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Metade do Brasil será evangélica em 2020?

Iniciado por klaicon em 26/05/2009 · 507 mensagens · página 9 de 11

albertoleopoldo#401
É claro que, neste momento, você torcerá o nariz, e afirmará que os mortos não intercedem, pois estão "dormindo". Já escrevi aqui:
Não precisamos considerar a doutrina da "dormição" dos mortos - a passagem do Eclesiastes empregada para justificá-la fala claramente sobre os condenados, conforme se pode confirmar nos Provérbios 9,18 e 15,24, e, por contraste, Isaías 14, 9-10, o que se diz sobre a pregação de Cristo entre os mortos - p.ex. 1Pd 3,19 - e outros episódios como a aparição de Moisés e Elias na Transfiguração - Mt 17,3. Aliás, há uma frequente associação, ao longo de toda a Escritura, do termo "morte" ao conceito de perdição. Lembremos só do célebre trecho da carta aos Romanos 6,23, onde afirma São Paulo que o salário do pecado é a morte. Estaria por acaso se referindo à finitude da alma dos condenados? Decerto que não. Por contraste: "o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus, nosso Senhor". Quererá dizer que só os condenados passam pela corrupção física?
albertoleopoldo#402
A veneração dos santos é um ato de respeito e reverência por aqueles que viveram exemplarmente o Evangelho e mereceram o reconhecimento de bem-aventurados, intercedendo no Céu a Deus, por meio de Cristo, único mediador, pela Igreja militante e padecente cá na Terra, assim como São João no-lo aponta, no Apocalipse (6,9-11, 5,8 e 8,4). A veneração dos santos é um ato de louvor a Deus, pela Graça operada eficazmente em suas vidas, e pelo testemunho da realização de Sua vontade. Trata-se de doutrina aceita desde os tempos apostólicos. Em uma carta datada do segundo século, fala-se, sobre o martírio de São Policarpo (discípulo de São João Evangelista): "Quanto aos mártires, nós os amamos justamente como discípulos e imitadores do Senhor, por causa da incomparável devoção que tinham para com seu rei e mestre. Pudéssemos nós também ser seus companheiros e condiscípulos!" e "pudemos mais tarde recolher seus ossos [de Policarpo], mais preciosos do que pedras preciosas e mais valiosos do que o ouro, para colocá-lo em lugar conveniente. Quando possível, é aí que o Senhor nos permitirá reunir-nos, na alegria e contentamento, para celebrar o aniversário de seu martírio, em memória daqueles que combateram antes de nós, e para exercitar e preparar aqueles que deverão combater no futuro."
albertoleopoldo#403
Vejamos as passagens do Apocalipse, em particular:

8. Quando recebeu o livro, os quatro Animais e os vinte e quatro Anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um uma cítara e taças de ouro cheias de perfume (que são as orações dos santos). (cap. 5)

9. Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos homens imolados por causa da palavra de Deus e por causa do testemunho de que eram depositários.
10. E clamavam em alta voz, dizendo: Até quando tu, que és o Senhor, o Santo, o Verdadeiro, ficarás sem fazer justiça e sem vingar o nosso sangue contra os habitantes da terra?
11. Foi então dada a cada um deles uma veste branca, e foi-lhes dito que aguardassem ainda um pouco, até que se completasse o número dos companheiros de serviço e irmãos que estavam com eles para ser mortos. "(cap. 6)

3. Adiantou-se outro anjo e pôs-se junto ao altar, com um turíbulo de ouro na mão. Foram-lhe dados muitos perfumes, para que os oferecesse com as orações de todos os santos no altar de ouro, que está adiante do trono.
4. A fumaça dos perfumes subiu da mão do anjo com as orações dos santos, diante de Deus. (cap. 8)
albertoleopoldo#404
"Quem é maior, Aquino ou Jesus?

Eu prefiro Jesus!"

É claro que não há qualquer ponto de polêmica aqui. Lembremos do que disse o próprio Cristo (Jo 19,11):

"Respondeu Jesus: Não terias poder algum sobre mim, se de cima não te fora dado. Por isso, quem me entregou a ti tem pecado maior."

Disse pouco depois o bom ladrão (Lc 23):

"40. Mas o outro o repreendeu: Nem sequer temes a Deus, tu que sofres no mesmo suplício?
41. Para nós isto é justo: recebemos o que mereceram os nossos crimes, mas este não fez mal algum. "

Diz também S. Paulo (Rm 1):
28. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno.
29. São repletos de toda espécie de malícia, perversidade, cobiça, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade.
30. São difamadores, caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, altivos, inventores de maldades, rebeldes contra os pais.
31. São insensatos, desleais, sem coração, sem misericórdia.
32. Apesar de conhecerem o justo decreto de Deus que considera dignos de morte aqueles que fazem tais coisas, não somente as praticam, como também aplaudem os que as cometem.

Há inúmeras passagens bíblicas legitimando a pena de morte (sobretudo no Antigo Testamento). Que não são desaprovadas pela chegada da Nova Lei, que a completa e perfecciona, infere-se de I Tim 1:
albertoleopoldo#405
8. Sabemos que a lei é boa, contanto que se faça dela uso legítimo,
9. e se tenha em conta que a lei não foi feita para o justo, mas para os transgressores e os rebeldes, para os ímpios e os pecadores, para os irreligiosos e os profanadores, para os que ultrajam pai e mãe, os homicidas,
10. os impudicos, os infames, os traficantes de homens, os mentirosos, os perjuros e tudo o que se opõe à sã doutrina
11. e ao Evangelho glorioso de Deus bendito, que me foi confiado.

É claro que o "não matarás" se reserva ao assassinato, que é diferente, por exemplo, da legítima defesa e da pena capital (que nada mais é que uma aplicação social daquele princípio). É certo que a Igreja tem-se posicionado contra a pena de morte, naqueles casos em que sua execução não é estritamente necessária (tratando-se aí da atuação pastoral da sua hierarquia - e não doutrinária, portanto não sujeita ao carisma da infalibilidade), mas não pode condená-la de uma vez por todas e em absoluto.

É claro que a Cristandade da época da Inquisição, acuada pelo avanço maometano e por heresias violentíssimas (como o catarismo), sendo uma civilização fundada na unidade moral e religiosa, enxergava na heresia uma tremenda ameaça para a preservação do corpo social ele próprio, e portanto não condenava a aplicação da pena capital pelos príncipes seculares, que a executavam. Somente estabeleceu um tribunal de inquérito (daí o nome "Inquisição") para verificar cautelosamente a procedência das acusações, evitando assim julgamentos sumários e execuções injustas. Claro que houve abusos por parte de inquisidores (vide Sta. Joana D'Arc), mas isso era antes a exceção do que a regra, e a cifra dos condenados resultou bem mais diminuta do que se apregoa (conforme aqui postado).
albertoleopoldo#406
Façamos, contudo, um contraponto, com a citação de Lutero, primeiro propugnador do protestantismo:

"Se a fúria dos romanistas não cessar, não restará outro remédio senão os imperadores, reis e príncipes reunidos com forças e armas atacarem a essa praga mundial, resolvendo o assunto não mais com palavras, mas com a espada (...) Se castigamos os ladrões com a forca, os assaltantes com a espada, OS HEREGES COM A FOGUEIRA, por que não atacamos com armas, com maior razão, a esses mestres da perdição, a esses cardeais, a esses papas, a todo esse ápice da Sodoma romana, que tem perpetuamente corrompido a Igreja de Deus, lavando assim as nossas mãos em seu sangue?" (Epitome, 1520).

É claro que isso não atesta a virulência de todos os promotores do protestantismo, mas muito menos ainda se legitima a onda de acusações contra a Inquisição católica (que a própria Igreja, aliás, nunca declarou infalível - antes a Sé romana monitorava e corrigia continuamente os abusos cometidos). A primitiva propagação do protestantismo operou-se a ferro e fogo, sob patrocínio de príncipes sanguinários como Cristiano II, Gustavo Wasa, os sucessores de Henrique VIII (se não o quisermos incluir como protestante legítimo) etc.

Escrevi mais acima:
É óbvio que o protestantismo, que conta com fortes raízes gnósticas, influenciou o individualismo liberal, que alimentou o racionalismo, que por sua vez desenvolveu-se na explícita negação de qualquer autoridade divina sobre o homem, que resultou na mais clara tirania do homem sobre o homem. Não é à toa que foi no seio do protestantismo que surgiram o racionalismo teológico, a teologia radical, a "teologia da morte de Deus" e outras tais aberrações (inclusive a teologia "da libertação").
albertoleopoldo#407
Cabe lembrar também de acontecimentos infames que se encontram na raiz histórica do protestantismo. O saque de Roma, que faz a noite de S. Bartolomeu (realizada pelos príncipes, com apoio popular, e baseada na doutrina maquiavélica explicitamente condenada pela Igreja) parecer uma troca de afagos. A tirania calvinista em Genebra. Os massacres promovidos por Gustavo Wasa, Cristiano II, Henrique VIII e seus sucessores. A escandalosa diluição de qualquer distinção entre a autoridade secular e a autoridade religiosa nos países protestantes (vide o infame princípio cuius regio, eius religio. Lembremos também que a revolução francesa, que teve na Igreja Católica sua maior vítima, foi fomentada financeira, cultural e ideologicamente desde centros protestantes como a Prússia e os Países Baixos.

