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Liberais, conservadores e o aborto

Iniciado por lushenrique_2 em 25/10/2007 · 183 mensagens · página 2 de 4

renan_6#51
OBS.: estupro de um estranho.
marcelo_12#52
O falecido D. Lucas Moreira Neves, Cardeal Primaz do Brasil, publicou um belo artigo sobre filhos gerados de estupro que ele conheceu e de que ouviu falar. Lamentavelmente não há mais como indagá-lo, mas seria muito interessante.
pedro_17#53
lembro que a profissão de orientador espiritual é para "profissionais tarimbados", com sete anos de estudo e que receberam o sacramento da Ordem, e não para palpiteiros de orkut.

Para afirmar o que o CDC afirma, para mostrar o que o Magistério ensina, não é necessário o sacramento da Ordem.
jeov#54
saindo um pouco do mérito moral da questão...
Alguém conhece um caso de mulher que criou um filho nascido de estupro?


Minha namorada me contou de um caso de uma mulher que, tendo sido estuprada, decidiu ter a criança. O pior é que o menino era a cara do estuprador. Vou procurar saber mais da estória.
uriel#55
.

eu já era radicalmente contra o aborto mesmo quando eu era ateuzão. sempre achei a prática do aborto pior do que a pedofilia e pior do que o estupro.
jeov#56
Sto. Agostinho argumentava o mesmo com relação à prostituição. É errado, mas tentar proibi-la levaria a males ainda maiores.

Sério mesmo ? Poxa ! Emocionante ver isso !
jeov#57
Também conheço um caso destes. A filha é boníssima para mãe, e tem-lhe muita gratidão por não tê-la abortado. As duas são muito unidas.

Acho que sendo uma filha é bem mais fácil...
jeov#58
Acho que é mais fácil amar a filha de um estuprador do que um filho de um estuprador.
fillipe#59
Seja por que motivos forem: morais, pessoais, psicológicos, etc., legitimar o aborto de casos de estupro é, rigorosamente, legitimar o aborto de uma gravidez indesejada.

Não pensem que não pode haver casos de gravidez indesejada que envolvam muito mais danos traumáticos do que alguns estupros.

Se sou contra o aborto no caso de gravidez indesejada serei, obrigatoriamente, contra o aborto em casos de estupro. É sempre uma opção pela morte.
fillipe#60
Risco de vida para a mulher nem os conservadores são contra.

Afinal, está se fazendo uma escolha pela vida. É uma proteção da vida. Uma escolha dura, mas que deve privilegiar a mãe.


Meu próprio comentário. Vejo que eu estava um pouco equivocado. Embora saiba que há conservadores que pensam tranqüilamente assim.

f.
jeov#61
Seja por que motivos forem: morais, pessoais, psicológicos, etc., legitimar o aborto de casos de estupro é, rigorosamente, legitimar o aborto de uma gravidez indesejada.

Sim, mas você tem que entender que em casos de estupro, além de a gravidez ter sido indesejada, a atitude (sexo) que teve como conseqüência a gravidez também foi indesejada.
jeov#62
Ei, alguém podia citar Sto Agostinho falando da prostituição ? Eu ficaria muito grato.
pedro_17#63
Sim, para repetir o Catecismo, o Magistério ou o Código de Direito Canônico não é necessário o sacramento da ordem; mas dizer para alguém que você mal conhece "você está excomungado, pois a minha interpretação do catecismo diz que sim" é extremamente temerário.

Não falo que é minha interpretação porque a Igreja é clara quando afirma que o aborto é condenável em todas as suas formas, e aqueles que defendem estão comentendo falta grave, se não excomunhão automática. Ponto. Não façamos tempestade em copo d'água. O Magistério é claro e certeiro, o CDC foi criado justamente para normatizar questões essencias da Igreja. "Quem provoca o aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae" ( CDC, 1398), "A cooperação formal para um aborto constitui uma falta grave." (§ 2272). Essas afirmações não são passíveis de interpretações pessoais, são claras em sua forma.
renan_6#64
Quando eu era niilista, ateu militante, transhumanista, cientificista, eu era abortista convicto.

Nem "virei" católico, mas bastou eu abandonar a visão revolucionária-ateísta-niilista que passei a questionar ferrenhamente o aborto.
jeov#65
Fico feliz que a maior parte das pessoas, no fim, tenha entendido a diferença entre estas duas perguntas:

Um indivíduo deve fazer isso ?

Um indivíduo deve ter o direito de fazer isso ?

Vou dormir. Abraços a todos !
renan_6#66
O valor de uma vida é algo quase inefável.

