensar, sem referencias cruzadas. O que ocorre nesse texto que na minha impressão deu 47 páginas é que seu núcleo acaba por reforçar os temas da NOM e do marxismo cultural enquanto as partes periféricas que delineiam a crítica aos sistemas estatólatras e etc ficam na periferia, que é o seu lugar mesmo. Não há como evitar isso... a nao ser mudando o formato. "twitterizando" a encíclica e usando o resto do corpo dela como estudo, obra.
Por fim, o que vi até agora é um documento que se presta a fazer o papel que, por exemplo, PSDB e DEm fazem: entrar na linguagem da esquerda e estar derrotado fazendo o jogo do inimigo desde o início, achando que os esclarecimentos e divergências paralelas estão sendo notadas, quando na verdade não o são. E isso é muito grave para um poder espiritual.
1) tocou este cristão nada praticante e o fez pensar um dia inteiro na idéia de que a caridade é maior que a justiça, valor que tanto prezei até hoje e sempre reputei acima de qq coisa!
Todo cuidado é pouco quando se começa a falar em ajudar os maus como se ajuda os bons.
Mas COMO a caridade pode ser "maior"do que a justiça, amigo? Não, isso eu não acho que o Papa tenha querido dizer, não.
Ele quis dizer que a caridade tem que ser VERDADEIRA, com o que eu concordo! Mas justamente porque a caridade tem que ser VERDADEIRA é que o caminho proposto não serve!
Seria verdadeiramente caridosa uma ação que, a longo prazo, traria malefícios que anulariam o aparente benefício inicial? Se eu conscientemente SEI que esse aparente benefício - mesmo que seja REAL - traz embutido em si, inerente a si, um conjunto maléfico de consequências que vão se fazer sentir lá na frente, e que decorrem dessa pretensa caridade feita lá atrás, como é que eu POSSO fazer a tal da caridade, em primeiro lugar? 😮!
O caminho, o jeito que o Papa propõe para que sejam alcançadas metas que representem melhora na vida de quem necessita não estão certos. Eu vou por minha conta até mais longe, porque sinceramente penso que a humanidade precisaria se DETER, individualmente, para refletir profundamente sobre quais são os propósitos que deveriam nortear a nossa existência, a de CADA UM DE NÓS, a de nossos descendentes, a de nossos irmãos humanos.
Não me parece de modo algum "claro"ou "óbvio" que o modo de viver trazido pelo tal do progresso tenha SERVIDO pra coisíssima nenhuma de bom, palavra de honra.
E se a idéia é ESTENDER os tais "benefícios desse progresso"a mais gente, eu vejo uma MURALHA aterrorizante na frente de todo mundo, porque, sinceramente, tal coisa traz em si embutida o fim do homem. Eu acho que a gente teria que dar uma meia-volta, volver e tentar se livrar da parafernália do jeito que fosse possível.
Viver mais simples, de um jeito mais suado, e com boa-vontade e empenho pra ter MENOS. Independentemente de qualquer coisa. Um ajuste penoso, eu sei - o mundo está INTEIRO funcionando em cima da parafernália que todo mundo QUER TER - e que o Papa quer que todos tenham, por justiça. E eu acho que esse esquema é FATAL.
A minha maior aflição é que um governo mundial terá poder para impor um modelo pretensamente caridoso a todos, com as consequências maléficas embutidas sem possibilidade de reação: NINGUÉM ficaria "fora do modelo", e portanto a tragédia, quando fosse finalmente percebida, teria proporções verdadeiramente hecatômbicas.
Os benefícios da economia globalizada têm DENTRO DE SI embutidos os MALEFÍCIOS da economia globalizada.
Cuidado, portanto, em querer estender esses benefícios - porque os malefícios são MAIORES do que os benefícios.
Eu corro todos os riscos para dizer isso - eu SEI que é assim.
Eu VEJO que é assim.
