Olha, acho que o pessoal aqui gosta de ver TL onde não existe...O problema é que o neo-"conservadorismo" brasileiro está infestado do individualismo liberal, que vê em qualquer ação assistencial traços de "ideologia coletivista". A função social da propriedade, por exemplo, é outro item que esse pessoal tem uma imensa dificuldade de engolir. Mas é, da mesma forma, DOUTRINA DA IGREJA.
A Igreja sempre se opôs ao Liberalismo como ideologia e filosofia política. Não se escandalizem: a tradição da Igreja é unânime em ver o Socialismo como uma tentativa de dar uma solução às mazelas criadas pelos abusos do Capitalismo liberal. Só acontece que é um caso em que a solução proposta é pior (e muito!) do que o problema....
Exato!
Há uma confusão, muitas vezes intencional, entre o individualismo e o liberalismo com a tradição católica-romana. Daí porque alguns tentam forçar a Igreja a adotar certas posições que não tem sentido a partir da doutrina da mesma. Esquecem que, se condena o socialismo, nem por isso a Igreja Romana adere ao liberalismo individualista.
Aliás, esse tipo de falácia da bifurcação (ou o Leonardo Boff ou o liberalismo revolucionário) atende a alguns interesses óbvios. Interesses que de verdadeiramente conservadores não têm nada.
Também, ninguém dá a mínikma para o que o papa fala.
A CNBB e RCC ambas são aprovadas pelo papa.
O Concílio Vaticano II é um Concílio Canônico, e aprovado pelo papa.
E falando assim, até parace que vocês estão negando a INFALIBILIDADE PAPAL.
O problema é o poder que ela arregimentou dentro da Igreja Católica na 'América Latrina'.
E no que isto responde a minha pergunta? No que isto impossibilita a formação de um movimento conservador fundado nos princípios e herança católico-romanos?
Poxa, e Teologia da Libertação se resume a Leonardo Boff pra vc?? Não é de se espantar que vc ache que a TL no Brasil já morreu...Leonardo Boff já era. Foi apenas um parafuso no processo.
Leonardo Boff no meu post é usado apenas como tipo de um desvio.
Mas eu faço a pergunta também a você, Jenna: no que a existência da TL na América Latina* impede a formação de um movimento conservador fundado nos princípios e herança católico-romana?
*A influência da TL já foi muito maior. E nao, o clero brasileiro não chega nem perto de ser todo ele marxista, embora eu não negue influências modernistas nos seminários brasileiros. E não se deve confundir também "Igreja pós-conciliar" com marxismo. E digo mais, a posição da Igreja pré-conciliar em relação ao liberalismo, à maçonaria etc. era radicalmente distinta do filo-americanismo de boa parte dos "conservadores" brasileiros atuais.
Nossa América Latina tem glórias em sua história, Nadir.
Nossas mazelas começaram a se acentuar justamente com a intromissão liberal/maçônica/iluminista nestas terras.
Se você explorar a história dos nossos "irmãos do norte", encontrará inúmeros "podres". Intolerância racial, extermínio das populações nativas (numa intensidade que não encontra paralelos na América hispano-lusitana), expansionismo imperialista com apropriação ilegítima de vastos territórios, degradação de costumes, ampla difusão do divórcio, do aborto, irradiação da cultura das drogas, do gayzismo e feminismo "for export" etc. etc. etc. etc.
Muitos dos nossos problemas têm origem direta nas terras de lá, que desde o início foram uma república laicista e iluminista, com um projeto revolucionário de construção de uma "nova civilização".
É esse o modelo que queremos para nós?
Porque, afinal de contas, eles são mais prósperos?
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E fico pasmo com o rumo que o raciocínio de alguns parece seguir:
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"a TL teve e tem uma influência significativa em parte do clero brasileiro;" [tá, alguns dizem que é em todo o clero, mas eu considero essa afirmação evidentemente falsa; deixemos, no entanto, assim] "logo, devemos apoiar movimentos conservadores fundados sobre princípios maçônicos (condenados pela Igreja Romana), liberais (condenados pela Igreja Romana), laicistas (condenados pela Igreja Romana) e que são revolucionários em relação as raízes de nosso povo."
