Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

livro sobre esposa de Maomé sob ameaça

Iniciado por hiranclair em 06/10/2008 · 230 mensagens · página 3 de 5

uriel#101
.

Troquem a palavra "Brasil" pela palavra "Islam",
as palavras "leis brasileiras" pela palavras "leis islâmicas"
e
"brasileiros" por "muçulmanos"
e então verão que a argumentação da Jenna é exatamente assim.

Totalmente "empírica".
uriel#102
Casamento arranjado não é a mesma cousa que casamento forçado.
Nas sociedades em que há/havia casamentos arranjados (a católica incluisve), se os noivos não quiserem, podem cancelar o casamento ou mesmo anulá-lo (após a celebração deste).

O que ocorre em sociedades tradicionais é que geralmente eles optam por não anular mesmo não querendo-o, para não desagradar os pais.

E na práctica muitos acabavam sendo forçados mesmo (inclusive entre a cristandade).

mas acho que a Jenna e outros nunca ouviram falar em "Romeu e Julieta" ou cousas do gênero. Acham que isso (casamentos arranjados e, na prática, até forçados) é cousa só de muçulmano.

Elas pensam que a história da cristandade começou no início do Século 20 e não há dois mil anos.
orkut_7#103
в૯ทđ૯૨: Eu defendi que Maomé a recebesse em casa, não que tivesse relações sexuais antes da sua maturidade.

Sim, eu compreendo. O que eu queria dizer em resumo é que Maomé, assim como abrigou a jovem, queria casar-se com ela e não cometer um abuso sexual como alguns defendem. Isso é tão insano quanto quando dizem que Maria Madalena foi amante de Cristo, conheço árabes que dizem isso com toda "certeza" de seus corações e eu afirmo o contrário. Já comprei algumas brigas por isso, como os muçulmanos estão fazendo agora com o tal livro, embora com o fanatismo de costume. Abs.
uriel#104
Qual foi o "silogismo" idiota?
Sabe o que é um silogismo?

O silogismo idiota é o seu:
a) ocorrem casamentos forçados no mundo islâmico
b) PORTANTO, a lei islâmica permite casamentos forçados!

A conclusão (b) está errada do ponto de vista lógico (pois o facto de algo ocorrer não necessariamente significa que esteja de acordo com a lei - homicídios ocorrem todos os dias no Brasil e no entanto são proibidos) e está errado factualmente, como o André Luiz já demonstrou e já repetiu várias vezes.

A sua argumentação tem sido demonstravelmente idêntica à caricatura que escrevi, apenas trocando a palavra "leis brasileiras" por "leis islâmicas".

e o que você postou acima sobre infiltração homossexual na Igreja etc é um non sequitur.

Seja mais humilde, mulher.
orkut_7#105
Um polêmico romance sobre uma menina que se CASOU com o profeta Maomé

Me provem, que ela não estava na puberdade e eu "condeno" Maomé ao o Inferno. O politicamente correto não pode ser parâmetro para analisar a atitude do profeta. Quem está inocomodado são as feministas ou os cristãos mais exaltados. Para falar mal de maomé não é necessário esse tipo de mexerico.
orkut_7#106
Desculpe Alexandre, mas o assunto do tópico é a ameaça islâmica à liberdade de expressão, e não a pedofilia do Maomé.

Bem lembrado, mas isso é chover no molhado, um muçulmano está mandando às picas a liberdade de expressão. Olha só, em ZH de hoje o chargista Marco Aurélio desenhou um terço com a foto de Manuela D'Avila (parece que para homenagear um militante do PCdoB recém falecido). Escrevi um e-mail criticando a charge como cristão, sou protestante e o terço é um "símbolo" católico. Colocar a Manuela como icone em um terço é tão ou mais grave do que aquelas fotos da Playboy. Desafio o M Aurélio fazer gracinha com o Maomé.

http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default2…868§ion=1006
orkut_7#107
Ja que estão tão empenhados em defender o seu profeta, deveriam ser vocês a provar que ele transou com ela apenas na puberdade.

Tô fora...
constantor#108
...

Caio,

Assim você vai tornar justificável até argumentos baseados em obras como "o livro negro do cristianismo".

__________

Jenna,

Demonstra aí, sem apelar pra fontes cristãs, que a Santíssima Maria concebeu virgem. Pimenta nos olhos dos outros é refresco.