Além do mais, precedeu o Estado laico o costume da ingerência do governo civil em assuntos religiosos. E o amparo ideológico do Estado laico em sua fundação, não era de caráter a-religioso e tolerante e sim expressamente irreliogioso e mesmo anti-religioso, sendo sempre a Igreja Católica a sua maior vítima.

Por que os protestantes insistem em mencionar a Inquisição, contando o protestantismo com um passado tão tenebroso?

Citando um dos muitos trechos de Olavo de Carvalho sobre o assunto:

"No entanto, se em vez de se contentar com palavras você decidir investigar os fatos em detalhe, indo além do que se pode encontrar em livros de divulgação escritos pelo método brasileiro de raciocinar, descobrirá que os inquisidores foram as primeiras autoridades a enxergar na tortura algo de imoral e, sem poder aboli-la por completo, as primeiras a limitar severamente a sua prática, vetando a efusão de sangue e proibindo que o mesmo prisioneiro fosse torturado mais de uma vez. Isso foi um dos passos mais decisivos na evolução dos direitos humanos.
albertoleopoldo#408
Os iluministas, por seu lado, consagraram a noção do Estado – em vez da religião ou da cultura – como autoridade moral suprema, portanto do governante como "guia dos povos". Com isso, prepararam o terreno não só para o advento do Terror revolucionário na França, mas para a emergência dos totalitarismos modernos que reinstauraram a prática ilimitada da tortura. Essa realidade histórica é totalmente escamoteada quando, com a maior inocência, o sujeito raciocina com base no valor nominal dos termos".

Não é, aliás, pelos frutos que o conheceremos?
albertoleopoldo#409
"Mesmo? Quanta contradição hein?"

Onde está a contradição, amigo?

É plenamente possível a um protestante ou um pagão receber por meios extraordinários a salvação, se viver em conformidade com a lei moral inscrita em seu coração (v. Rm 2,14). Isto, porém, inclui, no caso de lhe ser plenamente acessível (o que não é o caso quando há, por exemplo, coação ou ignorância invencível) a aceitação do verdadeiro Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, de que a Igreja com sede em Roma (sendo o aspecto geográfico, de fato, acidental - o que verdadeiramente conta é a herança da cátedra petrina), no mundo, a única autêntica depositária. Pois, repito, do ponto de vista católico a Igreja com sede em Roma é, e somente ela verdadeiramente é, aquela fundada por Cristo, e não uma "instituição" entre outras. Na verdade, seu aspecto institucional e hierárquico é um proprium (propriedade necassária) da Igreja, mas não constitui sua essência, que é a de ser o Corpo Místico de Cristo, a totalidade dos fiéis em comunhão sob Jesus Cristo. Voltando: acontece que ninguém (exceto Deus, e a consciência que o acusa) pode julgar a culpa do seu irmão, como nem tampouco impor limites à misericórdia de Deus. Portanto, ninguém pode apontar o dedo para um irmão e declará-lo condenado. Que o inferno não está vazio, sabemo-lo por trechos como a parábola de Lázaro e o homem rico (Lc 19-31) e Mt 25, 41-46:
albertoleopoldo#410
41. Voltar-se-á em seguida para os da sua esquerda e lhes dirá: - Retirai-vos de mim, malditos! Ide para o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos.
42. Porque tive fome e não me destes de comer; tive sede e não me destes de beber;
43. era peregrino e não me acolhestes; nu e não me vestistes; enfermo e na prisão e não me visitastes.
44. Também estes lhe perguntarão: - Senhor, quando foi que te vimos com fome, com sede, peregrino, nu, enfermo, ou na prisão e não te socorremos?
45. E ele responderá: - Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que deixastes de fazer isso a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.
46. E estes irão para o castigo eterno, e os justos, para a vida eterna.

Mas, evidentemente, não podemos disto inferir que Fulano ou Sicrano esteja entre os condenados, mais do que poderíamos inferir de "há alguém detrás da porta", que esse alguém seja Joãzinho ou Maricota. Já ouviu falar do axioma da escolha?
albertoleopoldo#411
Sobre o "Tu és Pedro", repito o que já havia dito:
Com efeito, o texto grego tem essa característica. "Petros" tem o sentido de "pedregulho", ao passo em que "Petra" o de rochedo. Acontece que "Petra" tem uma desinência feminina, que não cabe no nome de um homem. Tal distinção não se encontra, contudo, no hebraico "Kefas". Em todo o trecho (Mt 16, 17-19), Jesus se refere a Simão: "Bem aventurado és tu", "não foi a carne e o sangue que to revelou", "eu te digo", "dar-te-ei as chaves", "o que ligares", "o que desligares". No meio de tudo isso, os protestantes inserem uma interpretação para "esta pedra" como referindo-se ao próprio Cristo, contra todas as regras da estilística e da oratória, convertendo um discurso límpido e plácido em ambíguo e atravancado. Cabe lembrar que em toda a Sagrada Escritura, Deus diretamente muda o nome de alguma pessoa tão-somente três vezes. As duas outras referem-se a Abraão, pai na fé do povo de Deus, e Israel (Jacó), progenitor das doze tribos. Cabe lembrar que Pedro, em todo o Novo Testamento sempre encabeça qualquer lista dos apóstolos, que é sempre ele quem fala em nome dos doze, em toda a primeira metade dos Atos dos Apóstolos (onde não se refere às viagens que seu autor, Mateus, empreendeu ao lado de Paulo), é sempre ele quem assume uma posição de liderança. Mais: de fato, Jesus é a Pedra Angular, é a Rocha firme sobre a qual se deve edificar morada. Mas também Jesus é a Luz do Mundo, o que não O impediu de afirmar o mesmo dos discípulos. Trata-se de uma participação na Luz de Cristo, assim como a solidez de Pedro enquanto Rocha deriva da mesma solidez da Rocha-Cristo.

Trata-se, aqui, de problema análogo ao da "mediação".

Até mesmo Fabio, que é cismático, não tem dificuldade em admitir a primazia de Pedro.
albertoleopoldo#412
"Antes de continuar, vamos analisar esses três primeiros versículos. Cristo nosso Deus, não diz "e que não haja entre vocês governantes". Ele disse: "*quem governa" (seja) como quem serve".

Perfeito. Interessante como os protestantes gostam de citar precisamente esse trecho como "prova" contra a tese do primado petrino. Este se exerce, não como um privilégio, mas como missão e serviço (é claro que houve Papas que abusaram de suas prerrogativas governamentais, mas isso depõe contra eles e não contra o Papado em si - isso se dá exatamente da mesma forma em relação a toda e qualquer autoridade, e bem sabemos que a Bíblia nos insta a respeitá-las).

"Ou seja, *há* quem governa, o governo dele é que não deve ser como o dos reis gentios, dominando os subalternos, tendo "jurisdição universal". Por *isso* que ao inovar com a idéia de governo universal da Igreja é que a sé romana afastou-se da Igreja, e não por defender, corretamente, que existe liderança e hierarquia. Continuemos. "

Evidentemente, neste ponto eu preciso discordar. Mas dou a palavra aos Santos Padres:
albertoleopoldo#413
Papa Clemente I de Roma (Séc. I):
"Devido às calamidades súbitas e repetidas, e infortúnios que nos aconteceram, temos que reconhecer que nos atrasamos em nossa atenção sobre as disputas que ocorrem entre vós (...) Se qualquer de vós desobedecer às coisas que foram ditas por Deus através de nós, isto é, para que restabeleceis vossos líderes, estará se envolvendo em transgressão e em grande perigo. Muito nos alegrará se vós obedecerdes às coisas que escrevemos pelo Espírito Santo" (1ª Carta aos Coríntios 1,1; 58,2; 59,1; 63,2).

Hermas de Roma (Sécs. I-II):
"Então escrevi duas cartas reservadas e as enviei para Clemente (bispo de Roma) e Grapte. Clemente a enviará para as cidades, pois este é seu dever" (O Pastor 2,4,3).

Inácio de Antioquia (Sécs. I-II):
"Inácio (...) para a Igreja que preside, na região dos romanos, merecedora de Deus, de honra, de bênção, de elogio, de sucesso, de santificação, porque preside o amor. (...) Vós não invejastes ninguém, mas a outros ensinastes. Eu só desejo que aquilo que foi ordenado nas vossas instruções possa permanecer em vigor" (Epístola aos Romanos 1,1; 3,1).