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Sabe qual é o verdadeiro impedimento para que um movimento conservador fundado no catolicismo-romano venha a ser? É justamente a indecisão de grande parte da boa gente católico-romana de nosso país, que poderia começar a aderir a esse movimento mas, em vez disso, continua lutando por princípios contrários à sua fé e apostando em cousas como o "conservadorismo anglo-saxão".
Lembrando: o Rito Tradicional (Tridentino, datado do séc. XVI - lá também tivemos, pasmem!, reforma litúrgica) JAMAIS se tornou ilícito, o Vaticano II não o revogou, e sempre pôde ser celebrado - em latim ou em vernáculo. Aliás, a Liturgia da Missa de Paulo VI também é, originalmente, em latim - embora, aqui como lá, o vernáculo é permitido.
O Papa tampouco revogou a Missa Nova.
O problema está (e sempre esteve), nos ABUSOS da Liturgia (seja num rito, seja noutro).
No mais: Roma locuta, causa finita.
A Santa Sé sempre condenou o Modernismo (que NÃO é o mesmo que a "Igreja pós-conciliar", e que NÃO envolve a Missa Nova).
Cabe aos cristãos obedecer.
Se há resistência, pior para os resistentes. Importa que façamos nós a nossa parte.
Nota: há muitos bispos no Brasil fiéis a Roma. Os adeptos da TL são uma minoria. Se são uma minoria barulhenta, a questão é outra.
Onde o Motu Proprio Ecclesia Dei fala sobre "indulto" do rito de Pio V?
Que eu saiba, tal documento trata da desobediência expressa do Mons. Lefebvre que, realizando uma ordenação ilícita e insistindo no gesto cismático, dificultou o pleno reconhecimento por parte da Santa Sé da Sociedade Pio X.
O Moto Proprio Summorum Pontificum, de Bento XVI, trata somente da liberalização e estimulação do rito tridentino em situações (de fato) excepcionais, de vez que o rito comum é o rito de Paulo VI.
O documento veio justamente para desfazer o mal-entendido de que o rito de Pio V teria sido vetado, o que de fato não foi, e para ressaltar o seu valor à luz da Tradição da Igreja. Basta se dar o trabalho de o ler.
Agora, se você prefere acreditar nessas histórias de infiltração maçônica na Igreja e de sede vacante, seu é o problema de conciliar isso com a doutrina da infalibilidade da Igreja e da contínua e incessante assistência prometida por Cristo à sua Igreja.
O pessoal dá uma de "rad-trad", alardeando que a Igreja teria jogado fora a sua Tradição e se lançado aos brasos da heresia (como se não fosse, aliás, esta mesma uma doutrina herética), e ainda propõe como solução... ABRAÇAR O LIBERALISMO ILUMINISTA NORTE-AMERICANO!
"A tradição de qual Igreja? A Igreja Pós-Conciliar ou a Igreja Católica de sempre? Porque se vc está falando da Igreja Pós Vaticano II eu concordo!! Essa foi a nova tradição lançada depois do Vaticano II."
não pode realmente saber do que tá falando.
Os documentos a que eu me referi foram ambos "pré-conciliares".
Não faltam documentos da Igreja em que se condena expressamente o Liberalismo.
