Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Cardeal ofende judeus e faz média com árabes

Iniciado por paulo_15 em 08/01/2009 · 170 mensagens · página 1 de 4

paulo_15#1
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O cardeal Renato Martino, assessor do Papa Bento XVI, foi o primeiro membro do Vaticano a apoiar a proibição do uso do véu, por parte das mulheres muçulmanas na Europa, gerando furor entre as comunidades árabes. Agora o cardeal boquirroto também resolveu ser o primeiro a comparar a situação de Gaza a um "grande campo de concentração", irritando toda a comunidade judaica. Parece que o cardeal buscou uma espécie de reparação junto aos muçulmanos. Um aitolá teria coragem de dizer tamanha besteira.
http://coturnonoturno.blogspot.com/
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paulo_15#2
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Fala de cardeal gera tensão entre Vaticano e Israel
PHILI - REUTERS
PULLELLA - As relações entre o Vaticano e Israel ficaram tensas na quinta-feira, com a forte reação do Estado judeu ao cardeal Renato Martino, assessor do papa Bento 16, que na véspera comparou as atuais condições na Faixa de Gaza às de um "grande campo de concentração".
Em um discurso a diplomatas, Bento 16 manifestou-se contra o uso da violência por Israel e pelo grupo islâmico Hamas.
Martino, que preside o Conselho de Justiça e Paz do Vaticano, fez na quarta-feira, numa entrevista a um veículo italiano, a mais dura crítica da Santa Sé até agora contra a ofensiva de Israel no território palestino.
"Ficamos perplexos em ouvir de um dignitário espiritual palavras tão distantes da realidade e da dignidade", disse à Reuters Yigal Palmor, porta-voz da chancelaria israelense.
"O vocabulário da propaganda do Hamas, vindo de um membro do Colégio de Cardeais, é um fenômeno chocante e frustrante". disse ele.
Líderes judeus de todo o mundo também criticaram Martino.
"Suas declarações são ofensivas e um insulto à memória do Holocausto e dos sobreviventes em todo o mundo", disse Elan Steinberg, vice- presidente da entidade Encontro Americano dos Sobreviventes do Holocausto Judaico e Seus Descendentes.
http://www.estadao.com.br/noticias/internacional,fal…304514,0.htm
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edgard#3
Assino abaixo do porta-voz da chancelaria:

"O vocabulário da propaganda do Hamas, vindo de um membro do Colégio de Cardeais, é um fenômeno chocante e frustrante"[2]
tiago_5#4
"O vocabulário da propaganda do Hamas, vindo de um membro do Colégio de Cardeais, é um fenômeno chocante e frustrante"[3]

Sou católico: lamentável...
luizfernando#5
Vergonhoso mesmo...
marcioneijr#6
Se o papa aprovou, quem sou eu pra discordar?
Ser cátólico também é ser obediente aos hierarcas.
marcioneijr#7
Miguel
Se ele falou isso, concerteza o papa estava ciente. Creio que ele não ia falar nada sem permissão do pontífice.
E mesmo assim, o cardeal como bispo, é um apóstolo de cristo.
Católicos devem obedecer e pronto.

A não ser que o papa.........contrarie o cardeal......
Dai são outros 500....
marcioneijr#8
E o que eu não suporto é ver esse povo da comunidade que se diz católico levantando a bandeirinha de Israel....
Eu não estou a favor do Hamas, mas Israel não é nenhuma flor que se cheire.
carloseduardo_2#9
Também sou católico e apóio Israel. Este cardeal perdeu a oportunidade de calar a boca
alexandre_5#10
"O vocabulário da propaganda do Hamas, vindo de um membro do Colégio de Cardeais, é um fenômeno chocante e frustrante"[4]
marcos_8#11
Que tal lermos o que o cardeal disse antes de emitir quaisquer opiniões? Alguém aí tem o texto?
albertoleopoldo#12
"eu nao entendo nunca catolicismo favoravel ao islã. não adianta, nao ha nada que justifique isso."

E Catolicismo favorável ao judaísmo, o que justifica?

Não se pode dizer "a herança religiosa do Antigo Testamento", pois a velha aliança foi definitivamente substituída pela nova (exceto para certos protestantes, que insistem em ignorar até mesmo passagens das cartas paulinas em que explicitamente se fala que não há salvação no judaísmo - ou "na lei").