Dionísio de Corinto (Séc. II):
"Desde o princípio, foi costume fazer o bem a todos os irmãos de vários modos, e enviar contribuições para todas as Igrejas, em todas as cidades (...) Este é o costume que o santo bispo [de Roma] Sótero não só preservou mas está aumentando, fornecendo uma abundância de materiais aos santos e urgindo com palavras consoladoras, como um pai amoroso aos seus filhos, os irmãos peregrinos (...) Hoje nós observamos o dia santo do Senhor, no qual lemos a sua carta. Sempre que nós lemos esta carta na Igreja, nos alegramos, como também quando lemos a antiga carta de Clemente" (Carta a[o Papa] Sótero).
albertoleopoldo#414
Mártires de Lião (Séc. II):
"E quando uma dissensão surgiu entre estas pessoas, ditas montanistas, os irmãos na Gália mais uma vez (...) enviaram cartas para os irmãos na Ásia e na Panfília e, além disso, para Eleutério, que era então o bispo dos romanos, e que negociava a paz para a Igreja".

Eusébio de Cesaréia (Sécs. III-IV, historiador da Igreja):
"Uma pequena questão surgiu naquele momento. Para as igrejas de toda a Ásia, como a mais antiga tradição assegurava, observava-se para o banquete da Páscoa do Salvador o décimo-quarto dia da lua, quando os judeus sacrificavam o cordeiro (...) Mas esse não era o costume do resto do mundo (...) Eles observavam a prática, de origem apostólica que prevalece até o tempo presente, de terminar o jejum da Quaresma no dia da ressurreição do Senhor, no domingo. Foram feitos vários sínodos e assembléias de bispos neste sentido e todos, com mútuo consentimento, prepararam um decreto eclesiástico, de que o mistério da Páscoa deveria ser celebrado no domingo, o dia do Senhor, e que todos deveriam observar o fim do jejum pascal nesse dia (...) Logo após, o papa Vítor, que tudo presidiu como bispo de Roma, tentou cortar imediatamente da comunhão as igrejas da Ásia que celebrassem no dia 14 de Nisan. E ele escreveu cartas e declarou que quem não obedecesse seria excomungado. Isto não agradou todos os bispos e eles pediram para que fosse reconsiderada a excomunhão em nome da paz e da unidade, no amor da Igreja (...) Enviaram Irineu para pedir ao papa para não cortar (da comunhão) as igrejas que observavam costume tão antigo" (História Eclesiástica 5,23,1-11).
albertoleopoldo#415
Papa Júlio I de Roma (Séc. IV):
"O julgamento de Atanásio deveria ser feito não como está ocorrendo, mas de acordo com o cânon eclesiástico. É ignorante aquele que esquece que o costume é escrever primeiro a nós para que assim seja dada uma decisão justa deste lugar? Se, então, qualquer suspeita foi levantada contra o bispo de Alexandria, isto deveria ter sido comunicado à Igreja daqui de Roma. Mas agora, após se passar por cima disto, querem nosso consentimento? (...) Não é esta a tradição que recebemos. O que escrevo é para o bem comum (...) Isto declaro na pessoa do Santo Apóstolo Pedro, que represento" (Carta em favor de Atanásio).

Concílio Regional de Sárdica (Séc. IV):
"Quando o bispo perde um julgamento em qualquer caso, decidido pelos bispos da mesma categoria, se quiser pode ser novamente julgado (...) Em honra do Apóstolo Pedro, deve escrever ao bispo de Roma, Júlio, de forma que, se ele quiser, pode proceder novo julgamento, agora sob a supervisão dos legados de Júlio" (Cân. 3).
"Se algum bispo for deposto pelo julgamento dos bispos de uma província, se ele assim o desejar, poderá recorrer ao bispo de Roma, para que este se familiarize com o caso e emita o julgamento final" (Cân. 4).

Papa Inocêncio I de Roma (Séc. V):
"Ao buscar as coisas de Deus (...) guardando os exemplos da antiga Tradição (...) haveis fortalecido de modo verdadeiro (...) o vigor da vossa religião, pois verificastes que o assunto devia ser submetido ao nosso juízo, sabendo que é isso que se deve à Sé Apostólica, já que todos os que estamos neste lugar desejamos seguir ao Apóstolo [Pedro] de quem procede o episcopado e toda a autoridade desse nome" (Epístola 29).

Jerônimo (Sécs. IV-V):
"A Igreja aqui está sendo rompida em três partes, cada parte ansiosa por me agarrar em seu apoio (...) Estou em prantos, mas unido à cátedra de Pedro (...) Imploro que vossa beatitude (=papa Dâmaso) me fale, por carta, com quem posso entrar em comunhão na Síria" (Epístola 16,2).
albertoleopoldo#416
Papa Bonifácio I de Roma (Séc. V):
"Por disposição do Senhor, é competência do bem-aventurado Apóstolo Pedro a missão recebida d'Aquele (=Jesus), de ter o cuidado da Igreja Universal. Com efeito, Pedro sabe, por testemunho do Evangelho (Mt. 16,18), que a Igreja foi fundada sobre ele e jamais sua honra pode sentir-se livre de responsabilidades por ser coisa certa que o governo daquela está pendente de suas decisões. Tudo isso justifica que nossa atenção se estenda até esses lugares do Oriente que, em virtude da missão a nós confiada, se acham de certo modo perante nossos olhos" (Epístola a Rufo e bispos da Macedônia).
"Ao sínodo de Corinto: (...) temos enviado escritos de modo que todos os irmãos devem entender que não podem apelar de nosso juízo. Com efeito, nunca foi lícito tratar novamente um assunto que foi alguma vez decidido pela Sé Apostólica" (Epístola 13).

Agostinho de Hipona (Sécs. IV-V):
"Roma falou, causa encerrada" (Contra Pelágio).

Pedro Crisólogo (Séc. V):
"No interesse da paz e da fé, não podemos discutir sobre questões relativas à fé sem o consentimento do bispo de Roma".

Papa Leão I Magno de Roma (Séc. V):
“Dentre todos os homens do mundo, Pedro foi o único escolhido para estar à frente de todos os povos chamados à fé, de todos os Apóstolos e de todos os padres da Igreja. Embora no povo de Deus haja muitos sacerdotes e pastores, na verdade Pedro é o verdadeiro guia de todos aqueles que têm Cristo como chefe supremo. Deus dignou-se conceder a este homem, caríssimos filhos, uma grande e admirável participação no seu poder. E se Ele quis que os outros chefes da Igreja tivessem com Pedro algo em comum, foi por intermédio de Pedro que isto lhes foi concedido” (Sermão 4).

Concílio Ecumênico de Calcedônia (Séc. V):
"Leão e Cirilo ensinaram a mesma doutrina! Pedro falou pela boca de Leão !".
albertoleopoldo#417
É muito claro que a autoridade, não só de Pedro, mas do sucessor de Pedro era reconhecida pela Cristandade desde os primeiros tempos da Igreja, como aquela a que se recorria para solucionar os litígios, que presidia aos concílios (quer em pessoa, quer por meio de representantes) e proclamava solenemente as decisões. Seria realmente de estranhar que houvesse Cristo abandonado Sua Igreja tão cedo, ou que aproveitadores romanos houvessem usurpado atribuições de governo e ilicitamente exercido-as a meio palmo do nariz de testemunhas tão qualificadas.

É interessante notar que a defesa do primado de Pedro exercido por meio de seus sucessores chegou a atrair protestantes célebres e inteligentíssimos como Leibniz (que trabalhou junto a Bossuet pela reunificação da Cristandade) e Grócio.

"Essa é a história ou a posição católica?
Sucessão imperial ou apostólica?
Por que rejeitaram?
Já conversou um “anabatista”?
Saber o que diz o catolicismo e não buscar o que diz a outra parte não demonstra imparcialidade."

Ora, a única razão pela qual os protestantes atuais julgam que a doutrina de Cristo estava mais plenamente com os anabatistas do que com a Igreja de Roma é que as doutrinas daqueles se aproximam mais às suas. Para o católico, o anabatista (assim como o protestante) não possuem qualquer posição privilegiada em relação a gnósticos, arianos, nestorianos, cátaros etc. São todos indistintamente hereges, no que se afastam do que a Igreja tem pela verdadeira doutrina de Cristo e dos apóstolos, a qual ela salvaguarda. Essa "imparcialidade" que você parece exigir teria que se estender a todas as opiniões que marcharam, ao longo dos séculos, nos filões da heresia. Mas a Igreja não recebe como missão a "imparcialidade" (que, como diz Chesterton, é um nome pomposo para indiferença, que é por sua vez um nome elegante para ignorância), mas antes a preservação integral da doutrina de Cristo e dos tesouros dos sacramentos, junto ao pastoreio universal das almas.
albertoleopoldo#418
"Fale isso ao Pe Quevedo, que nem em inferno acredita. Isso não é divisão?
Desculpas para ele? Quais?"
Sim, é divisão, e desculpas não há. O referido padre ensina uma heresia e já sofreu sérias advertências por isso.