__________

Muito bons os seus posts, Uriel.

Mas aqui muitos querem por que querem falar mal do Islã. Mesmo que para isso tenham de usar duplos critérios evidentes ou até mesmo critérios progressistas. É mais ou menos como o Rodrigo Constantino, que quer porque quer falar mal da religião, ou como Dawkins e cia. que querem porque querem falar mal do cristianismo.

__________

João,

A liberdade de expressão em relaçaõ à religião deveria ser severamente restringida.

...
orkut_7#109
Depois do que postou o Caio a suposta pedofilia de Maomé não passa de um pecadilho e, se foi verdade, condenável também.
orkut_7#110
Perguntei para um católico o que ele achava da charge e ele ficou a tentar decifrar a mensagem, nem se deu por conta que estava sendo ofendido. Antes de atacar o Islã os cristãos tem obrigação de defender (e comprender) a sua religião.
constantor#111
*D*

Não seja tonto, já se falou por aí que Cristo era bêbedo, comilão, doudo, vagabundo, filho de um romano e que sua mãe era prostituta (segundo alguns pesquisadores sobre o Jesus Histórico). Houve inclusive quem disse que ele tinha pacto com o demo ou que era feiticeiro vindo do Egito!

Os que defendem ou defenderam estas blasfêmias espalham calhordices, claro.

A fonte postada é apenas uma distorção da história muçulmana e da vida de Muhammad.
orkut_7#112
Posso estar enganado, mas você não era luterano não?

Sou luterano (IECLB) pró-católico. Na minha familia tem muitos católicos, inclusive sou casado com uma.
constantor#113
Jenna,

Fico cada vez mais impressionado, minha cara, com a sua teimosia em contornar tudo o que foi dito sobre como a Igreja e as demais sociedades consideravam a puberdade como critério para estabelecer a idade mínima do casamento; como no Islã o casamento tem de ser consensual; como casamento arranjado pelos pais nao era condenado pela Igreja e demais sociedades etc.

Claro que os relatos daqueles que conviveram com Cristo refutam as alegações de que ele tinha pacto com o capiroto, ou que era feiticeiro, ou que sua mãe era uma prostituta etc.

Mas o Corão e a sunna muçulmana, que também remontam aos que conheceram Muhammad, também pode ser usada para desacreditar todas as acusações que vocês fazem sobre ele ou sobre a história do Islã. Os cristãos pensamos que os Evangelhos merecem fé; os muçulmanos confiam em suas fontes.

E esse lance de ficar citando passagens de um livro fora do contexto ou sem auxílio das explicações daqueles que são especialistas sobre a obra é cousa que o Hitchens, ou o autor do "Livro Negro do Cristianismo", também fazem para "demonstrar" a selvageria do cristianismo.
orkut_7#114
Sobre a liberdade de religião ainda não entendi exatamente por que deve ser restringida.

Aqui existe um fundo de razão que dou ao André. O maior inimigo do cristianismo no Brasil exemplo (poderíamos estender isso para o Ocidente), não são os muçulmanos, mas a mídia.
orkut_7#115
E mais absurdo é achar quem defenda tamanha abominacão em pleno seculo XXI./

O Avanço dos séculos não pode ser motivos para condenar ninguém à posteriori.

E a veadagem dos Gregos (isso é especulação)? Estão todos eles no Inferno?
constantor#116
E mais absurdo é achar quem defenda tamanha abominacão em pleno seculo XXI

Típico argumento progressista.

Como eu disse antes, há fatores típicos ao Ocidente contemporâneo que levaram à invenção da adolescência. Mas estes fatores não existiam antes dos últimos dois séculos e não podem ser projetados para outras sociedades.

Caio,

Realmente, how low can you go. Católico-romanos dizendo que a Igreja era selvagem. Ou, pior, dizendo que Muhammad era, mas a Igreja não, mesmo que esta concordasse com aquele quanto ao nosso tema.
orkut_7#117
Há quem diga que isso não é apenas uma especulação, mas um mito. O Filidis me parece que é grego, talvez ele possa trazer alguma luz aos assunto, se bem que isso mereceria outro tópico.
orkut_7#118
Típico argumento progressista[2]

Não quero ficar jogando pedras em ninguém, porque a JENNA age de boa intenção, mas o que condena o homem é o (seu) passado, não o futuro. Precisamos situar os "acusados" no contexto histórico, sob pena de cometer injustiças. Nem se trata de "atenuantes" é obrigatório fazer isso.
orkut_7#119
orkut_7#120
Pois é disso que estou falando, um Deus que se compactua com tamanha monstruosidade, não é Deus e sim Demonio.

