Claro que vale para todos, Clodoveu!
Todos somos igualmente pecadores. Somos maus por natureza!
O problema é que a militância gayzista insiste em colocar o pecado do homossexualismo ACIMA disso. Aliás, não é nem para ser considerado pecado! Uma conduta que não pode ser criticada de maneira alguma!
Seguindo essa "lógica", o pecador contra a castidade heterossexual continua sendo pecador, continua passível de críticas, enquanto que o pecador homossexual recebe uma "blindagem dignificadora" pelo simples ato de praticar o vício do sexo anal ativo e/ou passivo, com quantos parceiros quiser.
As pessoas que se divorciam geralmente se casam de novo ou pelo menos se ralacionam sexualmente com outra,e Jesus chama isso de ADULTÉRIO,o que pode ser também,segundo a visão bíblica chamado de FORNICAÇÃO.
Além disso,muitos dos casais que se divorciam tem filhos e,muitas vezes o divórcio dos pais tem consequências devastadoras na vida dos filhos.
Ou seja,o divorcio apesar de ter implicações religiosas e sociais bem mais graves do que a simples vida sexual de um gay,é visto com olhos bem mais condescendestes pelas igrejas.
(1)Já ouvi católicos fervorosíssimos minimizando a questão do divórcio,achando argumentos e motivos práticos pra se abrir brechas nesse mandamento de Jesus.Agora,esses mesmos católicos fervorosíssimos quando a questão é homossexualidade são completamente intransigentes,e não admitem argumentação.
(2) Não é nada difícil se entender o porquê. É que a partir de um certo momento da vida,lá pelo começo da adolescência,a condição sexual da pessoa fica claramente definida,e depois disso não há mais perigo de alguém "virar" homossexual,daí é fácil demonizar a homossexualidade,afinal não há mais riscos de se acabar virando um gay.
(3) Já na questão do divórcio,ninguém está livre de se casar com um pessoa,se desiludir e querer desfazer o casamento,por isso,apesar da desaprovação explicita de Jesus ao divórcio,sempre dão um jeito de criar uma "brechinha",ou uma "porta de emergência",caso o barco do casamento comece a afundar.
(4) Seria o DIVÓRCIO menos grave que a homossexualidade?
Comecemos pelo fim.
A pergunta (4) está mal-formulada. Por que?
Pois como cristão que você professa ser, deveria saber que a questão (1) está objetivamente contra a doutrina da Igreja, e que os que assim agem o fazem de má fé e viesados por um interesse próprio.
Isso se confirma na citação (3). De fato, o homem quando pode obter alguma vantagem acerca daquilo que lhe é interessante, porcura brechas até na Bíblia para tentar legitimar o ato. Já na questão (2), quando a sexualidade já está definida, isso também é, objetivamente, uma decorrência natural da natureza humana. É natural que o ser humano se defina sexualmente na adolescência.
Agora percebe a inversão que fazes. Quem toma uma decisão baseada em um ato plenamente natural está sendo viesado, ao passo que quem toma uma decisão em consideração aos seus propósitos mesquinhos e egoísta, esse está no seu direito moral. Ora, é claro que é o contrário. Não se pode falar de "demonizar" um princípio se este é mais clarevidente à mente da pessoa do que outro que representa mais um incômodo do que uma constatação hormonal.
Ademais, não se trata do que é mais ou menos grave. Ambos os pecados sao igualmente graves à luz da doutrina católica. Menos ainda se trata de se sentir no direito de criar "brechinhas" para justificar um erro só porque um vasto grupo comete o mesmo erro em outro problema.