E perde tanto valor quando esta vida se transforma em destruição de outras vidas...

Por exemplo, vocês abortariam Hitler?
renan_6#67
Exatamente, parceiro.

Tudo envolve moral, responsabilidade, punição e conflitos. A coisa é bem mais ampla do que geralmente parece.
renan_6#68
Adoro dilemas. Hehehe

O interessante é que, tomando como premissa o inatismo, pode ser feita uma analogia entre:

a) ABORTO - o momento em que um ser é tratado como ser

b) ASSASSINATO DE UM GENOCIDA - o momento em que ele pode ser considerado uma mente consciente de seus atos cruéis (consciente no sentido de arbitrar tais atos, e não de julgá-los).
renan_6#69
Tentei ilustrar a incapacidade (e mesmo a DIFICULDADE objetiva disso) de algumas pessoas, não todas, em definir o momento em que se pode julgar uma vida.

"Matar" um ser que ainda não tem nem consciência de que é um ser - ABORTO

Matar um ser que ainda não tem consciência do mal que irá perpetrar no mundo - MATAR OU NÃO HITLER QUANDO PEQUENO
getlio#70
Aborto é pecado e crime, mas o estupro cria um sofrimento de um nível tão grande que levaria a maior parte dos brasileiros à loucura de cometê-lo, nesse caso o que abortou não pode ser criminalizado.

O filho da puta que cometeu estupro é um monstro e sua vida lhe deveria ser tirada de maneira cruel!
Os estupradores da igreja são muito piores monstros que pessoas levadas a cometer esse crime(aborto) e ainda assim a igreja perdoa o crime do estupro, era a morte, a morte do padre que resolveria instantaneamente esse problema na igreja!
pedro_17#71
1. A Igreja não perdoa crimes, mas sim o estado
2. Cristo, através da confissão, perdoa pecados
3. Qualquer pessoa arrependida pode se confessar (padre pedófilos, estupradores "leigos")
4. Quantos casos você conhece de padres que não foram sancionados pela Igreja?
5. Você não me parece muito comprometido com o que a Igreja ensina e afirma.
getlio#72
Conheço tanta gente estuprada, até por padres que eu fico emotivo!
A maior parte dos meus amigos e conhecidos gays foi estuprada na infância, todas essas histórias me deixam sensível sobre esse crime.
pedro_17#73
Só não vale chorar
getlio#74
Rafael acha bonito padre estuprar? Que o padre deve continuar na instituição igreja?
Acho que no mínimo seu Ortodoxo você deveria respeitar homossexuais estuprados por padres em vez de falar ui!

Mas é aquela coisa a igreja escolhe ou expulsa os estupradores, ou expulsa o povo, e ela já tomou a escolha dela!
erickson#75
Pedro, e a maioria dos que são totalmente contra o aborto -- dentre os quais, estou eu --, comete um pequeno erro quando usa o cânon 1398, muito famoso, aliás, que diz:

"Quem provoca o aborto, seguindo-se o efeito, incorre em excomunhão latae sententiae"

Por ora, vamos analisá-lo. Incorre em excomunhão latae sententiae aquele que provoca o aborto seguindo-se o efeito. O que isso quer dizer? Que está excomungado aquele que, de qualquer forma, provoca o aborto e o aborto aconteça de fato

Exemplos:

(Supondo que seja conhecido a todos o pecado de aborto e as penas eclesiásticas)

Caso 1:

A engravida e pensa em abortar. A tenta tomar um chá abortivo mas não consegue.

solução: A cometeu um pecado mortal, gravíssimo, mas não está excomungado.

Caso 2:

A engravida. A submete-se a um procedimento cirúrgico executado por B. A aborta a criança.

solução: A e B cometem pecado mortal. A e B estão excomungados latae sententiae.

==========

Essas são as soluções que acho mais acertadas.

Algumas citações que podem ajudar:

Santo Ofício, 2 de março de 1679.

Erros condenados:
(...)

34. "É lícito procurar o aborto antes da animação do feto, por temor de que a mulher, supreendida grávida, seja morta ou difamada"

Santo Ofício, 14 de agosto de 1889:

"Nas escolas católicas não se pode ensinar com certeza que é lícita a operação cirúrgica chamada "craniotomia", tal como foi declarado em 24 de maio de 1884, e qualquer operação cirúrgica que diretamente mata o feto ou a mãe gestante"

(continua)
k_orkut#76
Apenas marcando minha presença: sou absolutamente contra o aborto sob qualquer circunstância e ponto final. Não existe nenhum argumento (repito: nenhum) que possa explicar a defesa da prática deste absurdo.