Não há sentido, pois, falar em um "compromisso moral" dos cristãos (particularmente católicos) com Israel. Há um compromisso, sim, com a caridade. Qualquer dos lados do conflito (no qual não há nada em conformidade com a doutrina católica que legitime um posicionamento a priori) que viole direitos humanos fundamentais merece a condenação expressa por parte da Santa Sé.

O fato de que os radicais islâmicos empreguem e tenham empregado táticas militares torpes e violência injustificada não autoriza o emprego de meios similares por parte de Israel. Não existe um tal "direito natural" - ou pior, divino! - à vingança.
Sem contar com o fato de que o "direito territorial" dos israelenses (normalmente tomado como premissa para justificar praticamente qualquer atitude de Israel) é no mínimo controverso (não quero dizer que seja absolutamente indefensável), não se pode simplesmente fechar os olhos para os abusos realmente cometidos por parte dos israelenses. Vocês partem simplesmente de um certo juízo formado a priori acerca da superioridade moral dos israelenses (lembrando que o Estado israelense é moderno e laico) para descartar por indignas de crédito quaisquer imputações que se lhe façam. Raciocinam à base de caricaturas e estereótipos tanto quanto qualquer esquerdista radical.

Em tempo, há um trecho no próprio texto postado que se refere à posição do Papa:
"(...)Bento 16 manifestou-se contra o uso da violência por Israel e pelo grupo islâmico Hamas."
albertoleopoldo#13
gustavo_15#14
Alguém aqui achou a entrevista?? Eu procurei, mas, até agora não encontrei nada.

E por isso, só pretendo me manifestar sobre o assunto depois de ler a entrevista e entender o contexto em que essa frase foi dita.

Para ser sincero, eu já estou irritado com a quantidade de desinformação protestante e maçonica que jogaram na midia nesses ultimos dias.
albertoleopoldo#15
Também já procurei um bocado e nada...
albertoleopoldo#16
Li com mais atenção o que falou Ácida, e concordo parcialmente (aliás, meus pontos de concordância estão explícitos).
edgard#17
Triste e lamentável a morte de crianças, mas inevitável quando são utilizadas como escudos pelos covardes do Hamas.
Se há quem não se preocupe com a sorte das crianças palestinas, esse é o Hamas
http://br.youtube.com/watch?v=EeZzSgKUde8
albertoleopoldo#18
Bom, do ponto de vista cristão (para não falar da própria moral natural), não é lícito disparar contra inocentes, mesmo que elas estejam sendo utilizadas como escudos.

Em que pese a dificuldade de encontrar uma solução humanitariamente aceitável, e ainda que a finalidade fosse comprovadamente boa, a atitude de Israel não se justifica.
tiago_5#19
Dei um olhada aqui: Instituto Humanitas Unisinos, universidade católica, sempre comenta sobre ações da Igreja:
http://www.unisinos.br/_ihu/index.php?option=com_not…lhe&id=19190
"O último acidente diplomático entre o Vaticano e o Estado judeu explode quando as agências insistem nas palavras do cardeal Martino sobre a ofensiva do exército com a estrela de Davi. “Israelenses e palestinos – explica o presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz em uma entrevista ao sítio Il http://sussidiario.net/ depois de ter comparado Gaza a um campo de concentração – são filhos da mesma terra. Todas as duas partes são culpadas. E quem paga é sempre a população indefesa”.
Pelo que eu entendi, foi uma entrevista para esse site:
http://www.ilsussidiario.net/news.aspx
http://www.ilsussidiario.net/articolo.aspx?articolo=10714
albertoleopoldo#20
"Israelenses e palestinos – explica o presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz em uma entrevista ao sítio Il http://sussidiario.net/ depois de ter comparado Gaza a um campo de concentração – são filhos da mesma terra. Todas as duas partes são culpadas. E quem paga é sempre a população indefesa".
Eis o trecho, no original:
"Un senso più acuto della dignità dell’uomo. Nessuno vede l’interesse dell’altro, ma solamente il proprio. Ma le conseguenze dell’egoismo sono l’odio per l’altro, la povertà e l’ingiustizia. A pagare sono sempre le popolazioni inermi. Guardiamo le condizioni di Gaza: assomiglia sempre più ad un grande campo di concentramento."
Não vejo erro na fala do cardeal.
albertoleopoldo#21
Em tempo: obrigado, CARRARO, pelos links.
albertoleopoldo#22
Ops... O trecho colado é uma resposta à pergunta: "o que falta no cenário do oriente médio para se assumir o caminho do diálogo?"
marcioneijr#23
Já falaram TUDO.
edgard#24
Bom, do ponto de vista cristão (para não falar da própria moral natural), não é lícito disparar contra inocentes, mesmo que elas estejam sendo utilizadas como escudos.