Eis um pequeno trecho da Encíclica Dinivi Redemptoris (Pio XI, 1937):
"O liberalismo preparou o caminho ao comunismo
16. Mas, para mais facilmente se compreender como é que puderam conseguir que tantos operários tenham abraçado, sem o menor exame, os seus sofismas, será conveniente recordar que os mesmos operários, em virtude dos princípios do liberalismo econômico, tinham sido lamentavelmente reduzidos ao abandono da religião e da moral cristã. Muitas vezes o trabalho por turnos impediu até que eles observassem os mais graves deveres religiosos dos dias festivos; não houve o cuidado de construir igrejas nas proximidades das fábricas, nem de facilitar a missão do sacerdote; antes pelo contrário, em vez de se lhes pôr embargo, cada dia mais e mais se foram favorecendo as manobras do chamado laicismo. Aí estão, agora, os frutos amargosíssimos dos erros que os Nossos Predecessores e Nós mesmo mais de uma vez temos preanunciado. E assim, por que nos havemos de admirar, ao vermos que tantos povos, largamente descristianizados, vão sendo já pavorosamente inundados e quase submergidos pela vaga comunista? "
Isso é "pegar leve" com o Comunismo? Leia o resto da Encíclica!
O problema é que o Liberalismo mesmo pavimentou a estrada que levou ao Comunismo.
Engraçado como, de certo ponto para cá, essa discussão se resume a acusar todos os que alertam para um estado de fato (a desconstrução gramscista da Igreja latino-americana) como imediatos adversários do objeto sobre o qual se inclinam.
Faço coro aos relatos de Nadir e Tiago (aliás, bom saber que há um conterrâneo caxiense entre vós). Não se tratam de "elementos isolados", a situação do clero gaúcho - em cujos seminários nasceu, por exemplo, o incesto com o MST - é calamitosa. Assistam a qualquer liturgia, em qualquer período, em nove de dez igrejas deste rincão. A chance de se depararem com um simulacro de convenção petista é magnífica. Como não entrar em parafuso?
Agora, se alguém puder me esclarecer em qual ponto minha visão e minha audição, aplicadas à Santa Missa, passam a renegar a fé cristã e a criar inimizade para com os tais "conservadores ibéricos", em muito agradeço.
Na verdade, estou no aguardo de um arrolamento da agenda política do dito conservadorismo tão interessado em catequizar o maldoso capitalismo ianque. Trata-se de restaurar, sabe-se lá, a vassalagem e a produção feudal? O mercantilismo do Marquês de Pombal?
Caros, compreendam, a maioria dos membros desta comunidade que criticam elementos como a "função social da propriedade" não tratam da dissertação tomista, donde provém a doutrina social. Em verdade, está-se a defendê-la contra a depravação marxista, contra a eficientíssima desconstrução do vernáculo apregoada no gramscismo e levada a cabo com esmero pela academia brasileira. O apego aos rótulos, cego para a dilapidação do conteúdo, pode levar alguns amigos a tomar as dores do gato em nome da lebre.
O pessoal dá uma de "rad-trad", alardeando que a Igreja teria jogado fora a sua Tradição e se lançado aos brasos da heresia (como se não fosse, aliás, esta mesma uma doutrina herética), e ainda propõe como solução... ABRAÇAR O LIBERALISMO ILUMINISTA NORTE-AMERICANO!
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Mas qual a coerência em defender os princípios da "Igreja pré-conciliar", minha cara, e ao mesmo tempo agir politicamente em prol de um modelo liberal, iluminista, laico etc.?
Apenas não se fala, absolutamente, em indulto, de vez que a calebração nunca esteve banida. Não constituir mais rito ordinário não é o mesmo que estar vetado. O próprio rito tridentino, aliás, já foi uma "inovação" litúrgica.
Você diz não se importar na discussão com a coerência de doutrina, mas cobra justamente coerência de doutrina dos "pós-conciliares". Parece que você simplesmente admite que a doutrina católica é incorrigivelmente incoerente, mas devemos optar pela incoerência "menos danosa".
A Igreja "pós-conciliar" NÃO é liberal e NÃO é modernista. Pode vasculhar todas as proclamações do Vaticano II e todos os documentos pontificais de Paulo VI (ou João XXIII) até aqui, e não encontrará a mínima mistura de heterodoxia. Se há uma crise na Igreja, certamente não é por motivos doutrinais.