Tenho a mesma aflição que o Papa tem por saber que os pobres do mundo existem, vivendo ao lado de gente atulhada na tal parafernália matadora. Mas não sou louca de querer um governo mundial pra consertar isso. Os defensores do governo mundial me parecem TODOS, sem exceção, interessados em MANTER a parafernália matadora - e pra mantê-la não me parecem hesitar diante de nada.
A ONU leva uma equipe pra vacinar criancinhas na África e extermina não sei quantas - leva outra equipe para combater a malária e no final o que se vê é um impedimento ao uso do DDT que poderia, sim, ser usado dentro de determinados protocolos seguros, e o resultado é um aumento da malária nesses lugares; enfim, quem é que confia nessa gente? O que QUEREM eles, na verdade?
Eu sempre acreditei no princípio lógico e disciplinador de que YOU CAN'T HAVE YOUR CAKE AND EAT IT TOO - e acho que os caras da NOM sabem disso muito bem.
Então, no caso, eu acho é que a gente não tem que querer o bolo, seja para comer ou para guardar. Não ESSE bolo aí.
Não é por que eu saiba que não consigo ganhar essa que eu vou me bandear para um lado que eu sei que vai resultar numa catástrofe.
"Seria verdadeiramente caridosa uma ação que, a longo prazo, traria malefícios que anulariam o aparente benefício inicial? Se eu conscientemente SEI que esse aparente benefício - mesmo que seja REAL - traz embutido em si, inerente a si, um conjunto maléfico de consequências que vão se fazer sentir lá na frente, e que decorrem dessa pretensa caridade feita lá atrás, como é que eu POSSO fazer a tal da caridade, em primeiro lugar? !
O caminho, o jeito que o Papa propõe para que sejam alcançadas metas que representem melhora na vida de quem necessita não estão certos."
Esta é também a minha primeira impressão. No entanto, não me furto de colocar as benfeitorias dela em mim.
"Mas COMO a caridade pode ser "maior"do que a justiça, amigo? Não, isso eu não acho que o Papa tenha querido dizer, não."
segundo § do item 6: "...A caridade supera a justiça, porque amar é dar, oferecer ao outro do que é 'meu'; mas nunca existe sem a justiça, que induz a dar ao outro aquilo o que é 'dele'" ou seja, o Papa diz sim que a caridade é maior que a justiça, assim entendida como 'caridade na verdade', que Jesus testemunhou com sua vida. O resto do texto te leva a crer que o Papa não quis dizer isso?
Veja, se um cara merece um soco na cara, dê o soco na cara dele, é um ato de justiça. A Caridade é maior que a justiça. Então, se você for caridoso, vai espancá-lo e não apenas dar um soco. 😉
A Justiça é o "princípio" da Caridade, é o mínimo de Caridade que você pode dar a alguém. Isso fica claro na encíclica, basta lê-la com atenção.
- Em primeiro lugar, o amigo Vicente acaso lê pensamentos? Conhece as intenções alheias?
Sim, porque o amigo já declara que eu “na verdade não defendo a Verdade – defendo o Olavo”! 😄! Na boa tradição das leoas, amigo, sugiro que você monte uma tendinha na rua da Alfândega esquina com avenida Passos, no intuito de ganhar um troco adivinhando as intenções e pensamentos dos passantes, já que você se dispõe a adivinhar o que os outros pensam com tamanha cara-de-pau!
- Em segundo, a Igreja não é uma democracia, é claro: e eu nunca achei que fosse, diga-se! Sua descrição da Sabedoria e do Conhecimento também é correta – mas não vejo o que tenha a ver com o presente debate, ou com qualquer crítica feita à encíclica! E ninguém – não eu, pelo menos – está “lançando injúrias contra o Papa”! 😮!
- E em terceiro, prezado Vicente – você mesmo admite a possibilidade de que o Papa POSSA ter errado! Você admite a hipótese de que “o tempo mostre” este eventual erro: um tempo que, em minha opinião, já passou – precisamente depois que eu acabei de ler a encíclica. Se para você este tempo é maior, ou mesmo não chegar NUNCA – este é um dado irrelevante: a possibilidade de erro papal você já admitiu, tanto quanto eu, quando disse que “se o Papa errou, só o tempo irá mostrar”.