O ponto é. Não se dispara contra inocentes. Se dispara contra culpados que se expõem ou praticam agressões a partir de áreas com inocentes.

Me diga, leopoldo. Dentro da doutrina cristã sobre a guerra, como deve proceder um soldado, ou um piloto, que percebe um ponto de lançamento de foguetes inimigos (que estão direcionados contra inocentes) sendo instalado numa zona com inocentes? Ele permite o lançamento dos foguetes, e assim expõe a vida dos seus civis, ou elimina o inimigo, expondo a vida dos civis dele?
albertoleopoldo#25
O que é pior nessa história toda é que tamanho é o pendor por Israel que à menor crítica o pessoal aqui já acusa de ser "média feita" com os palestinos.

E os judeus sempre se utilizarão do Holocausto (cuja existência eu não contesto, nem muito menos justifico) para posarem de eternas vítimas, proibindo desde logo qualquer semelhança que se possa cogitar entre as suas ações e as do nazismo. Aliás, muita gente se exime de tecer qualquer crítica a Israel sob pena de receber a pecha de anti-semita ou mesmo de nazista.

Desculpem, mas isso é, no mínimo, desonesto.
albertoleopoldo#26
Se não houver outro modo de solucionar a questão, ele não impede o lançamento dos foguetes (cuja culpa recairá sobre aquele que os lançou - e é agravada por expor a vida de inocentes). Os inocentes de um lado não valem mais do que os inocentes de outro. E não se pode salvar um inocente pelo sacrifício de outro. Ponto.
albertoleopoldo#27
A existência de uma finalidade boa nunca pode justificar o emprego de meios escusos. Ainda que a morte de um só inocente pudesse vir a ser o único meio para salvar a vida de todo o resto do mundo, não se justificaria matá-lo.
albertoleopoldo#28
Bom, assim é a moral católica. Se lhe repugna, fique você com critérios mais pragmáticos e utilitários (afinal, o que é a vida de um inocentezinho junto à de todas as demais pessoas?).
albertoleopoldo#29
Só não queira defender esses critérios como "morais", porque aí você se enrasca.
albertoleopoldo#30
Não, não há contradição alguma. Deve-se buscar uma solução que preserve os inocentes de ambos os lados, mas, na impossibilidade de uma tal solução, devem ser protegidos ao máximo os inocentes (de qualquer que seja o lado) sem atentar contra a vida de outros. Se tais tentativas se mostram infrutíferas, terá sido por culpa do agressor, e não por negligência do agredido.

É uma questão radical: do que é certo ou errado fazer. Não do que é mais prático ou mais favorece a própria sobrevivência.
albertoleopoldo#31
Onde está a enrolação?

A contradição só existe na sua cabeça.

A coerência da vida cristã é radical. O fato é que a ação moral é a que eu indiquei. Se o sujeito prefere, contudo, tomar em consideração fatores alheios à moral e dar-lhes preferência (seja lá por que razões), é perfeitamente livre para fazê-lo. Mas não pode se livrar da imputação moral de culpa.
albertoleopoldo#32
Tudo o que você diz podemos resumir no seguinte:

"Na prática, as considerações morais nem sempre são as primeiras a ser tomadas".

Donde deriva:

"Não se deve, portanto, exigir que se as tome".

Mas a inferência não é lícita, pois passa de um enunciado factual a uma proposição deontológica.