"No erro admitido acima?
Pecado é equivalente a infalibilidade?"

Quantas vezes mais eu terei que escrever que infalibilidade não se refere a impecabilidade de conduta ou mesmo de governo, mas de dom infalível do Espírito Santo nas proclamações solenes em matéria de dogma ou moral? O Papa pode ser um assassino, pervertido, malicioso etc. etc., posto que é homem como os outros, e como os outros sujeito continuamente ao pecado (e será julgado pelos seus sem qualquer privilégio de foro). Apenas não erra (e este é o dogma), quando sob a assistência infalível do Espírito Santo (que tinha Cristo prometido à Sua Igreja) faz uma proclamação da natureza referida.

"não houve episcopado monárquico no primeiro século. As igrejas eram governadas por colegiados de bispos ou presbíteros que eram termos usados de modo intercambiável (ver Atos 20.17 e 28; Tito 1.5 e 7".
Ora, todos os concílios da Igreja foram reuniões de bispos. O primado petrino não se exerce "na contramão" da autoridade episcopal, mas antes lhe dá sentido e ordem. Acho que uma coisa que não se entende bem é que bispos (inclusive o de Roma, o Papa) são presbíteros, mas não vice-versa.

No mais, usar um teólogo herege como "autoridade católica" está longe de ser honesto.
albertoleopoldo#419
"Jesus rogou por Pedro por saber que este seria provado! E pronto!"
Opa! Isso é uma interpretação, aliás bastante livre, minimalista e conveniente para a posição protestante em geral. O Novo Testamento está repleto de referências à primazia de Pedro (que, repito, é primazia de governo e não de glória), incluindo o mais que explícito "Tu és Pedro", mas a exegese protestante é capaz dos mais vertiginosos malabarismos retóricos para reduzir a sua importância (é claro que Cristo não dá a S. Pedro o título de "Papa" - com todas as letras - simplesmente porque "Papa" não é um título, mas somente um apelido carinhoso dado ao ocupante da cátedra petrina, assim como "padre" o é para o presbítero). Eu já falei aqui: não existe Sola Scriptura. Existem interpretações a priori que se busca corroborar com o texto bíblico, e a proibição da consulta a qualquer outra fonte para a autoridade religiosa.

Vou falar mais uma vez: a Igreja Católica não é, primária e essencialmente, instituição. Ela é o corpo constituído pelos crentes e cuja cabeça é Cristo (não o Papa, que é somente seu representante visível, seu deputado). Seu aspecto institucional e hierárquico é uma decorrência material da sua necessária unidade, pois o Corpo Místico de Cristo não é fragmentado e desarticulado, mas uno, harmônico e experimenta uma profunda comunhão numa só Verdade. Como os homens, em virtude do pecado original, são propensos à divisão e ao sectarismo, faz-se mister a constituição de uma autoridade visível, guiando seus passos nesta terra. Com a dissolução da autoridade, a multiplicidade e a divisão tende a prosperar, e, para manter a unidade do Corpo dos fiéis, é preciso postular uma vaga, invisível e "minimal" comunhão baseada na comum aceitação do cânone das Escrituras. Mas essa "unidade" claramente não é efetiva, não é a unidade dum rebanho de um só pastor.
albertoleopoldo#420
"O conceito da sucessão apostólica jamais é encontrado nas Escrituras".

Parece que, para os protestantes de cá, para um "conceito" se encontrar nas Escrituras, é preciso que aí esteja nomeado com sua denotação corrente. Ora, é bastante claro que os apóstolos ordenam bispos, presbíteros e diáconos, e ainda dão instruções explícitas para aqueles ora constituídos fazerem o mesmo. Se isso não for sucessão apostólica, eu não sei o que é. O fato é que a cada sacerdote católico, "ortodoxo", vetero-católico etc. validamente ordenado, pode-se reconstituir sua inteira genealogia a partir dos apóstolos (que foram, desnecessário lembrar, escolhidos pelo próprio Cristo). Porém, não se trata, por si, de garantia para a constituição da Verdadeira Igreja de Cristo, posto que muitos são cismáticos e mantêm divergências doutrinais (ao passo em que a Verdade é uma só). Tampouco a autoridade humana de um conclave é garantia suficiente para constituir em autoridade o Romano Pontífice.
albertoleopoldo#421
O católico acredita que o verdadeiro fator que preserva a unidade da Igreja, mesmo com muitos erros cometidos pelos demasiado humanos membros do clero e mesmo papas, é a ação do Espírito Santo, que não abandona a Igreja de Cristo nem por um só dia. A autoridade da hierarquia da Igreja não se baseia em conclaves e solenidades, mas sim na assistência divina. Deste modo, um problema político, por grave que seja, como o cisma do Ocidente, em nada prejudica a continuidade da transmissão eficaz da doutrina e da Graça, pois esta não tem caráter essencialmente político, mas sagrado. "As portas do inferno não prevalecerão sobre ela", e, portanto, não tememos viver há séculos sob a sucessão de antipapas. Ainda mais porque os sinais distintivos da Igreja jamais foram apagados (testemunho dos milagres, perfeição da doutrina, vida dos santos, frutos visíveis na construção da Civilização cristã etc. etc. etc., e que garante a unidade do credo professado, a sucessão apostólica, a preservação da Tradição por meio dos Santos Padres e da intervenção do Magistério etc.). É claro que nada disso pode ser provado apoditicamente, mas jamais se pretendeu que pudesse ser. Pois equivaleria a reduzir a religião a matéria de filosofia, cisa que evidentemente não pode ser. Porém, se admitirmos de fato a intervenção do Espírito Santo, o problema não se coloca. Não se pode, portanto, simplesmente assumir que é de fato um problema para o católico sem pressupor que a Igreja Católica não é a verdadeira Igreja de Cristo, de modo que não se pode concluir daí que não seja.

No momento em que se identifica a Igreja Católica exclusivamente a uma instituição política humana, já se está usando de uma premissa que o católico não aceita.
albertoleopoldo#422
Vocês insistem sobre essa tecla "instituição" justamente porque não conseguem ver que o problema se situa a milhas de distância daí.

Alysson chegou mais perto de captá-lo quando escreveu:

"A doutrina romana da perpétua virgindade de Maria desumaniza a Virgem e transforma Jesus em Messias docético, um tipo de camuflagem divina, uma figura beatífica alienada, uma aparência humana sem qualquer inserção real na duríssima realidade do pecador. Humanidade irreal na origem, irreal será na existência, nos meios e nos fins. Cristo, ao contrário, compartilhou sua vida com a nossa, pois viveu rigorosamente como vive qualquer ser humano, inclusive experimentando os horrores da morte física."

É claro que ele não poderia ter escrito isso sem um "profundo desconhecimento" da doutrina católica. Também custo, não somente em aceitar a conclusão (que é rigorosamente falsa), mas também em enxergar qualquer possível nexo desta com a premissa. Não tem importância. Ele tocou num ponto certo: o Jesus Cristo apresentado pela Igreja Católica é fundamentalmente diferente dAquele apresentado pelas seitas evangélicas. Trata-se de um Cristo que investiu Pedro de uma autoridade importantíssima; de um Cristo que se confronta com o pecador logo após a morte deste, para seu juízo particular; é um Cristo que, em João, criou um vínculo filial com Sua mãe para toda a Igreja; é um Cristo que confere aos sacerdotes o poder de comunicar a graça do perdão... E é, sobretudo, um Cristo que se entrega como alimento aos fiéis na Sagrada Eucaristia.
albertoleopoldo#423
Esta é, na verdade, o maior tesouro confiado à Igreja, maior que a própria Igreja, maior que a Bíblia (que é obra de Deus, e não o próprio Deus, não podendo ser adorada), ao passo que na Hóstia e no vinho consagrados, é o próprio Cristo que Se faz presente por inteiro, em Seu Corpo, Sangue, Espírito, Humanidade e Divindade. Negar a Eucaristia é, para o católico, negar dobrar os joelhos em ato de adoração a Deus, que ali se faz verdadeiramente presente (e não um mero símbolo). Negar a Eucaristia é, para o católico (pelo menos para aquele minimamente consciente do Seu Mistério, é rejeitar o maior e mais profundo presente oferecido por Deus aos Seus filhos enquanto caminham na terra, é negar-se a entrar em verdadeira comunhão com Deus, perfazendo, naquele momento, a plenitude da existência.