O "SE", evidentemente, contém a POSSIBILIDADE.
Então, por gentileza, ”tira a trave do teu olho, etc, etc, etc”. 🙂!
Bom, eu creio firmemente que o Papa não quis "desvalorizar a justiça", de nenhuma forma. Quis dizer que a virtude da Caridade - eu diria que a virtude da Compaixão - é uma cintilante virtude cristã, e que a Justiça não pode prescindir dela. É como eu entendo o que disse o Papa. Não acho que ele tenha errado AÍ, de maneira alguma.
a Encíclica. Antes de começar, corri os olhos no polêmico parágrafo 67 e em seguida comecei a ler a Introdução.
Ainda não terminei, e já me dou ao luxo de esboçar uma defesa de Sua Santidade.
Sem dúvida que o texto abre-se à dupla interpretação, como aliás, toda a literatura eclesiástica pós-Concílio Vaticano II.
O Papa clama por uma "autoridade política mundial". A meu ver, Bento XVI quer fazer RESSURGIR o paradigma de Cristandade. No Império Bizantino, por exemplo, um Imperador (Basiléos) cristão detia o poder político mundial, e os reis vizinhos (em tempos de paz até os sultões) eram seus vassalos. Era ele quem defendia a Cristandade - um mundo que podemos chamar de "globalizado" à sua maneira, pela fé - das ameaças externas, que não concordavam com esta "globalização" e queriam destruí-la. Estes eram o Islã e os persas.
Pelo andar da minha leitura, vejo essa intenção no velho Papa Bento XVI. Não ignoro que ela pode ser entendida de outra maneira.
Nada mais natural um Papa verdadeiramente católico (que Bento XVI tem se mostrado até agora) do que ansiar o retorno da Cristandade e a centralização do poder nas mãos de um monarca cristão e reacionário. Não entendam "reacionário" por pejora. Ele (o Papa) só não pode propor estes termos em sua Encíclica, senão cavaria a própria cova. O Papa precisa ser política e modernísticamente correto em sua terminologia, substituindo "Cristandade" por "globalização".
A tal "Néo-Cristandade" poderia tornar-se uma solução contra os batedores de carteiras que mandam em "republiquetas" cá e acolá; seria uma ducha de água fria na revolução bolivariana que o Foro de SP quer implantar na América Latina. Se a interpretação que estou dando for a verdadeira, Sua Santidade pode esperar uma nova onda de ódio global contra sua pessoa.
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Eu também vejo essa autoridade (e veja, autoridade não é governo) mundial como sendo a Igreja, como era na Idade Média. A Igreja, na Idade Média era uma autoridade política mundial de tipo subsidiário. Era a autoridade moral a que todos deviam obediência, ao mesmo tempo que não se metia nas questões internas de reinos e feudos. E não falo mais nada, porque fiz voto de abstinência em matéria de opinião
Eu estava lendo o blog Contra Impugnantes no artigo Um governo mundial, sob uma moeda mundial. A Encíclica do Papa e o G-8 onde cita a Gaudium et Spes. Vejam que interessante a citação:
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“O Concílio advoga pela constituição de uma autoridade política mundial com poder sobre as nações, como para impedir guerras. É este, a propósito, um dos principais clamores de Gaudes et Spes: ‘Enquanto exista o risco de guerra e falte uma autoridade internacional competente provedora de meios eficazes (grifo nosso!), uma vez esgotados todos os recursos da diplomacia, não se poderá negar o direito de uma legítima defesa das nações’ (nº. 79); ‘(...) ‘Devemos procurar com todas as nossas forças preparar uma época em que, por acordo entre as nações, possa ser proibida absolutamente qualquer guerra. Isto requer o estabelecimento de uma autoridade política pública universal (grifo nosso!) reconhecida por todos, com poder para garantir a segurança, o cumprimento da justiça e o respeito dos direitos’ (nº. 82). Pois muito bem: a única autoridade com poder eficaz para impedir as guerras que não seja a do Vigário de Cristo, será a do Anticristo. Se não é o Príncipe da Paz quem estabelece a ordem de justiça entre os povos por meio do poder que comunicou a seu Vigário, será o príncipe das trevas quem o fará por meio dos poderes que comunicou a seu primogênito, o Anticristo”.