É claro que Cristo não podia contestar a autoridade dos fariseus e escribas, como intérpretes e defensores da lei que Ele não veio ab-rogar, senão completar (nisso até mesmo antecipava uma crítica aos protestantes que viam na corrupção do clero a legitimação da apostasia). A idéia paulina de que a letra mata, o espírito vivifica é plenamente coerente com as palavras de Cristo, que no Sermão da Montanha apontava explicitamente para a caducidade de certos preceitos concretos da Lei, e mais de uma vez (nos Evangelhos) condenou o divórcio, permitido pela legislação mosaica. Os cristãos aceitam os escritos paulinos como canônicos, e portanto reconhecem em S. Paulo um intérprete "mais que" autorizado. Ademais, as prescrições morais da Nova Lei encontram em geral sua justificação na própria lei natural. Por isso o Apóstolo das gentes pode escrever:
"Os pagãos, que não têm a lei, fazendo naturalmente as coisas que são da lei, embora não tenham a lei, a si mesmos servem de lei; eles mostram que o objeto da lei está gravado nos seus corações, dando-lhes testemunho a sua consciência, bem como os seus raciocínios, com os quais se acusam ou se escusam mutuamente. Isso aparecerá claramente no dia em que, segundo o meu Evangelho, Deus julgar as ações secretas dos homens, por Jesus Cristo." (Rm 2, 14-16)
É natural a um judeu (ou judeófilo) atribuir maior peso ao Pentateuco que às epístolas paulinas. Quanto a se julgar mais seguro a respeito da "verdadeira doutrina de Cristo" que seus apóstolos e discípulos é uma reivindicação consideravelmente mais questionável.
Quanto à questão das traduções, o problema é mais complicado. É certo que a versão das Escrituras corrente na época dos apóstolos era bastante próxima da Septuaginta. A acusação de manipulação é leviana. A subsunção de conceitos distintos mas de algum modo próximo sob um só vocábulo de uso mais corrente ou mais determinado é um recurso bastante justificado numa tradução, especialmente quando a raízes dos dois idiomas distanciam substancialmente. A
tradução de inúmeros termos na Vulgata, por exemplo, é bastante questionada, e por isso embora ela tenha servido sempre de modelo, nunca foi tida por definitiva. Em algumas Bíblias "de estudo", há um detalhamento considerável dessas controvérsias de tradução.
E aliás, não é em todos os trechos que as traduções cristãs assumem essa atitude "pudica" que você atribui à tradução do Cântico dos Cânticos (em que a obscuridade do vocábulo original pode perfeitamente ter facilitado a tradução "mais leve" por prudência).
Da mesma forma, o sentido de uma expressão tenderá a variar com o uso. As línguas naturais não contam com modelos semânticos fixos. Nada há de particularmente desonesto ou "hipócrita" em estender o sentido de "fornicação" a toda relação extra-marital, especialmente em se considerando a gravidade moral atribuída pelo Cristianismo ao sexo extra-marital.
Em tempo, meu bom senso me faz pensar que nenhum Evangelista coletou um discurso de Jesus censurando a homossexualidade justamente porque a prática homossexual era indiscutivelmente tida como abominável, logo não havia "viadagem" tanto como havia possessão demoníaca, ceguerira ou lepra. Jesus não precisaria discursar a respsito do óbvio. Aliás, foi apenas por questionamento dos fariseus sobre a carta de divórcio de Moisés que Jesus teve a deixa de falar da indissolubilidade do matrimônio. Em geral, seus discursos sempre se davam em resposta aos questionamentos da época. Por exemplo, Jesus curava pessoas no sábado, mas só veio a pregar a respeito dessa legitimidade após ser questionado (mesmo que no interior dos corações de quem o observava).
Agora percebe a inversão que fazes. Quem toma uma decisão baseada em um ato plenamente natural está sendo viesado, ao passo que quem toma uma decisão em consideração aos seus propósitos mesquinhos e egoísta, esse está no seu direito moral. Ora, é claro que é o contrário. Não se pode falar de "demonizar" um princípio se este é mais clarevidente à mente da pessoa do que outro que representa mais um incômodo do que uma constatação hormonal.
É claro que a leitura cristã do texto bíblico vai diferir significativamente daquela do judaísmo. E é claro que a moral sexual tem um peso muito mais forte no Cristianismo do que na maioria das tradições espirituais do mundo. Mas afirmar que "o sexo assumiu o posto de pecado maior" (quando não é pecado exceto quando praticado fora do matrimônio e das condições morais de justiça e temperança - e eu já imagino um riso sardônico nos lábios do pessoal que sente um enorme regozijo por não compartilhar dos escrúpulos sexuais dos carolas à simples menção desses dois termos) é outra leviandade sua.