A interpretação "revolucionária" do Vaticano II, curiosamente compartilhada por hereges modernistas e cismáticos "tradicionalistas" (hereges de fato, também), não encontra a menor corroboração por parte do magistério da Igreja, que faz questão, aliás, de ressaltar a continuidade ininterrupta da Sagrada Tradição.
De fato, a divisão do rebanho de Cristo é sempre um episódio lamentável. Mas é tema recorrente na história da Igreja a formação de cismas que se seguem aos concílios ecumênicos (em nome, pretensamente, da "integridade doutrinal perdida"). Cabe lembrar que o Vaticano II nem sequer foi um concílio doutrinário, mas pastoral, e justamente não tocou em uma só vírgula da doutrina da Igreja.
Quanto à inquietação de Leonardo, ela é inteiramente legítima.
Você pode e deve indignar-se com o abuso que se faz da liturgia e da doutrina da Igreja (como na distorção acerca da função social da propriedade). Você tem razão em indignar-se do fato de haver sacerdotes defendendo o comunismo. É um escândalo, é um pecado monstruoso.
O problema é colocar a questão, como bem observou André Luiz, em termos da dicotomia "comunismo x liberalismo", sabendo que ambos representam proposições explicitamente condenadas pelo magistério da Igreja.
A ortodoxia se catacteriza justamente por constituir um justo equilíbrio entre extremos perniciosos. Tal se dá com a doutrina social da Igreja face ao coletivismo comunista e ao individualismo liberal. É claro que o primeiro é um erro muito mais grave e contrário à fé do que o segundo. A Igreja defende o direito de propriedade, por exemplo, e não é contrária à iniciativa particular (antes a encoraja) nem à liberdade de mercado, desde que esta - como qualquer outra atividade humana - seja orientada em conformidade com os princípios da ética e da moral.
Acontece que desobediência pastoral tampouco é lícita.
Onde as concordatas da Igreja "deixaram espaço" para o Estado laico, de há muito havia a situação de laicidade. O Vaticano (enquanto Estado, cumpre lembrar - situação consolidada após o acordo de Latrão) fez valer somente os direitos legais da Igreja no interior dos territórios.
Só falta Jenna dizer que os Estados Unidos são uma nação mais cristã que o Vaticano.
Bom, vou sair aqui. Mais tarde eu possivelmente volto pra dar uma olhadinha no tópico.
E continua, minha cara, a incoerência marcante do seu discurso. Vocifera contra o que identifica como o modernismo na Igreja ao mesmo tempo que propõe como solução uma aliança com algo ainda mais modernista.
Foi perguntado o que impediria que se fundasse um movimento verdadeiramente conservador, comprometido com os princípios e a herança católica de nosso país. E você quer transformar o tema em uma disputa em torno do Concílio Vaticano II enquanto repete que "ele é pastoral, ele é pastoral".
E assim se cai na bifurcação inválida: ou o comunismo ou o liberalismo iluminista e laicista. E isso vindo de uma católico-romana que se diz tão tradicionalista, mas não consegue pensar em conservadorismo que não seja o de Locke e Jefferson.
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Apenas estou mostrando que vc está querendo combater um inimigo que há muito tempo se infiltrou naquilo que vc tanto defende.
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Ora, mas se você considera que o inimigo se infiltrou na Igreja Romana e dá como demonstração disso a TL, o que dizer de um país fundado sobre o progressismo iluminista e guardião dos valores liberais ao redor do globo. Quem fundou a ONU? Onde fica o prédio dessa augusta instituição? No Vaticano?
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Digamos que a realidade da igreja brasileira é marcada pela influência da TL.
Ora, pois que influências determinam a realidade norte-americana? A do CFR? A da Skull and Bones de Yale? A do Partido Democrata?
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E contra estas influências, qual o melhor antídoto? O iluminismo e liberalismo da "tradição" norte-americana, ou os Princípios católico-romanos?