Concordo (em tese), apenas creio que se deva ter algum rigorismo histórico também na discussão. No mais, não tenho nada a ver com Maomé (e seus pecados), isso é de "responsabilidade" muçulmana.
orkut_7#121
Alguns tópicos deveriam serem vetados às mulheres. [Momé mode on].
constantor#122
Jenna,

Deus não muda mesmo. Os homens sim.

Um dos problemas para o qual chamei a atenção no seu argumento é que ele é tipicamente progressista: chama todas as civilizações e sociedades e religiões conhecidas na História antes do século XVIII de bárbaras e selvagens por causa de fatores que deram nascimento a uma característica típica do Ocidente contemporâneo. E sem sequer se perguntar se estes fatores são desejáveis eles mesmos.

Repito, dessa vez claramente, que o seu argumento não se baseia no cristianismo. Pelos motivos já elencados.

_____
constantor#123
Caio,

a Igreja Romana era ou não selvagem?
constantor#124
Caio,

Abaixo temos frases de Jesus:

Assim diz Iaweh dos Exércitos: Resolvi punir Amalec o que fez a Israel cortando-lhe o caminho quando subia do Egito. Vai, pois, agora, e investe contra Amalec, condena-o ao anátema com tudo o que lhe pertence, não tenhas piedade dele, mata homens e mulheres, crianças e recém-nascidos, bois e ovelhas, camelos e jumentos."
constantor#125
Ás vezes o indivíduo pensa que está defendendo Cristo e Sua Igreja e está na verdade a trocando por um Voltaire fantasiado de bom cristão.
constantor#126
Ué, Jesus não era Deus durante o reinado de Saul? Deus mudou?
constantor#127
Puro espantalho, Caio. Eu não disse que o Deus do AT envia terroristas. Aliás, Os radicais terroristas não estão em consonância com a ortodoxia islâmica, e sugerir algo parecido, como você muitas vezes faz, é o mesmo que tomar a teologia da libertação como referência do catolicismo romano.

E não há mistério da Trindade que torne válido para um cristão negar que Deus, e portanto Jesus (a maior parte das teofanias do AT são do Filho), deu a ordem acima. Pergunto de novo: Deus mudou? E pergunto: a Igreja era selvagem?
constantor#128
Apenas quis lembrar que o Deus que disse "ama ao teu próximo" também deu aquela ordem a Saul. É pra evitar de vê-lo por contemporâneos olhos humanistas.

E eu já disse mil vezes que um cristão não tem de crer no caráter revelado do islã. O ponto aqui nunca foi este, e sim se Muhammad estava pecando quando casou com Aisha. Os links mostraram que a Igreja adotou a idade de doze anos como mínima para o casamento (a não ser que a puberdade a antecipasse) e o direito canônico continuou a adotá-la até o século XIX (e o Brasil, que o seguia nessa questão, também). Deixo aí aos católico-romanos a decisao honesta sobre se eles podem afirmar ou concordar com alguém que afirma que Muhammad estava pecando por fazer algo que se encaixava perfeitamente numa orientação da Igreja Romana em relação a um sacramento.
marco_11#129
Acompanho.
Boa briga e a jenna está em vantagens pois não vivemos no passado para justificar ou aprovar condutas em descompasso com os direitos e garantias individuais conquistados neste ultimo século.
O resto com disse o Uriel, quando sem resposta para condutas torpes, e tudo conduta tribal ¨não é intrinsico do islamismo¨.Com tanto control v esquece de ler as suras e quando lê quer interpretar com olhos orientais..... isso é impossivel deixa de ser falacioso
Uma grande tribo!!!!!!!!!!.
Quem tem filha de nove anos, imagine um velho babão em cima dela que não seja profeta é claro, sendo profeta está permitido.
constantor#130
*D*

Eu já havia chegado à conclusão sobre a sua ignorância sobre o cristianismo faz tempo, caro. Mas não penso que ela possa ser remediada com esse livro herético de Ratzinger.