Mas, claro, alguma apologia precisa aqui ser realizada. É evidente que o termo "carne" possui conotações diversas nas Escrituras. É claro que o termo "carne" no trecho mencionado por Aline, representa aquela parte de nossa natureza que precisa estar subordinada ao espírito (não cabe uma interpretação literalista, pois tudo quanto há e foi criado, pelo mesmo motivo de que há e é criado, é bom, e tem o seu valor participando daquele de Deus, que lhe dá o ser. No entanto, não se trata a comunhão de mero alimento físico, mas de alimento verdadeiramente espiritual, que não pode, ademais, ser ingerido indignamente (v. 1 Coríntios 11,27-29). Para não falar já de S. Paulo, que lembrava que os nossos corpos, enquanto membros do Cristo, são templos do Espírito Santo, lembremos do Antigo Testamento, em que todo sacrifício é, ao mesmo tempo, banquete (que é, aliás, o que fundamenta a figura da "mesa da Palavra" e da própria Palavra como alimento espiritual, por analogia com o maná e os banquetes sacrificiais). O próprio cordeiro pascal é imolado e dá-se de comer.
albertoleopoldo#424
No entanto, o sacrifício de reses não podia jamais expiar verdadeiramente os nossos pecados, e por isso o próprio Verbo de Deus teve que fazer-se carne, para que pudesse ser oferecido em sacrifício. Se a carne realmente nada vale, de que valeu a imolação do Cordeiro de Deus? O banquete da Sagrada Eucaristia prenuncia, ademais, o Banquete Nupcial do Cordeiro (v. Ap 19,9), quando o Noivo se manifestará em Sua glória, Ele que ora se encontra oculto, com as formas visíveis de pão e de vinho. Ao afirmar "Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia. Porque minha carne é verdadeiramente comida e meu sangue é verdadeiramente bebida. Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e eu nele." (João 6,53-56), Cristo se depara com o escândalo dos discípulos, mas não ameniza a impressão, antes reforça-a. Quando da última ceia, fala "isto é o meu corpo, isto é o meu sangue", e não meramente os representa. Lembremos também dos muitos milagres eucarísticos (muito embora não sejam itens de fé obrigatória), que estão entre os mais fascinantes e grandiosos.
albertoleopoldo#425
Ah, sim, lembrei de outra: É claro que o Espírito Santo pode se manifestar fora da Igreja Católica. O que Ele não pode é manifestar uma doutrina diferente da de Cristo. Daí a necessidade de fazer o chamado "discernimento dos espíritos" e não aceitar qualquer menor impressão a título de conhecimento infuso. Não se pode tomar a exceção pela regra. O homem está sujeito à ação de várias influências, desde suas próprias inclinações, até a propriamente diabólica. Por isso diz São Paulo (II Cor 11, 4): "Porque quando aparece alguém pregando-vos outro Jesus, diferente daquele que vos temos pregado, ou se trata de receber outro espírito, diferente do que haveis recebido, ou outro evangelho, diverso do que haveis abraçado, de boa mente o aceitais", e adverte que não se aceite um Evangelho diferente mesmo que pregado por um anjo. Por isso, qualquer livre leitura e interpretação da Bíblia não pode ser tomada como assistida pelo Espírito Santo. Por isso o eunuco etíope (At 8, 26-40) precisa pedir ajuda a Filipe. Por isso a doutrina da Igreja, univocamente interpretada pelo Magistério assistido pelo Espírito da Verdade prometido por Cristo, serve de "gabarito" nas questões de exegese.

Ah, sim, Luis, mostre onde eu construo "bonecos de palha" para atacar o protestantismo. Eu tenho aqui o tempo todo exposto os seus.
albertoleopoldo#426
"Entendo que há fortes elementos revolucionários, que advem da Reforma. Sobretudo, naquelas lideradas por Zwinglio e Knox.
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Mas e daí? O catolicismo também não tem? E a teologia da libertação, o Pacto de Metz, A companhia de Jesus, etc? Também é 'culpa' do protestantismo?"

Não, não tem. Para não falar do caráter extremamente discutível das informações sobre o Pacto de Metz e a inclinação "revolucionária" dos jesuítas, quando de fato se manifestam essas tendências em alguns quadros da Igreja, tal dá-se apesar da Igreja e não por ela (tanto que tendem a ser prontamente condenadas pelo Magistério).

Já a teologia da libertação, tem origem protestante sim. Na verdade todo o espírito revolucionário do ocidente (que não se limita a "tendências socialistas", mas também abrange por exemplo o liberalismo político e social) nutre-se dos frutos da "Reforma".
rafael_33#427
"Na verdade todo o espírito revolucionário do ocidente (que não se limita a "tendências socialistas", mas também abrange por exemplo o liberalismo político e social) nutre-se dos frutos da "Reforma"."

Todos sos males do ocidente tem seu princípio na reforma : ela soube ser a caixa de ressonância dos movimentos heréticos do fim do medievo que são como bem mostra Voegelin a raíz do movimento revolucionário.
rafael_33#428
é a reconversão para o catolicismo e ponto final.
pedrojorge#429
Parece que, não conseguindo responder aos principais argumentos protestantes, alguns católicos - como nosso colega Alberto Leopoldo - vêm com o papinho de que "todo o espírito revolucionário do ocidente... nutre-se dos frutos da "Reforma"."
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Essa argumentação é típica de quem não estudou o assunto com a profundidade devida. Os livros de Pe Jorge Lorenzo foram, de fato, à sua época, um grande estudo a respeito do assunto. Mas foram refutados dez anos mais tarde, fato que o próprio Pe terminou por concordar.
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Mas isso nem precisava ter acontecido, pois a mentira cai por si mesma. Afinal, não seria o protestantismo um "fruto" do catolicismo da mesma maneira que o espírito revolucionário "nutre-se" dos frutos da reforma? Assim sendo, é tudo uma questão de perspectiva, de parar onde for mais conveniente. Qualquer estudioso primário e que tenha lido os autores protestantes clássicos sabe que atribuir certos "frutos" à reforma é simplesmente absurdo. Nosso colega Alberto jamais deve ter lido Lutero, Calvino ou Knox diretamente. Se o tivesse lido, saberia que:
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- Primeiro Lutero e depois Calvino REPUDIARAM a idéia de teologia da libertação, que fora proposta em termos genéricos pelo ex-padre Humberto Capirossi (converteu-se ao protestantismo e discutia certos assuntos com Farel). Se querem as fontes, por favor, leiam "Nascido Escravo" e principalmente o volume 9 de suas Obras selecionadas (Editora Concórdia e Sinodal) que atualmente está em promoção - R$55,80. Atenção especial ao Compentio IX e Capítulo III da obra, com o título "A Igreja e seu papel", onde qualquer um verá que Lutero não teve nada de revolucionário ou gnóstico - bem ao contrário.
pedrojorge#430
Os comentários de Calvino a esse trecho em "A verdadeira vida cristã", onde inclusive afirma que essa é uma "visão geral" de todas as correntes reformistas (e aqui Calvino se exclui dessas correntes, mas afirma ser um ponto de interseção) nos provam mais uma vez que a Reforma - e colocando o Calvinismo primitivo dentro desse termo, à revelia do próprio Calvino - oferecia uma resistência consideravelmente maior à qualquer infiltração de idéias gnósticas e revolucionárias em seu seio. O livro The Story of Luther, dos anos 30, um dos melhores a respeito da Reforma embora muitissimo pouco conhecido - achei-o jogado num sebo e nunca tinha ouvido falar antes - cita, na pág 234 e 235, outras fontes da época a respeito da posição luterana sobre o papel da Igreja perante o Estado, a política e o mundo. Dentre elas, a obra My life, de John Knox e os escritos liturgicos (sem título) de Farel.
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É só a partir de 1650 que conseguimos identificar a infiltração de elementos gnósticos - e não ainda revolucionários - no protestantismo, mas não no protestantismo como um todo. Isso não ocorre nem jamais ocorreu nas correntes advindas de John Knox, Zwinglio, e a maioria das sub-correntes do luteranismo (Teovismo, por exemplo) e diversas correntes de Calvino - embora não todas. Muitos estudiosos honestos acabam confundindo o calvinismo com o fareldismo, que foi a corrente calvinista que sobrepujou as demais (em poder, nunca em membresia) nos primeiros 120 anos após a morte de Calvino e esta sim, nos seus primeiros 40 anos, foi infestada de elementos gnósticos e, posteriormente, revolucionários.
pedrojorge#431
Para quem não tem tempo de estudar a coisa nessa profundidade - eu venho fazendo isso há 13 anos com leituras praticamente diárias, sei que é difícil - basta analisar que países como os EUA, onde houve um certo misto das correntes de Knox e Luteranas, é onde, ao longo do tempo, as idéias revolucionárias tiveram talvez a maior dificuldade de infiltração, mais do que em países que nunca conheceram o protestantismo até meados de 1800 e que até então eram proeminentemente católicos, como a Argentina (por exemplo, as revoltas revolucionárias, reflexo da revolução francesa), o Brasil (em menor grau, mas ainda assim considerável), México e Bolívia, dentre países europeus e que eram majoritariamente católicos mas, ao contrário dos citados, já conheciam o protestantismo de longa data.
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Esses assuntos estão sendo abordados em meu trabalho de mestrado - dentre alguns meses pretendo disponibilizá-lo para consulta. Opinar sobre esse assunto não é pra qualquer um. Não basta dizer que as coisas são assim e querer que sejam, como parece ser o caso de alguns aqui. Sem embasamento e estudo, não dá e o resultado é que você fala besteiras e se passa de intelectual até alguém que realmente estudou a coisa acabar com a festinha.
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Escrevam no caso de dúvidas (deixem recado para eu lembrar, fiz uma limpa geral no meu Orkut mas não sou fake). Quem precisar de citações mais precisas de fontes ou quiser mais fontes, escreva em meu scrap.
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pedrojorge#432
O Olavo, enquanto grande estudioso do movimento revolucionário, resume bem a oposição entre o protestantismo em si e tomado em aspecto geral - que não tem nada de gnóstico ou revolucionário, bem ao contrário disso - e certos atores protestantes - estes sim, gnósticos e revolucionários. Isso fica patente na leitura atenta de seus artigos. Por exemplo, vejamos este trecho:
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"A teoria começava por prosseguir as investigações célebres de Max Weber sobre capitalismo e protestantismo e por contestar seus resultados. O surto de progresso capitalista nos países protestantes, contemporaneamente freado nos católicos, não foi devido predominantemente a fatores religiosos, mas a fatores culturais mais amplos que determinaram a diferente atitude de católicos e protestantes ante a economia moderna. A diferença era radical: do lado católico, a desconfiança generalizada que clamava por mais controle, mais policiamento, mais burocracia, mais punições. Do outro, uma confiança pujante que estimulava a criatividade, a variedade, a iniciativa. Confiança, em primeiro lugar, dos homens uns nos outros: por que supor que o nosso próximo quer o nosso mal e não apenas, como todos nós, o seu próprio bem? Por que não acertarmos as coisas entre nós e ele, em vez de chamar um terceiro para nos policiar a todos? Eis a base de toda negociação, de todo contrato, de toda eficácia. De outro lado, confiança no poder que cada homem tem de decidir, de agir, de lutar por um destino melhor conforme seu próprio entendimento, livre de uma autoridade acachapante que imponha a todos a camisa-de-força de uma noção padronizada do "melhor".