O sexo é tão importante para o Cristianismo justamente porque é sagrado. Tão sagrado é que uma obra que é literalmente um poema erótico é lido em sentido espiritual como uma declaração de amor de Cristo pela sua Igreja. Tão sagrado que é o instrumento para a mais perfeita participação do ser humano, neste mundo, com o Mistério do Criador, pela geração da vida. Como se não bastasse, o ato conjugal tem um profundíssimo sentido escatológico, e a própria celebração da Eucaristia é dita o "banquete nupcial" do Cordeiro, que antecipa a união mística da Igreja com Cristo no final dos tempos, a suprema realização dos propósitos do Universo. É claro que uma ação dessa importância e magnitude não pode ser vivida "de qualquer jeito", e a sua corrupção é matéria de falta gravíssima. Chame de "obsessão" se quiser, mas certifique-se de que é uma "obsessão" essencial e permanente. Quem não a entende perde boa parte do que é o sentido central do Cristianismo.
Opa! Heresia protestante de inspiração gnóstica à vista. Não podemos ser maus por natureza, posto que a nossa natureza foi criada por Deus (e aliás como o sumo bem da Criação na ordem do mundo).
Somos maus (e isso todos o somos) pelo pecado, que é muito mais uma ofensa à natureza segundo a qual fomos criados (que se ordena, em úçtima instância, à vida beata).
Se a nossa natureza fosse má, aliás, o Filho não poderia compartilhar dela e o dogma da Imaculada Conceição iria para o beleléu.
O problema de vcs é que vcs pensam que resolvem a vida das pessoas através de vomitórios de palavras.
A homossexualidade é um fato concreto,pode-se escrever um trilhão de livros,tratados,textos que ainda assim haverá pessoas homossexuais tendo que viver suas vidas e buscar sua felicidade.
Aliás,palavrório é o que vcs mais gostam.Percebi que em todo o tempo que estou nesse tópico,não mais do que uma ou duas pessoas me fizeram alguma pergunta sobre o que eu sinto ou vivo,pelo contrário,todo mundo quer me ensinar o que é homossexualidade e como eu devo viver e pensar.
Tenho absoluta certeza de que a maioria daqueles que se metem a criticar os homossexuais nunca se interessaram de saber nada da vida dos mesmos,mas todo mundo quer dar um palpite.
Gilberto, aí você complica as coisas. Primeiro, diz:
(1) O problema de vcs é que vcs pensam que resolvem a vida das pessoas através de vomitórios de palavras.
E depois:
(2) Tenho absoluta certeza de que a maioria daqueles que se metem a criticar os homossexuais nunca se interessaram de saber nada da vida dos mesmos,mas todo mundo quer dar um palpite.
O que você em (1) chama de "vomitórios de palavras" eu chamo exatamente de "abstenção de juízos pessoais". Se eu não lhe perguntei neste tópico o que você sente, foi unicamente porque estamos discutindo o fenômeno da homossexualidade, e não a sua vida. Isso apenas destoaria o debate. Em contrapartida, em (2) você é que faz um grave juízo de valor a todos os participantes deste tópico, admitindo certeza absoluta que cada um, individualmente, não se preocupa com as dificuldades do próximo.
Os colegas me permitam um pouco de proselitismo cristão. E me perdoem se me excedo.
Caro Gilberto,
Se o pecado não fosse uma realidade, não haveria motivo para o sacrifício de Nosso Senhor Jesus Cristo.
O fato de que algo "é uma realidade" e "nunca cessará de ser uma realidade (enquanto o mundo for mundo)" não serve, de nenhuma maneira, de legitimação para essa mesma coisa.
Eu entendo que a sua situação pode ser difícil, angustiosa etc. Eu entendo que pode ser uma inclinação dificílima de superar, mas, como católico, você tem o dever de tentar.