No Brasil, o Olavo é o único pensador que critica a proposta de governo global. Os outros simplesmente a ignoram, ou fingem ignorar; nos EUA, vários grupos falam um bocado sobre isso.
Pra mim, depois de muito ler e refletir sobre o assunto (acreditem, li TUDO que o Olavo escreveu em suas colunas, sobre isso, durante uns dois anos), percebi que a implantação de uma "autoridade mundial" é simplesmente inevitável!
O que podemos fazer?
O mundo está cada vez menor.
O que fazer?
Se alguém tiver uma resposta realmente concreta e factível do que se pode fazer contra essa tendência (intencional ou não), que está cada vez mais rápida, pode me falar.
---
O Império Romano era praticamente o mundo inteiro à época da nascente Igreja.
Era politeísta, e todos os romanos comuns concordariam facilmente com as propostas da união homossexual, da liberação do aborto, da "diminuição da "idade do consentimento"", etc. etc.
Mesmo assim, em pouco tempo, o Cristianismo suplantou todo o sistema de crenças vigente à época, com a Igreja Católica se tornando praticamente todo o Império!
Porque alguém vê alguma dificuldade em fazer isso de novo?
Acredito, na minha pequenina e singela opinião, que o Papa deve estar aceitando o FATO de que o governo global se aproxima com mais rapidez do que imaginamos, e acredita que o melhor é que este governo se ponha sob a doutrina, a lei da Igreja.
Alguns, provavelmente influenciados pela grande aceitação de teses protestantes, bem aceitas nos meios, salvo engano, adventistas e batistas, de que "o fim está próximo", temem, com a implantação da autoridade mundial, o alvorecer do Anticristo e o acelerar do Apocalipse.
Não acredito, sinceramente, que um católico deveria temer essas bobagens.
Se realmente o Anticristo for algum presidente desse governo global... ora, que venha! Não está na profecia? Por acaso, profetas de Deus erram? Não devemos, e nem o Papa, agir contra Deus nem contra a Igreja.
A forma mais eficiente, a meu ver, para a realização da profecia de Fátima, de o mundo e a Rússia se curvarem ao Seu Sagrado Coração, é a implantação de um governo global... católico!
Roma já foi o mundo. A história só vai se repetir.
Jesus disse que ninguém saberia nem o dia nem a hora.
Prefiro acreditar nEle a crer num pastor protestante que diz que o anticristo vai aparecer no momento da fundação do governo global, e governar sete anos pro bem, e sete anos pro mal, e pintar códigos de barras nas nossas testas, ou o número 666, blá-blá-blá.
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Ao que sei, o governo global católico pode muito bem começar a fundar colônias na Lua e em Marte, que representariam os novos mundos (como aconteceu com a América e a Oceania), e o Anticristo demorar ainda uns 50 mil anos pra acontecer.
Essa história de ficar temendo o fim do mundo é falta de fé.
Não vejo em que a idéia de um governo global contraria a doutrina católica, se aquele for aceito e referendado por todos os povos a ele subordinados, respeitando a dignidade humana e as liberdades individuais.
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Enquanto o Ocidente cristão brinca de "vô - num vô" na onda do globalismo, o Islã de há muito apóia a idéia.
A ONU se farta de petrodólares há décadas, já que o Islã acredita que o caminho para a conversão de todo o mundo passa pelo fortalecimento de um governo global.
Todos sabemos que as duas forças (o globalismo ateu e o Islã) vão terminar brigando. E que a esquerda internacional, que também apóia a idéia, vai entrar na briga.