Gostaria de frisar mais uma vez o ponto que considero central:
Apostar no modelo norte-americano (na verdade iluminista e, portanto, progressista em relação às nossas raízes) em um país de herança católica-romana e ibérica não tem nada de conservador.
Quando essa aposta parte de católico-romanos, a cousa fica ainda mais esdrúxula. Pior ainda quando feita em nome do apego à tradição.
Em primeiro lugar: quem aqui está tentando afirmar que a infiltração do comunismo nos quadros da Igreja não é uma coisa ruim, gravíssima, uma perversão inadmissível etc.? É evidente que o comunismo (em si) é muito mais pernicioso à fé cristã do que o próprio liberalismo. Ninguém está pondo isso em dúvida!
Só que algumas coisas precisam ser esclarecidas:
1. É bem diferente uma infiltração comunista dos quadros da Igreja de uma interferência comunista no magistério da Igreja.
2. Uma coisa é o Liberalismo político, social e mesmo econômico (entendido como princípio fundamental da Economia - como se dá com a "mão invisível" de Adam Smith). Tudo bem que se pode fazer distinções internas, mas os três se baseiam sobre os mesmos princípios (ainda que aplicados em âmbitos distintos).
OUTRA coisa é a defesa do laissez-faire na Economia, não como princípio, mas como conseqüência de uma ordenação personalista da produção e do comércio, fundada sobre valores éticos e morais antes que sobre a própria liberdade de mercado. NESTE ponto, não apenas você não encontrará oposição da parte da Igreja, mas encontrará contribuições significativas de grandes homens da Igreja e até mesmo um encorajamento explícito em documentos da Santa Sé (mais acentuadamente a partir de João XXIII).
Você está simplesmente equivocada sobre Adam Smith e Locke. Suas teorias sobre a origem dos sentimentos morais e o fundamento do poder político, baseadas numa perspectiva contratualista e decididamente influenciadas pelo iluminismo, são frontalmente contrárias ao ensinamento da Igreja. Seu juízo de que "nada tem de condenável" é, no máximo, pessoal.
Aruan,
Vamos por pontos:
1. Deixando de lado a discutibilíssima porcentagem apresentada, posso perfeitamente ceder o seguinte: a liturgia do rito ordinário da Santa Missa foi significativamente alterada (daí o próprio título de "reforma litúrgica"). Mas há algo na doutrina da Igreja que expressamente o proíba? Eu sei, pelo contrário, de instruções que proíbem a crítica às normas litúrgicas efetivamente adotadas. Mais ainda, eu lhe pergunto: quem declara ou poderia em alguma circunstância declarar que uma forma de celebração é válida ou cessa de ser?
2. O fim da excomunhão automática aos maçons não foi decidida no Vaticano II, mas somente na década seguinte, e foi uma alteração do direito canônico, e não uma mudança doutrinal. Chegou-se à conclusão de que a participação em tal associação, embora não determine imediata exclusão da Igreja, constitui pecado grave, e impede a aproximação dos sacramentos.
3. A Igreja "pós-conciliar" jamais aprovou o "direito à tolerância" como "tolerância deliberada ao erro". Somente como princípio de direito civil, e como salvaguarda da liberdade de consciência que é condição necessária para a própria conversão (em conformidade, aliás, com a Tradição anterior), enfatizou não somente a convivência pacífica entre os credos, mas até mesmo o seu diálogo. No caso de Estados laicos, ressaltou a proteção que deve ser dada à liberdade religiosa, de modo a defender os interesses da própria Igreja. Aqui, sim, o que se dá é o caso de tomar o espírito pela letra. Tentei tratar desse caso aqui: [url]/Main#CommMsgs.aspx?cmm=42033749&tid=5260250823628936909&kw=grande+autor[/url]
4. Quanto à "dupla cabeça", eu juro que não entendi...
Dizer que o Papa caiu na heresia já é, por si, cair na heresia.