A vida NÃO nos pertence mas somente a Deus.
erickson#77
Santo Ofício, 24 de julho de 1895:

"Exposição: O médico Ticio, ao ser chamado a assistir uma mulher gravemente enferma, advertia a cada passo que não havia outra causa de enfermidade mortal, senão a gravidez mesma, ou seja, a presença do feto no útero. Assim, pois, só o restava um caminho para salvar a mãe de uma morte certa e iminente, a saber, o de procurar o aborto ou a ejeção do feto. Este caminho ia ele ordinariamente seguir, empregando, sem embargo, os meios e operações que têm de seu e imediamente não a matar o feto no seio materno, senão retirá-lo à luz, se possível, vivo, ainda que tenha de morrer proximamente, por estar todavia completamente imaturo.

Agora bem, lido o que se respondeu em 19 de agosto aos arcebispos de Cambrai, "que não pode ensinar-se com segurança" ser lícita operação cirúrgica alguma diretamente occisiva do feto, ainda quando isto fosse necessário para a salvação da mãe; Ticio está duvidoso acerca da licitude das operações cirúrgicas com as que ele mesmo não raras vezes procurava até agora o aborto, para salvar a vida das grávidas gravemente enfermas

Pergunta: Ticio suplica se pode com segurança realizar as operações explicadas dadas as repetidas circunstâncias ditas.

Resposta(confirmada pelo Sumo Pontífice em 27 de julho): Negativamente, conforme os demais decretos, a saber: de 28 de maio de 1884 e de 19 de agosto de 1889."

Santo Ofício, 5 de março de 1902:

"Pergunta: É lícito extrair às vezes do seio da mãe os fetos ectópicos todavia imaturos, se todavia não se cumpriu o sexto mês desde a concepção?

Resposta: não segundo o decreto de 4 de maio de 1989, em virtude do qual se deve prover seriamente e de modo oportuno à vida do feto e da mãe, enquanto seja possível; pelo que se refere ao tempo, segundo o mesmo decreto, o postulante deve recordar que não é lícita nenhuma antecipação do parto se não se procedeu no tempo e nos modos nos quais, segundo as circustâncias, se toma cuidado da vida do feto e da mãe"

(continua)
erickson#78
S.S. Pio XI

Encíclica Casti Connubii:

Números: 23 e 24.

Em espanhol:
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclical…ubii_sp.html

Em inglês:
http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclical…ubii_en.html

S.S. Paulo VI

Humanae Vitae, n. 14:

"Em conformidade com estes princípios fundamentais da visão humana e cristã do matrimônio, devemos uma vez mais declarar que há que excluir-se absolutamente, como via lícita para a regulação dos nascimentos, a interrupção direta do processo gerador já iniciado, e sobretudo o aborto diretamente querido e procurado, ainda que seja por razões terapêuticas"

Congregação para a Doutrina da Fé:

Quaestio de abortu procurato, 18 de novembro de 1974:
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfai…tion_po.html

S. S. João Paulo II:

Evangelium vitae, nn. 58-63:
http://www.vatican.va/edocs/POR0062/__PN.HTM

=================

Estes duas últimas tratam, inclusive, sobre as leis que aprovam o aborto.
erickson#79
O segundo candidato tem uma proposta absolutamente irreal. A lei, ainda que modificada, só retroagiria se fosse em benefício do réu.

De qualquer modo, creio que na lei brasileira como está não seja. O aborto é crime de qualquer forma, desde que seja provocado, embora não seja punido em determinados casos, a saber, estupro e risco de vida da mãe.

Há que se considerar aqui que algumas operações, eu não entendo muito bem de medicina, podem ser feitas. Quer-se como efeito -- e se vai ter, é verdade -- que a mãe fique curada, sei lá, de um câncer no útero. Então retira-se o tumor do útero, mediante processo cirúrgico.

Essa cirurgia desencadeia duas coisas:

1) A cura da paciente.
2) O abortamento.

NESTE CASO, sob esta circunstância,

(PRESTEM BEM ATENÇÃO: O ABORTO NÃO PODE SER UTILIZADO NUNCA COMO MEIO PRA OBTENÇÃO DE UM BEM, PORQUANTO É INTRÍNSECAMENTE MAU)

sob esta circustância: Faz-se o possível para manter a vida do feto, mas o aborto não sendo provocado diretamente e nem querido. Neste caso é um duplo fim: Um bom, desejado (a cura da mãe) e um ruim (o aborto). E não do aborto como meio para a cura.