Pode ser que você não consiga. Pode ser que você consiga por um tempo e tenha recaídas. Mas a cada queda, as veneráveis mãos de Nosso Senhor estarão sempre estendidas para erguê-lo novamente. Mas somente se, ao invés de buscar justificar-se, você reconheça o seu pecado, confesse-o e se abra para receber a Graça reparadora através do sacramento da Penitência. O que importa é que você seja constante em seu propósito, reconheça suas fraquezas, assuma as suas faltas e se entregue à disposição da misericórdia divina, que não conhece limites e não o condena pelo que você tenha feito, desde que se tenha sinceramente arrependido e assumido o propósito de não mais fazê-lo.
Você não é "desprezível" ou "demonizado" aos olhos de Deus. Você é um filho amado por quem ele muito zela, e que deseja ver salvo, na companhia dos santos.
Gilberto, eu acho que o principal é sempre querer mudar o homossexual, trazer ele para a naturalidade do heterossexualismo. Isto eu considero inegociável.
Mas se o gay ou a lesbica não quer mudar e quer continuar no erro, tudo bem, mas que ele ou ela saibam que estão no erro, que seria melhor para eles e para todos se mudassem.
Na verdade quanto a questão do chamado "casamento" gay até hoje eu ainda não tomei uma decisão, mas a principio não sou contra. Até porque considero uma atitude pouco feminista obrigar uma mulher a casar com um gay, e também porque reconheço que é obviamente melhor que um gay seja monogâmico e fiel do que promiscuo. Se possuir direitos patrimôniais lhe auxilia para isto, então que assim seja.
Entretanto eu não sou ingênuo em não perceber que toda e qualquer concessão ao movimento gay é logo elevada a condição de direito natural, para servir de alavanca para obter outros supostos direitos.
Eu repito, não existe um direito ao erro, o que existe é uma tolerância ao erro. E é ai que mora o problema, toda e qualquer tolerância é logo elevada a condição de direito natural pelo GLS, e quando você eleva um direito não natural a condição de natural, os outros verdadeiros direitos naturais da pessoa humana são logo rebaixados a condição de não naturais e ilegitimos.
Este é o objetivo do GLS, elevar a exceção a condição de regra, o que obviamente implica em rebaixar a regra a condição de exceção.
É uma orientação explícita da Igreja que cremos ser fundada pelo próprio Senhor de todo o Universo e a cujo lado Ele prometeu que estaria todos os dias até a consumação dos séculos, asseverando-lhe a autoridade de "abrir e fechar" na Terra com a garantia de que se "abriria e fecharia" também no céu, e contra a qual prometeu que as portas do inferno jamais prevaleceriam. Se alguém tem alguma autoridade neste mundo para falar sobre isso, é ela. E é à sua voz (e não à minha ou a de Lucas) que você, como católico que se diz ser, deveria ouvir.
Pode ter certeza de que Nosso Senhor conhece o seu coração melhor até do que você mesmo. E que as promessas que Ele faz não são em vão.
Não é uma necessidade "trazer o homossexual ao heterossexualismo", posto que isso nem sempre é possível (ou se é, é controverso que se conheçam todos os meios de fazê-lo).
O Catecismo da Igreja Católica diz:
§2359 As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.
Se for possível, mediante um tratamento, lograr uma correção das inclinações, poderia ser uma solução em que o sofrimento fosse consideravelmente anuviado. Mas o que realmente importa, do ponto de vista da religião, é que o indivíduo nunca perca a fé e seja constante em sua disposição de evitar o pecado.
A heterossexualidade em si não é, aliás, nenhuma garantia de salvação. O heterossexual pode acumular pecados mais graves do que o homossexual.
eu não lhe perguntei neste tópico o que você sente, foi unicamente porque estamos discutindo o fenômeno da homossexualidade, e não a sua vida
Nessa frase vc sintetiza bem as coisas.
Esse é o grande problema,vcs não querem saber sobre a VIDA DAS PESSOAS,vcs querem manifestar os seus pontos de vista,as idéias prontas com as quais vcs se sentem muito confortáveis,não importa qual a relação delas com a VIDA REAL das pessoas das quais vcs falam.
Gilberto, você quer mesmo expor a sua vida em um fórum píublico de discussões, ainda mais a respeito de um tema tão íntimo? É isso mesmo que VOCÊ quer?