Essa diferença surge, primeiro, nas idéias, na fantasia, na cultura. Depois consolida-se em leis e costumes. Por fim, dá frutos na economia: riqueza, progresso, desenvolvimento.

(...)
pedrojorge#433
O protestantismo contribuiu, sim, para esse resultado, mas menos por suas concepções teológicas e morais explícitas enfatizadas por Weber - predestinacionismo, ética da poupança - do que pelo simples fato de estimular a liberdade e a variedade, livre do peso excessivo de uma velha burocracia controladora. E se enquanto isso o catolicismo atrasava o desenvolvimento econômico em outras partes do mundo, também não foi por causa do conteúdo de sua fé, em si mesmo neutro economicamente, mas simplesmente porque a hierarquia, assustada, em vez de superar criativamente as oposições, se enrijeceu numa atitude paranoicamente defensiva que só pensava em mais controle, mais centralismo, mais burocracia. Em certos países o desenvolvimento econômico foi favorecido pela ausência de controles. Em outros, não foi apenas desfavorecido: foi detido, foi proibido, foi estrangulado no berço por autoridades que o confundiram, tragicamente, com os demônios que o cercavam. Na Espanha, em Portugal, na Itália e parcialmente na França, o desenvolvimento não foi nunca um inimigo da Igreja: foi o bode expiatório das culpas católicas e anticatólicas. Ao condená-lo, o catolicismo fez um tremendo mal a si mesmo, do qual procura agora redimir-se. Mas exagerando na expiação, cai no extremo oposto, a adesão aos progressismos de esquerda, que, como sempre acontece com os opostos, o leva de volta ao erro originário: o culto do centralismo inibidor, agora em versão socialista.
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Leia mais em: http://www.olavodecarvalho.org/textos/peyrefitte.htm
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Ai vemos algumas coisas interessantes, dentre elas, que quem caiu nos "progressismos de esquerda" foi o catolicismo e não o protestantismo. Vimos também uma descrição correta sobre o protestantismo em sentido geral (extremo oposto do mov. revolucionário).
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pedrojorge#434
Para não me alongar muito em comentários - posso fazer isso depois - avancemos em mais alguns trechos do Olavo.
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John Knox, John Huss, Thomas Münzer e outros “profetas” das origens da modernidade não são apenas precursores do movimento revolucionário mundial: são seus criadores. As homenagens entre ambíguas e reticentes que lhes são prestadas de tempos em tempos por tal ou qual intelectual esquerdista só servem para inflar as contribuições da esquerda mais recente, diminuindo a daqueles pais fundadores mediante o artifício de jogá-los para trás numa série histórica supostamente ascendente em cujo topo se encontra sempre, é claro, o autor da homenagem.
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Leia mais em: http://www.olavodecarvalho.org/semana/070108dc.htm
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Discordando apenas com relação a John Knox - embora em sua History ele o tenha tratado o assunto com alguma ambiguidade, não o fez em outras obras - os demais nomes estão corretos. Vê-se então que os criadores do movimento revolucionário não foi o protestantismo ou a reforma, mas sim, homens, com nome e endereço. E nisso o Olavo está coberto de razão. Por exemplo, quem estudou os escritos de Lutero verá que um dos motivos de seu rompimento com Munzer foram suas idéias gnósticas. Então você separa Munzer, Huss e, sendo bastante benevolente, Knox, taxa-os de reformadores e confronta-os com Lutero, Calvino, Zuinglo, Oekolampad, e você vai ver que você pegou uma parcela muito pequena do protestantismo - e mesmo essa parcela pequena não pode ser considerada totalmente pró-revolucionária, pelo contrário, basta ver os grandes pregadores que surgiram a partir de 1700 advindos da linha tradicional knoxita. Isso, sem falar na linha paralela dos anabatistas, que embora um tanto influenciados por Munzel, boa parte jamais compartilhou e até reprovava sua visão cultural e política, como Lolr, Omsted e muitos outros influentes autores dessa linha.
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pedrojorge#435
O negócio se emaranha ainda mais quando enfocamos o protestantismo "novo" alemão, cujas influências foram decisivas em Marx, Strauus, Feuerbach, Buer, Engels, Bakunin e outros propagadores do movmiento revolucionário e do marxismo. Pois o protestantismo "novo" alemão, além de ter sido ativamente repudiado dentro da própria Alemanha por outras correntes protestantes - como diria Smith Wesley na sua História do Protestantismo (sem tradução para o português) tais protestantes achavam o catolicismo menos grave do que tais correntes ditas protestantes.
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Então você chegar dizendo que o protestantismo - e/ou a Reforma - deram como frutos o mov. revolucionário é simplesmente simplificar a questão de forma desonesta e simplista. A realidade não é assim tão clara e óbvia e nosso colega Alberto já é grandinho o bastante para saber disso, deduz-se. O simples modo como ele pronuncia tais idéias, sem qualquer resquicio de estudos sérios além de leituras de Montfort e Veritatis demonstram isso. Assim como há protestantes imbecis que lêem CACP e acham que estão com a bola toda. Não sou católico nem protestante, mas acho que o mundo seria melhor se ambos os lados praticassem o que professam ao invés de tentar convencer o outro de que os seus "frutos" foram maus (como se isso provasse alguma coisa em termos de correntes ideológicas e teológicas).
pedrojorge#436
"Com essa falácia pueril, dá pra se ver a consistência lógica e historiográfica dos seus estudos."
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Marcos, você não entendeu. Eu não afirmei aquilo. Apenas usei a lógica do Alberto e do Rafael para mostrar como ela pode voltar-se para o que eles mesmo tem dito. Obviamente que a afirmação é falaciosa e meu intuito ao proferi-la foi justamente mostrar isso.
servodemaria#437
Lutero e suas heresias

Melanchthon diz:

“Lutero era um homem extremamente leviano e as freiras que lhe armavam os laços com grande astúcia acabaram por envisgá-lo. O freqüente comércio com elas teria talvez efeminado um homem mais forte e de mais nobres sentimentos e ateado o incêndio.” (Melanchthon. Brief an Camerarius über Luthers Heirat vom 16 Junii 1525. in: von P. A. Kirch, Mains, 1900. p. 8, 11).