Deu pra entender?
pedro_17#80
"Nada nem ninguém pode autorizar a morte de um ser humano inocente, seja feto ou embrião, criança ou adulto, idoso, enfermo incurável ou agonizante. Além disso, ninguém pode requerer tal gesto homicida para si mesmo ou para alguém confiado à sua responsabilidade, nem pode aprová-lo explícita ou implicitamente. Nenhuma autoridade pode legitimamente impô-lo ou permiti-lo". (Declaração sobre a eutanásia, Iura et Bona, 2)

Como um católico pode concordar com a legislação brasileira que permite o aborto em caso de estupro e na tal gravidez de alto-risco, se a Igreja proíbe toda e qualquer forma de infanticídio?
pedro_17#81
O código apenas afasta a punibilidade

Como já disse, para a Igreja mesmo nos casos de estupro e gravidez de alto-risco o aborto é ilícito, caindo em falta grave os que cooperam, e excomunhão quem provoca. Ou seja, há culpa.
joshenrique#82
Mas no caso de um trabalho de parto durante o qual o médico conclui que certamente ambos irão morrer se ele não optar pela sobrevivencia de apenas um,a lei diz que se deve optar pela mãe pois ela tem laços sociais e afetivos estabelecidos e a criança não.
O mesmo vale para um trabalho de parto em que o custo do nascimento é a morte da mãe,nessas situações um aborto é imperativo para a sobrevivência da mulher.
priscila#83
Eu não considero "circunstâncias psicológicas" de assassino de inocente nenhum.
Eu não sou relativista, e não jogo mal; jogo bem.

Então não tem "depende" pra mim.

Quanto às tecnicalidades de um julgamento humano, me escapam: também não sou advogada, e não conheço as arapucas e armadilhas e fugas pela tangente que a lei dos homens permite.

Eu só disse o que eu penso do ponto de vista moral; se isso poderá tecnicamente ser humanamente punido ou se a punição terá trocentas rotas de escape pelo caminho, eu sei lá.
Não faz diferença, na minha opinião.
Faz, sim, para o assassino, que será julgado num Tribunal Maior, que é o que importa, em última análise.
priscila#84
Até aonde eu sei, em caso de ser obrigatório escolher entre a vida da mãe e a do feto, a Igreja Católica escolhe da vida da mãe.
Com o que eu concordo.
priscila#85
Católicos, apresentem-se, e me corrijam se eu estiver errada.
pedro_17#86
14. A lei divina e a razão natural excluem, portanto, todo o direito a matar directamente um homem inocente. No entanto, se as razões apresentadas para justificar um aborto fossem sempre manifestamente infundadas e destituídas de valor o problema não seria assim tão dramático.

A sua gravidade provém de que em alguns casos, talvez bastante numerosos, ao recusar o aborto se inflige dano pelo que respeita a bens importantes, que é normal terem-se muito a peito e que podem mesmo parecer, algumas vezes, prioritários. Não ignoramos estas grandes dificuldades: pode tratar-se de um grave problema de saúde, ou por vezes mesmo de vida ou de morte, para a mãe; pode ser o encargo que representa mais um filho, sobretudo quando existem boas razões para temer que ele virá a ser anormal ou gravemente defeituoso; pode ser, ainda, o peso de que se revestem, em diversos meios, as considerações de honra e de desonra, de baixar de nível social, etc. Mas deve-se afirmar de modo absoluto que jamais alguma destas razões poderá vir a conferir objectivamente o direito de dispor da vida de outrem, mesmo que esta esteja a começar; e, pelo que diz respeito à infelicidade futura da criança, ninguém, nem mesmo o pai ou a mãe, se podem substituir a ela, embora se encontre ainda no estado de embrião, para escolher, em seu nome, a morte de preferência à vida. Ela própria, na sua idade amadurecida, jamais virá a ter o direito de optar pelo suicídio; e enquanto não está ainda na idade de decidir por si própria menos ainda os seus próprios pais podem escolher para ela a morte. A vida é um bem demasiado fundamental, para poder ser posto assim em confronto com inconvenientes mesmo muito graves [21] . (Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé DECLARAÇÃO
SOBRE O ABORTO PROVOCADO)
pedro_17#87
É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um carácter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente. (João Paulo II Evangelium vitae)
joshenrique#88
Quem decide em uma situação dessas é o médico e não a mãe.
Além disso quem garante que a mulher em questão é católica?
Não quero discutir o direito canônico e sim se um aborto é aceitável em situações como as descritas no meu ultimo post.
Como no Brasil há separação entre Igreja e Estado não se pode criminalizar e/ou punir determinadas condutas pelo fato de o direito canônico considera-las faltas graves,mesmo juristas católicos são obrigados a levar isso em consideração.
priscila#89
Eu REPITO que em caso de necessidade absoluta de escolha, ou seja, em casos de impossibilidade de serem salvas ambas as vidas, e sim apenas uma, não havendo a possibilidade de serem salvas as duas, a Igreja Católica manda que seja salva a vida da mãe.
priscila#90
A Igreja Católica não é indiferente ao problema, e não diz que "seja o que Deus quiser".
Manda que seja salva a vida da mãe, nesse específico caso de impossibilidade de serem ambas as vidas salvas.
priscila#91
Juristas católicos não estarão, portanto, em nenhuma contradição moral, neste caso.
Nenhumíssima!