Mais:
Por que, se me não parece aceitável por alguma razão a doutrina da Igreja (digamos, em um determinado período), eu deveria voltar meus ouvidos não para o Magistério da Igreja mas para seus críticos?
Desculpe, mas isso me parece uma atitude, no mínimo, temerosa.
A unidade da catolicidade sempre dependeu da firme autoridade assentada sobre o trono de Pedro e emanada dos ensinamentos do Magistério.
Só que tem gente propugnando uma nova espécie de livre exame, baseado agora não mais na Sola Scriptura, mas na "Sola" tradição pré-Vaticano II.
De qualquer modo, a divisão entre "Igreja pré-conciliar" e "pós-conciliar" é inteiramente marginal ao assunto em pauta.
Certamente, como observou André Luiz, a "Igreja pré-conciliar" não era mais simpática ao Liberalismo (de qualquer vertente) do que a "Igreja pós-conciliar".
Não ajuda em nada dizer que o Vaticano II esculhambou com a Igreja Católica. O fato permanece que são incompatíveis os princípios do Catolicismo com os princípios liberais/iluministas sobre os quais se fundam os Estados Unidos da América.
Comece pela paróquia do seu bairro. Se vc conseguir alguma coisa, depois volte aqui e me fale em conservadorismo católico.
Pura retórica pra paralisar os católico-romanos enquanto se defende como única saída o modelo iluminista e anglo-saxão.
Talvez os Estados Unidos devessem parar de sustentar a ONU, acabarem com o laicismo, rasgarem a sua constituição iluminista e elegerem um presidente melhor do que o Obama antes de posarem de salvaguarda do conservadorismo...
Estamos discutindo um fenômeno político-religioso...
Justamente, e você ainda não explicou o que impede um movimento conservador calcado no catolicismo-romano. A discussão em torno do Vaticano II é que não é.
O Concílio pode ter sido pastoral, é verdade que não proclamou nenhum dogma, mas foi um verdadeiro Concílio Ecumênico da Igreja, e enquanto tal, goza de autoridade sobre todos os cristãos e da assistência do Espírito Santo (embora proclamações pastorais não sejam infalíveis, isso não significa que o católico está livre para desobedecê-las).
Depois, os papas pós-conciliares continuaram a conduzir a Cristandade católica, a emitir documentos etc. que requerem o assentimento imediato dos fiéis.
Mas o ponto realmente importante é o seguinte:
Nenhuma pessoa particular ou grupo de pessoas possui a competência de julgar eventuais "desvios doutrinais". Tal incumbência é prerrogativa exclusiva do Magistério da Igreja. Quando você consulta uma fonte que não está em plena comunhão com Roma, e especialmente quando afronta diretamente alguma proclamação magisterial, não há e não pode haver qualquer peso nas opiniões expressas.
O Magistério da Igreja tem muito a dizer sobre o Vaticano II, a reforma litúrgica etc. Por que não consultá-lo, ao invés de recorrer a um cismático?
Lembrando o seguinte: reforma litúrgica não implica em anarquia litúrgica!
Muita gente tem cometido grandes abusos na liturgia sim, mas à revelia da Santa Sé.
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Pura retória pra justificar o seu anti-americanismo!
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Pelo contrário, eu estou debatendo um "fenômeno político-religioso" (sic): o iluminismo liberal é revolucionário em relação às nossas raízes, e estas estão associadas aos princípios católico-romanos.
"Não estou discutindo aqui o que eu acho mais importante pra mim. Da minha alma dou contas eu a Deus e não você.
Estamos discutindo um fenômeno político-religioso. Se vc não conseguir defender seus argumentos dentro desse terreno, não parta para a arena pessoal porque senão eu encerro o debate."
Você que veio dizer isso, ora bolas...
Claro que você pode sustentar uma discussão "desde fora" da própria fé.
Mas enquanto a sua sustentação do liberalismo pode ser coerente com o seu "conservadorismo de direita", definitivamente não o é com o Catolicismo. Isso é fato.