Fico impressionado com cristãos que não entendem que o Deus do AT é o mesmo Deus do NT, e que a Trindade nada diz contra isto.
constantor#131
constantor#132
*D*

Errado de novo. O livro é herético por critérios católico-romanos.

Leiam só isso: A cristologia da Igreja é rejeitada por Ratzinger como “uma cristologia triunfalista, que não sabe o que fazer do homem crucificado e do servidor [sic], para inventar de novo, em seu lugar, um mito do Deus ontológico."

Mas isto é apenas para mostrar o quão iludido está quem pensa poder ensinar cristologia se baseando em um livro como esse.

E, voltando a este assunto, porque eu não entenderia nada de cristianismo por dizer que Deus, e portanto Jesus, deu essa ou aquela ordem no AT? Espantalho pouco é bobagem.
constantor#133
ahahaah

*D*, meu caro, você acha que agora pode contestar afirmações alheias com brincadeirinhas como essas.

Você afirmou que não entendo nada do cristianismo porque eu disse que Deus, e portanto Jesus, deu ordens para matar no AT. Justifique sua afirmação.

Pior, você tentou se basear, para ensinar cristologia, em um livro pra lá de polêmico de Ratzinger, em que o sujeito usa e abusa de conceitos de Teilhard de Chardin para compor uma cristologia que diz que Cristo é homem feito Deus.

Grande professor de cristianismo você é.

An-ham? (no dialeto *D*, significa "não é?")
constantor#134
Só não iniciem o festival de ad hominens antes de ler o texto e contestá-lo. Eu também achei o "introdução ao cristianismo" um livro idiota, por exemplo.
constantor#135
Mudou de assunto? Explica-me o mito do Deus ontológico.

Aproveita e explica também:

It now becomes clear that the real heart of faith in the resurrection does not consist at all in the idea of the restoration of bodies, to which we have reduced it in our thinking; such is the case even though this is the pictorial image used throughout the Bible

....

To recapitulate, Paul teaches, not the resurrection of physical bodies, but the resurrection of persons…”

Ratzinger, no "Introdução ao Cristianismo".

_________

Mas por que mesmo o *D* dizia que eu não entendia nada de cristianismo por dizer apenas que o Deus do AT é o mesmo do NT? Até agora, silêncio e "an-hams" como argumento.
constantor#136
Ratzinger, no "Introdução ao Cristianismo", falando mal do Credo Apostólico:

The early Christians, with their cry ‘Our Lord, come’, interpreted the second coming of Jesus as an event full of hope and joy… To the Christians of the Middle Ages, on the other hand, that moment appeared as the terrifying ‘day of wrath’ (Dies irae)…
Perhaps it will have to be admitted that the tendency to such a false development, which only sees the dangers of responsibility and no longer the freedom of love, is already present in the [Apostles’] Creed, in which the idea of Christ’s second coming is reduced, at any rate verbally, to the idea of judgment: ‘He will come again to the judge the living and the dead.’


Mas me diga, *D*, porque eu não entendo mesmo de Cristianismo? Porque eu disse que Jesus, sendo Deus, ordenou isso ou aquilo no AT?
constantor#137
Comentou o que? Disse que é feio e bobo, e o Caio disse que é vale-tudo?

Pois é, a primeira vez que você citou esse livro, não falei nada. Mas tentar dar aula de cristianismo baseado nele, realmente é o fim da picada.

Mas você ainda não disse o que há de errado na minha afirmação de que Jesus era Deus também durante o reinado de Saul.

Será que Teilhard de Chardin explica o meu erro?
constantor#138
*D*

Você quer que eu traduza do inglês, ou quer que eu cite da edição em português?
constantor#139
Que resposta você me deu? Dizer que Ratzinger defende o credo apostólico quando ele o critica literalmente? Se quiser, eu traduzo do inglês pra você.

Aprenda, *D*, risos não são contestações. "ah-hams" não são argumentos. E frases tipo "já vi que você não entende nada de cristianismo" não são demonstrações.
constantor#140
Qualquer um tem o livro, bobão, ele se acha até na internet.

Só me falta agora você achar que entende de Cristianismo porque TEM um livro de Ratzinger.