Por favor, entenda de uma vez que o fato de não nos atermos a detalhes pessoais da vida de cada um (no caso, a sua), é justamente para privá-la, e para que a reflexão se faça de forma imparcial.
Por mais difícil que seja sua situação, você não está moralmente dispensado de ter a coragem de encarar os fatos de forma imparcial e universal. Também não tem o direito de pensar que, porque não recebe tratamento especial, ninguém se importa com você.
Eu também tenho muitos desejos irregulares. Minha disciplina moral é bem frouxa, pois eu passei um bom período da minha vida não dando a mínima importância para a maior parte dos escrúpulos morais. Eu desejo freqüentemente uma porção de coisas que não prestam, eu faço uma porção de coisas erradas, caio, me arrependo e caio de novo e de novo nas mesmas faltas. Também não acho fácil me disciplinar, me corrigir, agir da forma que devo agir. Agora mesmo eu estou com uma tonelada de pecados nas costas e nem sequer crio vergonha pra ir me confessar.
Ninguém aqui tá dizendo que é fácil, colega. Nós sabemos que não é. Não sei se pra você é mais difícil, talvez seja, mas Deus nunca põe em nossas costas um fardo que não possamos carregar. Se fraquejamos e cedemos e nos recusamos a tocar o caminho em frente a culpa é nossa, e devemos reconhecê-la e apelar para o auxília dAquele que pode nos tirar seguramente do sufoco, pois não há nada que Ele não possa.
O problema não é que não estejamos levando em conta as suas dificuldades e os seus tormentos. O problema está em que você se obstina em querer se justificar e se considerar certo, quando você sabe perfeitamente bem que a Igreja encarregada por Cristo de pastorear o Seu rebanho afirma que está errado. Não é de hoje que existem homossexuais, sempre os houve, e, desculpe dizer, não é pelo seu caso particular que a Igreja vai rever uma posição que está firmada há dois milênios.
Não sei se pra você é mais difícil, talvez seja, mas Deus nunca põe em nossas costas um fardo que não possamos carregar.
Lembrei de algo que pensava há alguns dias e até pensei em postar aqui, mas estava esperando as coisas se acalmarem.
Gilberto,
dado que o que o Alberto escreveu acima é uma verdade bíblica, o fato de Deus ter lhe confiado uma cruz tão pesada só pode, univocamente, constatar uma coisa: você é muito, muito mais forte do que imagina ser.
Oxalá Deus me provesse com cruz tão pesada. Oxalá pudesse eu ter a certeza que sou forte o suficiente para carregá-la. Creio não ser, e por isso mesmo é que não fui provado com algo semelhante.
1. De "x é um fato", não se segue "x é legítimo" ou mesmo "x é de pouca gravidade".
2. A proverbial devassidão dos romanos não era tão universal quanto se pode hoje, descuidadamente, julgar. Houve períodos em que a dissolução moral era mais acentuada (especialmente na aristocracia), e isso não deixava de ser visto como escândalo pela população em geral.
3. Do fato de não se encontrar uma condenação explícita ao homossexualismo nas palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo reproduzidas pelos quatro evangelistas, isso não significa em absoluto que Ele o tenha aprovado (ou tido por pouco grave). Aliás, se você não acredita que São Paulo foi um deturpador da doutrina de Cristo, como o colega Pedro, você lerá algo assim na carta aos Romanos (cap. 1):
24. Por isso, Deus os entregou aos desejos dos seus corações, à imundície, de modo que desonraram entre si os próprios corpos.
25. Trocaram a verdade de Deus pela mentira, e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito pelos séculos. Amém!
26. Por isso, Deus os entregou a paixões vergonhosas: as suas mulheres mudaram as relações naturais em relações contra a natureza.
27. Do mesmo modo também os homens, deixando o uso natural da mulher, arderam em desejos uns para com os outros, cometendo homens com homens a torpeza, e recebendo em seus corpos a paga devida ao seu desvario.
28. Como não se preocupassem em adquirir o conhecimento de Deus, Deus entregou-os aos sentimentos depravados, e daí o seu procedimento indigno.