Em 1534, escrevia à sua Catarina, a respeito de vinho, mulher e cerveja: “Ontem aqui bebi mal e depois fui obrigado a cantar; bebi mal e sinto-o muito. Como quisera haver bebido bem aos pensar que o bom vinho e que boa cerveja tenho em casa, e mais uma bela mulher... Bem farias em mandar-me daí toda a adega bem provida do meu vinho e, o mais freqüentemente que puderes, um barril de tua cerveja.” (De Wette. IV, 553).

Em 1540, novamente à sua consorte: “Vou comendo como um boêmio e bebendo como um alemão, louvado seja Deus!”. (Burkardt. Dr. M. Luth. Briefwechsel. Leipzig, 1866, p. 357).

Diz ainda, em 14 de maio de 1541, quando se encontrava em Wartburgo: “Aqui passo todo dia no ócio e na embriaguez.” (De Wette. IV, 553).
Em 15 de janeiro, de 1531, noutra carta: “a dor de cabeça, contraída em Coburgo por causa do vinho velho, ainda não foi debelada pela cerveja de Wittemberga.” (De Wette. IV, 215).
servodemaria#438
Jerônimo Weller, discípulo de Lutero, pedia-lhe, certa feita, uma direção espiritual, pois se via, freqüentemente, assaltado por crises de melancolia. O “piedoso” ex-monge Martinho, assim lhe aconselhava: “Quando te vexar o diabo com estes pensamentos, palestra com os amigos, joga, brinca ou ocupa-te em alguma coisa. De quando em quando se deve bem com mais abundância, jogar, divertir-se e mesmo fazer algum pecado em ódio e acinte ao diabo para lhe não darmos azo de perturbar a consciência com ninharias (...) Quanto te disser o diabo: não bebas, responde-lhe: por isso mesmo que me proíbes hei de beber e em nome de J.C beberei mais copiosamente (...) Por que pensas que eu bebo, assim, com mais largueza, cavaqueio com mais liberdade e banqueteio-me com mais freqüência, senão para vexar e ridicularizar o demônio que me quer vexar e ridicularizar a mim? Todo decálogo se nos deve apagar dos olhos e da alma, a nós perseguidos e molestados pelo diabo.” (De Wette. IV, 188).

A Libertinagem: Fator Preponderante Para o Desenvolvimento da Reforma:

“O Evangelho hoje em dia encontra aderentes que se persuadem não se ele senão uma doutrina que serve para encher o ventre e dar larga a todos os caprichos.” (Weimar. XXXIII, 2)

“Ah! é verdade que Cristo nos anuncia no Evangelho a liberdade? Então, já não queremos trabalhar, mas comer e beber e cada um estende o saco para que se lhe encha o ventre.” (Weimar. XXXIII, 4). Daí para o desencadeamento de uma revolta popular, falta muito pouco...

Percebam o que dizem estes insufladores das massas: “Com zelo e amor abraçam o Evangelho porque nele vêem um atalho para a licença que sacode todos os jugos.” (Corp. Reform. V, 725).
servodemaria#439
Fomentação da Violência Contra o Clero Católico:

“Se eles (O clero) pelo sacerdócio não nos podem mostrar senão a tonsura, a unção e a veste talar, nós os deixaremos gloriarem-se nestas imundícies porque sabemos que facilmente pode tosar-se uma porca ou um tronco, ungi-lo com uma sotaina.” (Weimar. XII, 189).

Vale a pena, trazer a baila, passagem análoga, em João Calvino: “Salve tridenticolas (Referindo-se aos Padres Conciliares, reunidos em Trento), soldados de Netuno, ignorantes, estúpidos, asnos, porcos, bestas, legados do Anticristo, ventres ociosos, cadáveres pútricos, padres cornudos, monstros pestilenciais, padres auritos, filhos da fé romana, isto é, da grande prostituta”. (Audin. Histoire de la Vie de Calvin. Paris, 1841, II. p. 376).

Observem, pois, esta confissão, saída da pena, do próprio Lutero: “Não posso negar que sou mais violento do que convém; mas os meus inimigos que o sabem não deviam atiçar o cão. Quase todos me condenam a mordacidade” (De Wette. I, 479).

Um testemunho de Zwinglio, a respeito de Lutero: “Quando leio os seus livros (de Lutero) parece-me ver urrar um animal imundo e grunhir um jardim de perfumadas flores; tão pouco teologicamente, com tanta impropriedade fala Lutero de Deus e das coisas sagradas.” (Opera. II, 192).
servodemaria#440
Ainda, outro historiador, a comentar sobre o estilo de Lutero: “É infelizmente inegável e manifesto que ninguém, tratando da fé e de assuntos graves e importantes escreveu de modo tão áspero, tão rude, inconveniente, e contrário à moderação e bons costumes cristãos como Lutero.” (Doellinger. Die Reformation. III, 263).

“Como Moisés destruiu e pulverizou o bezerro de ouro, assim devemos nós fazer, com o Papado, até reduzi-lo a cinzas.” (Weimar. XXVIII, 762).

“Se eu pudesse colher unidos numa casa todos os franciscanos, atear-lhes-ia fogo (...) Eia, ao fogo todos!” (Tischreden, na coleção de Mathesius, n. 305). Agora é só verificar onde os camponeses encontraram tanto ódio para fazer os seus assaltos impiedosos às igrejas...

“Os religiosos não são dignos de se chamarem homens, nem mesmo deveriam chamar-se porcos.” (Erl. XLVII, 37).

“A mim me parece que, a continuar esta fúria dos romanistas, já não nos resta outro remédio senão que imperador, reis e príncipes, com armas e violência, assaltem esta peste do mundo e dirimam a questão não com palavras mas com o ferro (...) Se punimos os ladrões com a forca, os bandidos com a espada, os hereges com o fogo, porque não havemos de agredir com as armas estes mestres de perdição, estes cardeais, estes papas, toda esta sentina da Sodoma romana, porque não havemos de lavar as nossas mãos no seu sangue?” (Weimar. VI, 347). Lutero era crudelíssimo, insidioso, inescrupuloso – pior do que qualquer inquisidor - um monstro!

No seu leito de morte, deixou para os seus, o heresiarca impenitente, a seguinte herança: “Deus vos encha de suas bênçãos e de ódio ao Papa.” (Grisar. Luther. II, 361).
servodemaria#441
O Mentiroso:

A moral dos primeiros reformadores, ao contrário do que se pensa costumeiramente, era essencialmente maquiavélica! Eles pregavam, abertamente, a imputabilidade da mentira, se esta se tratasse de desabonar a Igreja Romana.

Em 1520, o senhor Martinho Lutero, já dizia, com todas as letras: “Para enganar e subverter o papado julgamos que tudo nos é lícito.” (De Wette. I, 478).

Outra confissão sugestiva, de 1520: “Sei que não vivo em conformidade com o que ensino.” (De Wette. I, 402).

A Melanchthon, diz Lutero: “Se conseguirmos evadir a intervenção de força, durante a paz emendaremos facilmente os nossos enganos e os nossos erros porque sobre nós reina a misericórdia de Deus.” (De Wette. IV, 156).

Denifle, ajuíza a respeito de Lutero: “Em Lutero não encontramos um homem que de modo algum mereça o nome de reformador, mas um agitador, um revolucionário para o qual não havia sofisma por mais ousado, malícia por mais astuta, mentira por mais grave, calúnia por mais atrevida, de que se não servisse para justificar a sua apostasia da Igreja e dos princípios que, no passado, haviam sido seus.” (Denifle. Luther und Luthertum. I, 2, 298).
servodemaria#442
Os testemunhos, a respeito de Lutero, colhidos a seguir, e muitos outros, poderão ser encontrados em: Grisar. Luther. II, 452 ss.

O luterano Jerônimo Pappus: “Lutero, em caluniar não tem igual.”

Francisco Arnoldi, comentando sobre os escritos do frade cismático: “Há neles tantas mentiras, quantas palavras.”

João Deirtemberger: “É o mais mentiroso de quantos homens vivem debaixo dos céus.”

Paulo Bachmann: “As mentiras de Lutero excedem em grandeza ao monte Olimpo.”

Jorge, Duque da Saxônia, a respeito de Lutero, declara: “Até aqui não nos havia ensinado a Sagrada Escritura que Cristo houve escolhido para o apostolado e a pregação do seu Evangelho, mentiroso tão de profissão e tão impudente.”

A nosso ver, estamos diante de um homem: torpe, rude, impudico, e de costumes depravados. Capaz das maiores perfídias, para dar cabo de seus auspícios não menos asquerosos.

Agora, quem é o revolucionário?????

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hamilton#443
Isso aqui não leva a nada. A maioria dos textos, parecem copiados do Montfort.

Vou investigar o porque dos resquícios revolucionários dos reformadores. Inclusive a possibilidade, de que isso se deve ao passado católico dos mesmos.