Sabemos que os três são aliados temporários contra seu maior adversário: o cristianismo ainda arraigado no coração e na alma dos ocidentais.
---
Acho que o Papa estará certo se disser (talvez já começando com essa encíclica):
é um governo global que vocês querem? Então, que seja... um governo global católico! Ou, pelo menos, de acordo com a Sã Doutrina.
A Igreja Católica não pode ser mais considerada, no momento, como grande opositora do globalismo, principalmente após essa encíclica.
Os únicos adversários de peso que restaram se chamam Estados Unidos da América, em particular nas instituições do Partido Republicano e seus apoiadores, como a NRA, e Israel.
Não acredito que o poder de fogo da imprensa internacional contra a Igreja irá diminuir depois dessa encíclica. Se alguém contava com isso (não acredito que Sua Santidade seja um desses), pode tirar o cavalo da chuva.
Pelo contrário, acredito que agora é que os globalistas podem começar a temer. Temer perder poder dentro da sua própria "grande idéia".
Pode-se imaginar possibilidades nocivas reais, como a de um governo global totalitário, que não respeite as liberdades individuais e a dignidade humana, por exemplo.
Pode até acontecer, sim.
Mas, daí, como acredito que o globalismo é uma tendência inevitável,
e os sites e redes sociais como twitter, blogs, facebook, virtual life, Orkut, Youtube, googlemaps ligados a GPS, me convencem a cada dessa inevitabilidade,
justamente, a melhor maneira de evitar as conseqüências mais funestas dessa tendência é entregar a sua orientação à Igreja!
"Se alguém tiver uma resposta realmente concreta e factível do que se pode fazer contra essa tendência (intencional ou não), que está cada vez mais rápida, pode me falar."
O que fazer? Arrependa-se dos seus pecados e creia que Jesus Cristo [e o seu salvador!
A mensagem de Fátima é RECONHECIDA como milagre pela Igreja Católica, Apostólica, Romana.
Portanto, não existe DESCULPA para que não tenha sido rigorosamente obedecida.
O que não se aplica a Nostradamus, um adivinho que falava em seu próprio nome e que não tem nenhum reconhecimento por parte de Igreja alguma, até onde eu sei.
falo da Igreja Católica, Apostólica, Romana, repito: que RECONHECEU o milagre e não obedeceu ao que nele foi ordenado.
Vigário de Cristo e AntiCristo significam a mesma coisa.
Esquizofrenico ( ou seja, doença caracterizada pelas alterações do pensamento, alucinações (sobretudo auditivas), delírios e embotamento emocional com perda de contato com a realidade) e seguidor do protestantismo significam a mesma coisa.
Pelo que eu saiba a Igreja Católica tinha reconhecido a Revelação de N.S. de Fátima como uma uma revelação pública, visto que cerca de 70.000 pessoas viram o milagre do sol. Foi só depois do Concílio Vaticano II é que ela foi ignorada.
divisão por causa de Jesus-Lu.12;49
...Não vim para trazer paz,mas divisão..'Isso não é nada político correto. O cristianismo é um obstáculo a um governo mundial. A torre de babel. Catolicismo está num dilema.
Esquizofrenico ( ou seja, doença caracterizada pelas alterações do pensamento, alucinações (sobretudo auditivas), delírios e embotamento emocional com perda de contato com a realidade) e seguidor do protestantismo significam a mesma coisa.
" Coincidentemente ou não, exatamente nesta mesma semana em que o Papa propõe uma autoridade política mundial, o G-8 propõe uma moeda mundial — já até cunhada, como se vê nas imagens que ilustram o presente texto. Arrepia-me tal coincidência, assim como pensar num poder político e num poder econômico mundiais, com fins meramente humanos, apoiados e referendados pela única autoridade espiritual que visa ao bem superior da salvação das almas. " http://www.sacralidade.com/igreja2008/0204.ratzinger.html