Ao contrário, estarão perfeitamente de acordo com o que manda a Santa Igreja Católica Apostólica Romana.
joshenrique#92
Nesse caso não,mas juristas católicos atuando em um estado laico sempre devem considerar o que eu postei acima.
Quer dizer,se a Igreja entender determinada conduta como uma falta grave eles ainda terão que considerar se o Estado sendo laico tem o direito de criminaliza-las e nem sempre é possivel harmonizar as duas coisas.
erickson#93
O aborto, sendo intrinsecamente mau não pode ser utilizado como meio lícito para qualquer fim. Se, para viver, a mulher tem de abortar a Igreja é contra.
priscila#94
Eu repito pela terceira vez, bastante claramente, que em casos em que seja indispensável escolher entre a vida da mãe e a vida do feto a Igreja Católica manda que seja escolhida a vida DA MÃE.
priscila#95
Por favor, pesquisem.
Porque é como eu digo.
erickson#96
O que se pode ver, claramente, da resposta dada pelo Santo Ofício, cujo original postei logo acima.

"Agora bem, lido o que se respondeu em 19 de agosto aos arcebispos de Cambrai, "que não pode ensinar-se com segurança" ser lícita operação cirúrgica alguma diretamente occisiva do feto, ainda quando isto fosse necessário para a salvação da mãe; Ticio está duvidoso acerca da licitude das operações cirúrgicas com as que ele mesmo não raras vezes procurava até agora o aborto, para salvar a vida das grávidas gravemente enfermas

Pergunta: Ticio suplica se pode com segurança realizar as operações explicadas dadas as repetidas circunstâncias ditas.

Resposta(confirmada pelo Sumo Pontífice em 27 de julho): Negativamente, conforme os demais decretos, a saber: de 28 de maio de 1884 e de 19 de agosto de 1889."
"

Ticio queria saber se a proibição das cirurgias se mantinha mesmo se o abortamento fosse necessário para a salvação da mãe. Pergunta à Santa Sé é lícito realizar as operações repetindo-se as cirscuntâncias(sendo necessário para a salvação da mãe). A Santa Sé responde que não. Não é lícito.

O que é o racional. Se o aborto é intrinsecamente mau, não pode ser usado como meio pra nada.

Quer ver outro exemplo em que se aplica isso?

A masturbação é intrinsecamente má. Portanto, não é lícito praticá-la nem para fazer um espermograma, por exemplo. Sendo recomendado ao católico, neste caso, submeter-se a punção.

Todavia, o aborto desperta a atenção por ser passível o abortista de excomunhão...
erickson#97
Minha cara, eu li todos os documentos da Santa Sé indicados pelo Denzinger sobre o assunto e não pude observar tal conclusão. Podes me dizer aonde viste tal coisa?
priscila#98
É da máxima lógica: há casos em que a não escolha representa a morte DE AMBOS: mãe e filho!

É evidente que a Igreja não poderia dar um passo para o lado, e se afastar no sentido da indiferença, se recusando a dar sua palavra! Seria HORRENDO!

A Igreja Católica considera prioritária, nesses casos, a VIDA DA MÃE!

Isso não tem nada a ver com "aborto eugênico", raios! Eu, hein!
lushenrique_2#99
Deus venceu nosso debate.
priscila#100
Eu vou pesquisar pra você, meu amigo: mas tenho certeza de que estou absolutamente certa.
Seria absurdo que a Igreja fizesse o que acabo de descrever, virando a cara para o outro lado e deixando dois inocentes morrerem.
Seria mesmo.
Ela não faz isso.
E eu não preciso ser católica pra defender o que eu sei que é feito direito.

Mas eu vou procurar uma palavra de autoridade dentro da Igreja Católica pra trazer pra você aqui.
Pode deixar que eu vou.

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