Quando André Luiz falou que "é uma posição estranha para uma tradicionalista", o que ele quis dizer foi que "não é compatível com o tradicionalismo", ao passo em que toda a sua argumentação tendia a mostrar que é. Você que escapou com um "eu não sou tradicionalista, mas conservadora de direita", o que não é em absoluto uma solução para a dificuldade. Mas que só se justifica, "retoricamente", se você acha que tem algum peso para a discussão.
Da salvação da sua alma eu passei longe. Não desespero nem da salvação de um satanista.
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"O problema é que o neo-"conservadorismo" brasileiro está infestado do individualismo liberal, que vê em qualquer ação assistencial traços de "ideologia coletivista". A função social da propriedade, por exemplo, é outro item que esse pessoal tem uma imensa dificuldade de engolir. Mas é, da mesma forma, DOUTRINA DA IGREJA."[2]
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Qualquer cousa que fale em "social" ou em pobres, os animais já pensam que é COMUNISMO.
Qualquer crítica ao consumismo, aos ricos, aos banqueiros, os animais já pensam que é COMUNISMO.
Mentalidade de mercador protestante e usurário judeu muito bem retratada pelo [judeu convertido ao catolicismo] Martin Scorcese.
vocês sonham em ver o povo brasileiro individualista e pragmático. Quiça fleugmático.
No dia em que os fígados do homem ibérico se encolherem e o sangue ficar frio isso talvez será possível.
A Aruan:
Sobre a "consagração inválida", repito: quem a determina? Quem dá os critérios? Qual a sua justificativa para declará-la como tal?
Novamente, sobre as "reuniões que aconteceram antes e durante a preparação do CVII" e que "deliberariam o fim da excomunhão automática", qual a sua fonte? Algum documento assinado e reconhecido pelo Magistério da Igreja? Se não é, com base em que autoridade eu deveria aceitá-lo, principalmente sob o reconhecimento de que se estariam então levantando suspeitas CONTRA o Magistério e CONTRA um Concílio Ecumênico da Santa Igreja?
Mais. Sobre a alegação de a DH contradizer a doutrina da Igreja sobre a liberdade religiosa, recomendo: http://www.veritatis.com.br/article/4962 (sei que você não deve gostar do Veritatis, mas não custa ler). Sobre o referido trecho da DH, ou bem se entende que ele toma por implícita a Ressurreição e a Ascenção como partes integrantes da Revelação, ou bem está em contradição com o seguinte trecho da Constituição Dei Verbum, do mesmo Concílio:
"Por isso, Ele, vê-lo a Ele é ver o Pai (cfr. Jo. 14,9), com toda a sua presença e manifestação da sua pessoa, com palavras e obras, sinais e milagres, e sobretudo com a sua morte e gloriosa ressurreição, enfim, com o envio do Espírito de verdade, completa totalmente e confirma com o testemunho divino a revelação, a saber, que Deus está connosco para nos libertar das trevas do pecado e da morte e para nos ressuscitar para a vida eterna."
Sobre o Colégio Apostólico, palavras da Lumen Gentium (outra vez, do mesmo CVII):
"Porém, o colégio ou corpo episcopal não tem autoridade a não ser em união com o Romano Pontífice, sucessor de Pedro, entendido com sua cabeça, permanecendo inteiro o poder do seu primado sobre todos, quer pastores quer fiéis. Pois o Romano Pontífice, em virtude do seu cargo de vigário de Cristo e pastor de toda a Igreja, tem nela pleno, supremo e universal poder que pode sempre exercer livremente. A Ordem dos Bispos, que sucede ao colégio dos Apóstolos no magistério e no governo pastoral, e, mais ainda, na qual o corpo apostólico se continua perpetuamente, é também juntamente com o Romano Pontífice, sua cabeça, e nunca sem a cabeça, sujeito do supremo e pleno poder sobre toda a Igreja (63), poder este que não se pode exercer senão com o consentimento do Romano Pontífice".