O que é fato, é que a Reforma só ocorreu, por conta da apostasia romana.
filipe_3#444
O que é fato, é que a Reforma só ocorreu, por conta da apostasia romana. [2]
rafael_33#445
Caro Felipe vc tem que entender qu foi Lutero quem cometeu heresia e nãoa Igreja Una ,Santa ,Católica e Apostólica.Aorejeitar a tradição e o magistério ele abriu espaço para o individualismo , o antropocentrismo , o sentimentalismo na religião.
Ele é um dos pais do mundo moderno que nasce da revolta do homem em relação ao passado fonte inquestionável de toda verdadeira sabedoria.
albertoleopoldo#446
Apóstatas foram os "reformadores". Mas isso é, de fato, uma característica comum às heresias: apresentar-se cada uma como a verdadeira (e perdida) ortodoxia. Pode estar certo de que nem um único item apresentado pelos apóstatas protestantes como signo de "apostasia romana" permanece sem justificativa canônica estritamente baseada na Revelação e na Tradição Apostólica (diferente, aliás, das diversas teses protestantes). Se uma coisa, aliás, nós católicos "devemos" aos "refornadores" protestantes, é justamente o brilho da apologética contra-reformista, com nomes tã ilustres como os de Belarmino, Chateaubriand, Newman, Balmes, Chesterton e tantos outros.

A Murilo:
Percebe-se, nas suas postagens, uma certa tendência a identificar "espírito revolucionário" com "tendências socialistas", além de enxergar no capitalismo liberal um verdadeiro antídoto para o dito "espírito revolucionário". Ao contrário, a posição da Igreja (vide encíclica Divini Redemptoris - sobre o comunismo ateu - de Pio XI) sempre foi de que o capitalismo liberal pavimentou o caminho que conduziu ao marxismo (entenda-se: não propriamente como regime econômico - pois desde Leão XIII tem o Magistério enfatizado sua compatibilidade geral com os princípios cristãos - mas como ideologia político-social). Os próprios princípios fundadores da república norte-americana, assim como o chamado "conservadorismo anglo-saxão" (representado por um Locke ou um Burke) e a sua contraparte francesa na obra de um Turgot ou um Tocqueville, está impregnado de "valores" e parte de pressupostos epistemológicos e antropológicos de marca inequivocamente iluminista (ainda que de uma vertente menos virulenta que a dos philosophes da Revolução). Ora, do ponto de vista católico, isso se já não é o espírito revolucionário em estado avançado, é ao menos seu precursor imediato - com o indelével estigma do modernismo.
albertoleopoldo#447
Mais: a doutrina da essencial corrupção da natureza humana, defendida por Lutero, tem um claro "sabor" gnóstico. O mesmo se diga de suas doutrinas escandalosamente heréticas sobre Cristo. Além disso, seu individualismo religioso, sua cisão completa entre os domínios da fé e da razão, e entre salvação e vida prática, seu voluntarismo ético-teológico, tudo isso contribuiu para a demolição da harmonia moral, cultural e intelectual da Cristandade e para o surgimento da moderna mentalidade revolucionária e anti-religiosa, gerando o conflito fé vs. razão, o contratualismo como justificativa da vida em sociedade, a ingerência política em questões religiosas (que logo se converteu em perseguição anti-religiosa) etc. Vejamos o que diz Eric Voegelin das contribuições de Lutero à modernidade:
albertoleopoldo#448
"1. Destruíra o núcleo da cultura espiritual cristã ao atacar a doutrina da fides caritate formata (a fé informada pela caridade). Reduzira a fé a um ato de confiança ao retirar-lhe a intimidade da graça, sempre exposta às tentações do orgulho e da soberba. A consciência empírica da justificação pela fé cria uma ruptura na natureza humana.

2. Destruíra a cultura intelectual ocidental ao atacar a Escolástica aristotélica. Se o esplendor medieval foi escurecido pelas lentes torpes dos modernos, parte da responsabilidade deve-se a Lutero. A sua atitude anti-filosófica criou o padrão depois agravado por sucessivas gerações de intelectuais Iluministas, positivistas, marxistas e liberais.

3. A justificação sola fide arruina o equilíbrio da existência humana. A idéia do paraíso de amor industrioso transferiu a ênfase da vita contemplativa para a ideia de realização humana através de um trabalho e de um serviço útil. O homem confia em Deus; depois vai à vida. No nosso tempo, esta atrofia da cultura intelectual e espiritual degenera no pragmatismo do sucesso.

4. Fala-se de Lutero como de alguém que possuía as virtudes e os vícios típicos do alemão. Mas se pensarmos, para só referir teólogos, em Alberto Magno, Eckhardt, Tauler, Nicolau de Cusa e o anónimo de Frankfurt, então ele nada tinha de germânico. Criou certamente um tipo humano: o revoltado voluntarista que deseja impor a sua razão como o centro da ordem institucional.

A sua obra é a manifestação de uma personalidade bizarra cuja força vital o faz romper com a história e lançar-se sozinho contra o mundo
". (Eric Voegelin, A História das idéias políticas, Cap. Martinho Lutero).
albertoleopoldo#449
Perceba que não se quer dizer que estivesse Lutero plenamente ciente de todas as consequências que viriam no esteio de suas doutrinas. Frequentemente o chocavam notícias sobre a falta de unidade e decrepitude moral nas comunidades de "cristãos evangélicos". Mas uma vez plantadas as sementes de seu ideário, nada podia fazer a não ser vê-las germinar e dar frutos (o que não quer dizer, por outro lado, que fosse o próprio Lutero homem pacífico e equilibrado). Não digo que todos os "reformadores" pregassem a revolução social, a completa reconstituição da sociedade e a reforma da natureza humana. Seria, certamente, falso. A "Reforma" foi, antes de tudo, uma revolução religiosa e espiritual. Mas abriu certamente o caminho para o surgimento das idéias da revolução social propugnada por iluministas e bolcheviques.

E a Igreja Católica não adere a progressismos de esquerda. Ou bem Olavo de Carvalho cometeu um descuido, ou está pensando nas teses anti-conciliares (como pacto de Metz, infiltração maçônica no Vaticano etc.) com que simpatiza, mas são bastante questionáveis. Em todo o caso, mesmo os defensores da invalidade do Vaticano II e do sedevacantismo atribuem a "corrupção da Igreja" a atitudes modernistas simpáticas ao protestantismo. Em todo o caso, a crítica não procede. Há, de fato, infiltração de quadros da Igreja por socialistas e progressistas, mas isso se dá à revelia da Sé de Roma e do ensinamento magisterial. Com efeito, a associação da teologia com motivos revolucionários se deu primordialmente em meios protestantes, a começar pelas doutrinas milenaristas (que foram primeiro propostas por um jesuíta herege, mas somente encontraram difusão em ambientes protestantes). Nos sécs. XIX e XX houve uma exacerbação dessa tendência, com o surgimento do racionalismo teológico e da teologia radical. Como eu havia falado: o ressurgimento recente dos fundamentalismos bíblicos se constitui numa reação a essa tendência.
albertoleopoldo#450
Não se pode escapar a esse fato: o "católico" que defende posturas progressistas e revolucionários é herege e exclui-se ipso facto da comunhão eclesial. O protestante é incapaz de proferir semelhante condenação, pois está atrelado ao princípio de que deve guiar o indivíduo sua consciência autônoma. Pode até organizar-se em seitas rigorosamente uniformizadoras, mas não pode evitar o surgimento de dissensões. Por isso mesmo disse Gustavo Corção: "O católico que escolhe seus dogmas e seus mandamentos não é católico, é protestante."

Já falei aqui que Peyrefitte, liberal e simpático que é ao protestantismo (como vem sendo ultimamente Olavo de Carvalho). Até admite que o desenvolvimento econômico (que não é o mesmo que desenvolvimento humano) dos países protestantes se fundamenta em características mais arraigadas da cultura daquelas nações, mas atribui a essas mesmas características um certo "espírito aberto" que tenderia a acolher melhor novidades no campo teológico, e portanto o protestantismo. Claro que a "abertura ao novo" pode exercer a sua função no âmbito comercial e industrial, mas dificilmente se pode dizer o mesmo quanto ao zêlo religioso. Além do mais, deixa de mencionar a expansão a ferro e fogo, amparada no poder tirânico dos príncipes, como fundamental fator para a propagação do protestantismo na Europa. Faz também vistas grossas ao infame fenômeno do pauperismo, que acompanhou a revolução industrial sobretudo na Inglaterra, amontoando milhares em cortiços como animais e vitimando principalmente a infância pobre (denúncia célebre da situação são as obras de Charles Dickens). É verdade que, como se costuma argumentar, o próprio desenvolvimento econômico tenderia a atenuar progressivamente a situação, melhorando as condições de vida dos operários. Mas, até que acontecesse, muitas foram as vítimas.

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