Mas reparei que você ainda não explicou o que há de errado na minha consideração de que Jesus era Deus também durante o reinado de Saul, já que Deus não muda. Vai demorar muito?
constantor#141
O livro de Ratzinger, para você que talvez não o tenha entendido, é marcado por uma cristologia marcada pelas idéias evolucionistas de Teilhard de Chardin. O contexto em que foi escrito era marcado por uma intensa busca, de alguns teólogos, de reler as bases da doutrina católico-romana.

Ratzinger afirma no livro disparates como os abaixo:

ngimos aqui o ponto em que podemos tentar uma síntese do que temos em mente com a confissão: "Creio em Jesus Cristo, Filho unigênito de Deus, nosso Senhor". Após tudo o que se disse até aqui, eis o que se poderia dizer em primeiro lugar: Fé cristã crê em Jesus de Nazaré enquanto o homem exemplar – assim poderia reproduzir-se objetivamente a expressão paulina "o último homem" há pouco citada. Mas, justamente como o exemplar, como o protótipo, Cristo ultrapassa o limite do "ser-homem", assim e só deste modo ele realmente é o homem exemplar. Pois o homem está dentro de si tanto menos, quanto mais está no outro. Volta a si somente afastando-se de si. Só pelo outro e pelo existir no outro ele chega a si.
O que vale, finalmente, em último e mais profundo sentido. Se o outro for apenas alguém, pode transformar-se em autoperdição do homem. Em última análise, o homem está sintonizado para o outro, para o realmente outro, para Deus; está em si tanto mais, quanto mais estiver no completamente outro, em Deus. Portanto, ele é todo ele mesmo, se cessar de estar em si, de fechar-se em si, de afirmar-se a si, se tornar-se a pura abertura para Deus. Dito ainda de outro modo: o homem chega a si, ultrapassando-se a si. Ora Jesus Cristo é o homem que se ultrapassou a si e que assim chegou completamente a si.

(...)
constantor#142
Até agora tentamos compreender, a partir da idéia do "homem exemplar", aquela primeira ultrapassagem fundamental do que é próprio, a qual a fé conhece como determinativa para a figura de Jesus, a saber, a que reúne, nele, o ser-homem com o ser-Deus, em uma unidade. Contudo, já aí ressoava uma ulterior ultrapassagem. Sendo Jesus o homem exemplar, no qual se revela plenamente a verdadeira figura do homem, e com ele a idéia de Deus, não pode, em tal caso, estar destinado a figurar como exceção absoluta, como uma curiosidade, em que Deus nos demonstra o que é possível. Em tal caso, a sua existência interessa à humanidade inteira. O Novo Testamento torna-o reconhecível, chamando-o de "Adão"; [191] na Bíblia o termo exprime a unidade da natureza inteira do homem, de forma que se fala do conceito bíblico de uma "personalidade corporativa"25. Ora, ser Jesus chamado "Adão" denota que está destinado a concentrar em si a natureza inteira de Adão. O que significa: aquela realidade, hoje em grande parte inconcebível para nós, que Paulo denomina de "Corpo de Cristo", representa um postulado interno dessa existência que não pode permanecer como exceção, mas deve atrair e "concentrar em si" a humanidade inteira (cfr. Jo 12,32).
Impõe-se reconhecer como importante mérito de Teilhard de Chardin o ter repensado essas interligações do ponto de vista da hodierna cosmovisão e, não obstante certa perigosa tendência para o biológico, tê-las compreendido corretamente, em seu conjunto e, em todo caso, tê-las tornado de novo acessíveis. Ouçamo-la! A mônada humana "somente pode tornar-se ela mesma, se cessar de estar sozinha"26. A ressoar nos bastidores deve-se, escutar a idéia de que no cosmos, ao lado das duas ordens do infinitamente pequeno e do infinitamente grande, existe uma terceira ordem que determina a torrente da evolução: a ordem do infinitamente complexo. Nela está a meta propriamente dita do processo ascendente do devir; ela alcança o seu primeiro ponto culminante no aparecimento da vida, para, a seguir, avançar
constantor#143
continuamente até aquelas formas altamente complexas que conferem ao cosmos um novo centro: "Por mínimo e ocasional que seja o lugar ocupado pelos planetas na história dos corpos celestes, eles formam, em última análise, os pontos vitais do universo. [192] Através deles, passa agora o eixo, neles se concentra, daqui por diante, a tendência de uma evolução dirigida sobretudo para a formação de grandes moléculas"27. Considerar o mundo sob o ponto de vista da escola dinâmica da complexidade denota "uma total inversão dos valores, uma inversão de perspectiva"28.
Mas tornemos ao homem. Até aqui ele representa o máximo em complexidade. Mas, como pura mônada-homem, é ele incapaz de representar um fim; seu próprio devir postula um ulterior movimento de complexidade: "Não representa o homem, simultaneamente, um indivíduo (= uma "pessoa") centrado relativamente a si e um elemento relacionado com alguma nova e mais alta síntese?"29. É o mesmo que dizer: por um lado, o homem já é um fim que não pode mais sofrer recuo, não pode mais ser desfeito, e, contudo, no lado-a-lado com os indivíduos, ele ainda não chegou à meta, mas se revela como que um elemento a ansiar pela plenitude que o envolva sem destruí-lo. Tomemos mais um texto para ver em que direção levam tais idéias: "Em antítese com as hipóteses ainda válidas na Física, o estável encontra-se não em baixo – no infra-elementar – mas em cima – no ultra-sintético"30. Portanto, deve constatar-se "que nada mais confere às coisas firmeza e conexamento do que seu entrelaçamento a partir de cima"31. Creio estar-se aqui frente a um pensamento muito central: a imagem dinâmica do mundo destrói neste ponto o conceito positivista, tão familiar a todos nós, que vê o estável exclusivamente na "massa", na matéria dura. O mundo afinal é construído e conectado "de cima"; isto se torna visível de uma maneira que se parece tão [193] impressionante, pelo fato de estarmos tão pouco familiarizados com ela.
Daqui, se abre o caminho para outro texto, visando, ao menos, indicar a visão total
constantor#144
do nosso ser, de uma limitação monádica; o homem no qual personalização e socialização não se excluem mais, mas se [194] confirmam; aquele homem em quem a mais elevada unidade – "Corpo de Cristo", diz Paulo, e mais radicalmente: "todos vós sois um só em Cristo Jesus" (Gál 3,28) – e a mais sublime individualidade são um; aquele homem, no qual a humanidade toca o seu futuro e torna-se, em grau supremo, ela mesma, porque, por ele, toca o próprio Deus, participa dele, alcançando deste modo a sua mais peculiar possibilidade.