E nada disso exclui o fato de que há um curso de ação moralmente legítimo à disposição.
eduardo_9#33
Isso é besteira. Não sou um defensor inconteste de Israel, mas dessa vez foi o Hamas que começou lançando morteiros contra civis israelenses. Em guerra, não existe isso de justa proporção, você não pode atacar o seu vizinho com uma pedra e exigir que ele revide com a mesma pedra, do mesmo tamanho. O fato é que o Hamas utiliza táticas de guerrilha, ataca civis em atentados terroristas, faz parte de uma rede internacional de tráfico de armas e outros crimes bárbaros e atualmente comanda o governo da Palestina, desrespeitando todos os acordos de paz e cessar-fogo anteriormente estabelecidos. E não me venha com hipocrisia, pois é um partido que utiliza seus civis como reféns, cujos membros se escondem em prédios públicos, atrás de pessoas inocentes, e que não hesitariam em utilizar toda a força disponível para destruir seu inimigo.
eduardo_9#34
E qual seria exatamente o curso de ação "moralmente legítimo" a ser tomado nesse caso? Enviar soldados judeus para combater com morteiros e pedradas os guerrilheiros do Hamas? E quando esses mesmos guerrilheiros utilizam civis como escudo, o que se deve fazer? Morrer para não matar o próximo? Faça-me o favor! Foi por causa dessa espécie de pacifismo que os ingleses deixaram Hitler tomar metade da Europa e transformar o Ocidente numa poça de sangue. Obviamente, a guerra é uma alternativa de última instância, mas não pode ser descartada de qualquer forma. E não há guerra no mundo onde não morram civis.
luizfernando#35
"Deve-se buscar uma solução que preserve os inocentes de ambos os lados, mas, na impossibilidade de uma tal solução, devem ser protegidos ao máximo os inocentes (de qualquer que seja o lado) sem atentar contra a vida de outros. Se tais tentativas se mostram infrutíferas, terá sido por culpa do agressor, e não por negligência do agredido."

De 70 a 80 % das vitimas palestinas são terroristas. Se desse restante a grande maioria são crianças é de se espantar: ou as crianças estão indo pro campo de batalha, ou são feitas de escudo ou os israelenses são maus pra caramba mesmo...

Acredito que Israel está fazendo o máximo que pode pra preservar civis. Se estivesse atirando a esmo já teria matado o triplo de gente. O que se subestima demais é a capacidade maquiavélica da resistência palestina, protegida pela grande maioria da mídia que não vê nada demais em doutrinar crianças para a guerra de extermínio e no uso publicitário de seus cadáveres.
albertoleopoldo#36
Acontece que uma situação de guerra não suspende a vida moral, e há com efeito uma moral da guerra.

Repito: o uso de táticas escusas por um dos lados do combate não justifica o seu emprego pelo outro, mesmo se por motivo de defesa.

Pode-se até afirmar que um dos lados possui uma culpa maior (especialmente em se tratando de uma guerra de agressão), mas no momento em que o agredido - e aqui as razões históricas tornam o problema de difícil solução, mesmo que presentemente se tome o Hamas como primeira fonte de agressão - responde com ações escusas - como o assassinato de inocentes (repito: mesmo que estes sejam usados como escudos), guarda para si a sua parcela de culpa.

Se quiserem apoiar tais ações por meio de razões políticas, estratégicas ou o que quer que seja, sintam-se à vontade. Mas buscar uma justificação moral é impossível.
albertoleopoldo#37
Nada disso tem a ver com "pacifismo", mas com a doutrina da guerra justa.

O fato é que, se sabendo que há crianças na mira os israelenses ainda assim disparam, cometem uma ação imoral e injustificável (seja por que razão o façam).
eduardo_9#38
Meu amigo, ninguém está se escusando do debate moral utlizando-se de justificativas estratégicas ou políticas. Pelo menos eu não. Você é que tem que nos ensinar como se combate um exército que não usa farda, que não está constituido legalmente, que utiliza cidadãos como reféns, que não ocupa locais devidamente regulamentados (quartéis, bunkers etc.) e que se utiliza de todas as artemanhas imorais para ganhar uma batalha, mesmo sabendo quantas vidas inocentes serão ceifadas por sua culpa. Duvido que você tivesse coragem de culpar os bombardeios ingleses pela morte de civis alemães na II Guerra Mundail. Combater um grupo terrorista não é igual a jogar War ou batalha naval, as cores do inimigo não estão plantadas onde deveriam, e um país tem responsabilidade moral com os seus soldados tanto quanto com seus cidadãos. Se a intenção de Israel fosse realmente perpetrar um massacre, pode apostar que não sobraria pedra sobre pedra.
albertoleopoldo#39
Perceba que em nenhum momento eu defendi a "proporcionalidade da reação" (muito menos no sentido de combater com as mesmas armas, o que é ridículo). Se a causa do conflito é justa, é perfeitamente aceitável (e mesmo imperativo) servir-se de todos os meios lícitos à disposição (incluindo artilharia pesada, mesmo que os adversários utilizem paus e pedras). Mas isso não inclui disparar conscientemente contra inocentes.
albertoleopoldo#40
É claro que alvos civis acidentais não são imputáveis, desde que todas as medidas possíveis para a preservação das vidas inocentes tenham sido tomadas.
eduardo_9#41
A suposição de "consciência" da sua parte não passa de especulação. Além do mais, quando o inimigo se esconde por trás de reféns (que nem sempre são reféns, pois há muitos que aquiescem de bom grado), é necessário fazer certas escolhas. Se Israel não atacar o Hamas, terá de justificar moralmente para os seus cidadãos que perderem familiares em atentados terroristas do grupo. Essa espécie de omissão é mais imperdoável do que a guerra. Seu pacifismo é inconsequente e quase irracional. Nem sei se há realmente sentido em continuar argumentando.
albertoleopoldo#42
Não, João, eu não defendi a omissão.

