O jornal L'Osservatore Romano, de propriedade do Vaticano, definiu neste sábado o escritor José Saramago, morto na última sexta-feira, na Espanha, como "um homem e um intelectual de nenhuma convicção metafísica, permanecendo até o último momento em sua crença teimosa no materialismo histórico, ou melhor, no marxismo". As informações são do jornal italiano La Repubblica.
O artigo, chamado "A (suposta) onipotência do narrador (L'onnipotenza (presunta) del narratore)", também diz que Saramago se colocou "lucidamente na parte do joio em meio ao campo de trigo do Evangelho".
O escritor, ainda de acordo com o artigo, se declarava "insone" ao pensar sobre as Cruzadas ou a Inquisição, mas esquecia de se lembrar dos gulags (campos de trabalhos forçados do regime soviético), dos genocídios e dos samizdat, tentativas de burlar a censura cultural nos países da Cortina de Ferro.
A obra mais conhecida de Saramago, O Evangelho Segundo Jesus Cristo, foi definida pelo jornal como uma "afronta à memória do cristianismo da qual não há o que salvar", em que Jesus "dirige o mundo com um poder sem misericórdia".
"Em uma época em que o uso da tortura era geral nos tribunais penais europeus, a Inquisição espanhola seguiu uma política de benignidade e circunspeção que a deixa em lugar favorável se se compara com qualquer outra instituição. A tortura era emprega somente como último recurso e se aplicava em pouquíssimos casos.”
Esses jornalistas bestas acreditam que a Igreja se encoleriza quando criticada, que baba de raiva quando as atitudes dos outros não é compatível com seu pretenso cinismo, e que os maus sentimentos ficam todos suprimidos por uma "fé burocrática" que torna todo o clero um bando de bestas robotizadas, loucas para queimar vivos os que não concordam com ela.
Bonzinho mesmo são esses jornalistas que falam horrores da Igreja, ou a pintam como uma instituição hipócrita. Tudo de alma impoluta, pura, de espírito reto e santificado. Ora, vão a putaqueoparil!
Ademais, me avisem como uma instituição vive 2000 anos corrompida e de alma podre, hã? Está aí um monstruoso desafio teológico, filosófico, sociológico, político e histórico.
Quando o Saramago ficou magoadinho com o Estado Português por não ter indicado o seu livro o "Evangelho Segundo Jesus Cristo", ele, ao invés de morar em Cuba, o qual ele tanto rasga a seda, mudou-se para a paradisíaca Ilha das Canárias, né? É tipico "esquerdinha caviar": fala bem de Cuba mas vive em lugar onde há liberdade e capitalismo.
Sou um ferrenho defensor do dever moral da pessoa ficar quieta sobre aquilo que não sabe, e ferrenho defensor de responder no nível justo à pessoa que abre a boca para falar o que não sabe.
"Marcos, vc outra pessoa afirmaram que a igreja não se importa com críticas."
Eu não disse isso. Eu disse que a Igreja não se encoleriza e baba de raiva como afirma pela imprensa. Ela se importa com críticas, sim, e faz muito bem, porque tem de se defender contra aquilo que fazem contra ela junto ao público.
mandar matar pelo simples fato de não acreditar em deus é realmente muito misericordioso...
Esta foi simplesmente o máximo. A inquisição condenava a heresia, que consistia em pregar uma doutrina não-católica como se católica fosse. Além do que, só podia ser herege quem fosse cristão, portanto quem não fosse membro da Igreja não poderia incorrer em heresia.
Ninguém mais se lembra dos cátaros, se não fosse eles, talvez nunca se criasse o Santo Ofício, que tempos depois foi usado em muitos casos política e economicamente, deixando o ônus para a Igreja.