_________

Te apontar os erros?Achei que você conhecia profundamente cristologia.

Aliás, você não está esquecendo alguma coisa? Como por exemplo explicar onde está o meu erro na afirmação de que Jesus era Deus durante o reinado de Saul?
constantor#145
Caio,

Então vá descansar e volta pra dizer algo diferente de ad homines e especulações sobre conspiraçoes perenialistas.

Inté
constantor#146
E para quem quiser se aprofundar um pouco na polêmica em torno desse livro de Ratzinger e da falta de retratação do atual papa dos erros teológicos que nele constam:

[http://www.remnantnewspaper.com/archives/archive-2006-0430-tissier.htm]

Mas isso para quem quiser se aprofundar no tema, e não para quem o nega com "an-hams"

________

*D*

A pretensão do livro é reexplicar o credo apostólico segundo os parâmetros da Nova Teologia da década de 1960, meu caro. Ler os subtítulos apenas não vai te dizer nada a respeito da obra.
constantor#147
E, claro, depois não esqueça de responder qual o erro na minha afirmação de que Jesus era Deus também durante o reinado de Saul. Espero que ela não seja demais pro seu caminhãozinho.

Abraços
constantor#148
p.s.: não *D*, você não entendeu a crítica do site da permanência e a do bispo entrevistado do link. Mas talvez lendo este último, e os comentários que vários fiéis fazem à entrevista, você entre na questão.

De todo modo, até mais ver.
constantor#149
Olá David

Não pretendo fazer nenhuma crítica maior ao livro do que as que já fiz aqui, caro, até porque o tema do tópico é outro. O link que te passei com a entrevista de um bispo e comentários a ela dão uma noção dos problemas com os escritos de Ratzinger daquele tempo. E o problema da cristologia dele, para o qual chamei a atenção, é a leitura da mesma pelos olhos de uma teologia evolucionista, do devir, influenciada por teilhard de chardin.

Abraços
constantor#150
Esse recado de Cristo era pra "selvagem" Igreja Romana, Caio?

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