Defendi a busca incessante por meios de solução que não envolvam a perpetração do assassinato de inocentes. Pode-se buscar, em último caso, meios de proteger as possíveis vítimas (conduzindo-as a abrigos, emigrando-as etc.), evidentemente na medida do possível. Se todas essas medidas falham, e o agressor logra ceifar um grande número de vidas inocentes, a culpa recai sobre este, e não sobre aquele que buscou todos os meios honestos disponíveis para protegê-las. Esgotados os meios honestos, jamais é lícito recorrer aos desonestos, qualquer que seja a causa que se pretenda defender (mesmo a vida de inocentes).

Dou um exemplo prático da aplicação disso: a Igreja recentemente se pronunciou contra a implantação de embriões congelados no útero de mães de aluguel, posto que isso envolve o recurso a técnicas artificiais de procriação que são por si consideradas imorais. Ou seja: ainda que o fim seja bom (o crescimento de um ser humano), a ilicitude dos meios proíbe a ação. Solução? Manter os embriões congelados até que pereçam espontaneamente.

A propósito, quem me parece morno é você, que diante de situações radicais de escolha moral, opta sempre pela solução que lhe parece a mais pragmática "para reduzir danos", mesmo quando envolve expressa cumplicidade com o mal. Mas não estou aqui para julgá-lo, e esoero aliás abrir-lhe os olhos para seus erros.
albertoleopoldo#43
Eduardo,

Você confunde "prestar satisfação política" com "prestar contas morais".

Repito: não sou pacifista. Sou católico e defendo a guerra justa.

Não afirmo que Israel não deve reagir militarmente (nem sequer entrei no mérito da questão). Apenas afirmo que, se Israel tem alguma culpa direta (seja por premeditação, seja por negligência) na matança de inocentes, então a sua ação é imoral e injustificável (embora, na melhor das hipóteses, possa vir a ser "compreensível").
edgard#44
Vamos lá, Alberto

Para uma guerra supostamente "de extermínio", o desdobramento das operações militares no Teatro de Operações em Gaza tem se mostrado econômico em termos de sangue.

Pelo volume de munições despejadas, o fato de termos "somente" 700 mortos mostra que Israel tem se preocupado com um dos aspectos da Teoria da Guerra Justa, que é a limitação do uso da força e a discriminação entre combatentes e não combatentes.

Não haja dúvidas: Se Israel não desse a mínima para os civis lhe bastaria um dia de "carpet bombing" para mandar Gaza de volta à idade da pedra.

Mas não adianta: por mais que se selecionem alvos, se utilize de precisão cirúrgica em bombardeios, civis invariavelmente morrem em guerras travadas em zonas urbanas.

Ocorre que a alternativa dada - eu estudei muito pouco Santo Agostinho e Hugo Grocio na faculdade, portanto não tenho muita certeza de suas posições - não me parece abarcada nos doutrinadores da Guerra Justa, eis que não me lembro de nenhum deles professando que o soldado deva se deixar matar para não expor em risco inocentes inimigos ou que o soldado deva deixar de cumprir a sua missão principal - a proteção da vida e integridade de seus próprios inocentes - por causa dos inoentes inimigos.

Do que me lembro, a morte de civis deve ser evitada, sim, mas nenhum dos lados beligerantes é obrigado a abdicar da luta se perceber ser absolutamente impossível não matar inocentes, sob pena da assunção a priori de que nenhuma guerra - mesmo defensiva - seria legítima na prática, mas somente na teoria.