Por que, ao invés de criticar livremente o Magistério da Igreja porque nos parece e/ou querem fazer-nos crer que está em contrariedade com toda a Tradição da Igreja o que se tem feito a partir do Vaticano II, não se dá simplesmente ouvidos ao mesmo Magistério e presta-se obediência ao Romano Pontífice, como sempre foi feito na Igreja universal ao longo das eras?
Por que eu deveria confiar menos naquele que ocupa a Cátedra de S. Pedro, nos ensinamentos de um Concílio Ecumênico e no exercício do Magistério eclesial do que em críticos que não estão em comunhão com a Santa Sé?
Cabe lembrar que este não é o primeiro Concílio após o qual se vêem abusos heréticos baseados em interpretações ambíguas e cismas supostamente motivados pela "fidelidade à tradição".
Os abusos cometidos pelos modernistas não justificam a desobediência à Sé Apostólica.
"Gente, gente..
Muita retórica e pouca praticidade. A Igreja no Brasil está SIM nas mãos da esquerdalha!
E precisamos fazer algo a respeito!!
Tem conservador aqui dando suporte a estes malditos infiltrados.
Pelo amor de Deus!
Precisamos escorraçar esta gangue lá de dentro.
O resto é perfumaria. Não leva a nada!"
Amigo, ninguém está dando suporte à infiltração comunista na Igreja. É CLARO, ÓBVIO E EVIDENTE que é uma situação gravíssima e que deve ser duramente combatida. O que se está negando é que a única alternativa seja abraçar o liberalismo iluminista representado pelo modelo político/ideológico "americanista".
Não se pode saltar de uma heresia para abraçar outra, ainda que esta última seja menos hostil à fé. Um padre liberal é tão herege quanto um padre comunista. Este é o ponto.
Os cânticos no rito novo não precisam ser em latim, nem há obrigatoriedade do recurso ao canto gregoriano.
É lícita, inclusive, a inculturação, adicionando à música elementos da cultura popular (assim como instrumentos musicais), desde que se preserve a solenidade litúrgica (e neste ponto os abusos são freqüentes).
É um fato que o desprezo pela riquíssima tradição da música litúrgica da Igreja é uma escolha burra e, poderíamos dizer, 'de mau gosto', mas não é intrinsecamente imoral.
Não é e nem pode ser "desculpa" para deixar de ir à Missa.
Em todo o caso, não se pode ver a Missa como um concerto de música de câmara. Santo Agostinho mesmo pedia a Deus para não se distrair pelo deleite das belas melodias litúrgicas, esquecendo-se do seu conteúdo espiritual e do Sacrifício que se realiza no altar;
Oxe... E eu falei que era lugar de atabaques de Candomblé? Onde, por favor?
Nem sequer mencionei que gosto dos elementos populares acrescidos à música litúrgica.
É evidente que batucadas, ritmos dançantes etc. não são condizentes com a solenidade da Santa Missa.
Leia direito o que eu disse. Eu mencionei que a inculturação não é ilícita desde que se preserve a solenidade litúrgica.
Aliás, o trecho da Mediator Dei trata precisamente disso.
O FATO é que, embora haja recomendação, não há obrigatoriedade do recurso ao canto gregoriano, nem muito menos do uso do latim. Percebe a diferença?
Eu quis enfatizar somente, além desse fato, que a celebração da Santa Missa não é uma questão de gosto, e que erra quem faz dela isso. Se não há por perto uma Igreja em que se use coral e órgão, por isso eu deixarei de ir à Missa?
Engraçado que Jenna não tardou a mostrar sua indignação quando suspeitou que eu estivesse fazendo alguma insinuação sobre suas atitudes pessoais, mas não hesita em me lançar a mais pronta condenação por julgar que, quando eu falo em licitude da inculturação, estou querendo defender a intromissão do meu péssimo gosto musical nos ritos da Missa.
Ademais, não vejo razão para tamanha exaltação de ânimo.