A morte de civis é uma tragédia a ser lamentada sempre. Mas a alternativa de não revidar também põe a vida de civis na linha de tiro, e o soldado existe para a proteção dessas vidas. É por elas que ele arrisca a própria vida - e a alma.
albertoleopoldo#45
As únicas questões relevantes para o tópico são:

Há ou não consciência, no caso de ataques particulares, de que vítimas civis inocentes (incluindo crianças) serão feitas? Tal se dá somente em casos excepcionais e os responsáveis são julgados em corte marcial, ou tal procedimento é sistemático, ordenado pelas autoridades militares e endossado pelos chefes políticos?

Como se alega que os integrantes do Hamas utilizam crianças como escudo, as respostas se afiguram claramente positivas.

Quando a guerra é justa (i.e., não configura guerra de agressão, mas de defesa ou - em casos especiais - de prevenção) e, além disso, as eventuais vítimas inocentes resultam de acidentes e não de medidas premeditadas e conscientes, o problema não se coloca. Pois, em primeiro lugar, o embate se faz rigorosamente necessário segundo as estritas exigências da justiça (sendo neste caso a recusa a combater condenável) e, em segundo lugar, as medidas cabíveis são tomadas para evitar toda baixa de civis inocentes.

Não é o caso presentemente apreciado.
luizfernando#46
O Alberto tem argumentado com honestidade. Não se aproveite do esforço alheio pelo debate pra coroar seu anti-semitismo explícito...
edgard#47
Há ou não consciência, no caso de ataques particulares, de que vítimas civis inocentes (incluindo crianças) serão feitas? Tal se dá somente em casos excepcionais e os responsáveis são julgados em corte marcial, ou tal procedimento é sistemático, ordenado pelas autoridades militares e endossado pelos chefes políticos?

A guerra, mesmo a guerra justa, traz em si a consciência de que civis inocentes vão morrer. Isso é um fato de todas as guerras, desde sempre e para sempre. Ora, se na concepção mesma do caso geral a morte de inocentes é admitida apesar de lamentada e dos esforços para evitá-la, como exigir que não ocorram casos particulares como condição para validá-la? O que se admite em teoria não se admite na prática?

O ponto não está nas mortes em si, mas na intenção: A intenção do artilheiro é abater os civis ou abater o agressor? O meio é eficiente e suficente? São tomadas precauções para minimizar as vítimas civis (e o bombardeio de precisão é uma dessas medidas...) Se sim, não há crime, não há vício, pois as eventuais vítimas civis são colaterais, e não principais.

Então, não: as autoridades de Israel não estão ordenando o bombardeio sistemático e aleatório da população civil. Israel não está utilizando de meios desproporcionais. Israel não está aumentando o risco da população civil.

No caso de ataques aéreos, há um agravante: O piloto não tem como distinguir amigos de inimigos. A clássica foto da menina vietmanita queimada por napalm: ela foi bombardeada pela aviação americana quando estav junto de soldados sul-vietnamitas, aliados, num caso de fogo amigo. A isso some-se a noticia postada noutro tópico, de palestinos voluntariamente se postrando como escudos humanos e, assim, abandonando ipso facto sua condição de não combatente.

Desta maneira, se afigura a segunda hipótese do seu último post, não a primeira.
thiago_7#48
foi contra israel não contra judeus, nem todo judeu é sionista
thiago_7#49
o papa não com entou as declarações...
albertoleopoldo#50
Non sequitur.

As mortes acidentais de civis durante um conflito não são de responsabilidade do artilheiro. A mera consideração abstrata de que o conflito resultará em mortes acidentais de inocentes não é por si impedimento moral para o embate, de vez que todas as medidas para evitá-las sejam tomadas. O fato de, alvejando um combatente adversário, atingir-se um civil inocente de forma consciente e premeditada como meio de abater o inimigo é claramente uma ação imoral e injustificável.

Ou você acha que o policial, durante um seqüestro, pode intencionalmente mirar na vítima para atingir mediatamente o seqüestrador (ainda que este afirme que vai matar a vítima, o policial e toda a sua família)?

Não seja desonesto: em nenhum momento eu falei de bombardeio sistemático e aleatório da população civil, mas em disparar conscientemente contra civis de modo a atingir alvos militares.

No mais, eu já repeti inúmeras vezes que as mortes acidentais não se incluem no caso em apreço.

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