5. Escrevi aqui antes: (...)eu julgo muito mais grave (moralmente falando) do que a prática da homossexualidade (de vez que na maioria dos casos será gerada pela exposição a circunstâncias anormais) a sua defesa, e mais ainda sua promoção. Já é um absurdo criminoso pretender tornar a prática homossexual uma conduta regular, normal, uma "maneira de se buscar a felicidade como todas as outras", sem alertar as pessoas dos grandes riscos e problemas envolvidos. Em vista disso, chega a ser surreal a tentativa de equiparar esse tipo de conduta ao matrimônio como fonte de direitos como o de constituir família e adotar crianças, ou de lhe assegurar pela força da lei a total imunidade a críticas.
6. Do fato de que os promotores de tal situação sejam culpados em grau mais alto não se segue que os homossexuais sejam desprovidos de culpa ou culpados em um grau exíguo. Basta que se olhe para as palavras de São Paulo.
Abstinência é uma faca de dois gumes. O rei David se apaixonou por uma vizinha, teve um caso com ela e a engravidou enquanto seu marido militar estava em uma batalha. E agora? Naquela época a esposa infiel seria condenada à morte por dilapidação e David estava apaixonado por ela. A solução encontradapor ele foi mandar buscar o esposo do campo de batalha imediatamente, porque assim voltando, ele poderia pensar que o filho era dele, mas teve um imprevisto, um soldado quando em campanha fazia voto de abstinência e o plano de David foi para o ralo. Só tinha uma solução, mandar o cara para a frente de batalha mais renhida, onde aumentava as chances de ele morrer, o que aconteceu. Finado o esposo. David casou-se com a bela viúva. A vida do rei David é impressionante pela mescla de grandeza e baixesa que um ser humano pode experimentar, não é à toa que ele tem o epíteto de "o Homem".
1) Eu quis dizer que o sujeito se define sexualmente na adolescência; apenas quis repetir (exatamente como nos outros pontos, essa era a ideia) o argumento do Gilberto, de que a partir de uma certa a idade o sujeito já está esclarecido sobre esse aspecto da sua vida e já tomou uma decisão. Somente isso.
2) Eu comparava o pecado de adultério com o do homossexualismo, e não ambos com todos os demais. Disse que são igualmente graves porque tratam ambos da natureza sexual dos indivíduos. Embora o homossexualismo tenha raízes mais complexas e alheias à inclinaçào natural, o objeto é essencialmente o mesmo do adultério: a luxúria.
3) Até onde sei Jesus teve pouco contato com a civilização romana. Que podemos saber biblicamente, quando curou o servo do centurião, e na sua paixão. A idolatria ainda era uma constante nas religiões de dissidência babilônica, mas poucas vezes vamos Jesus tratar dessa questão.
"Entretanto, legalmente falando, o divorcio e o homossexualismo são legitimos, se são legitimos, não cabe julgar sua gravidade."
Errado. Tampouco da legalidade positiva de algo se segue a sua legitimidade moral. Ou então não poderia haver leis injustas, e mergulharíamos no âmbito do estrito juspositivismo (incompatível, em todo o caso, com a doutrina cristã).
Seu segundo ponto consiste na adoção de uma postura contratualista como determinante da gravidade moral. Desta forma, o incesto consentido não poderia ser considerado "grave", por exemplo.
Não existe uma tal correspondência. O que determina a gravidade de um pecado é a sua matéria (i.e., o aspecto envolvido: pecados contra a castidade são por definição de matéria grave) e a intenção consciente e deliberada.
e, desculpe dizer, não é pelo seu caso particular que a Igreja vai rever uma posição que está firmada há dois milênios.
É isso mesmo, mas a "rapaziada" não compreende, tal como fez o garoto daquele filme com o John Travolta ("Tempos da Brilhantina" eu acho) que engravidou a namorada e colocou na cabeça que o Papa poderia autorizar o aborto. Finda suas esperanças consultando um seminarista (irmão do personagem de Jonh Trabolta), se suicidou.
Em primeiro lugar, não existe nenhuma obrigatoriedade do prazer sexual, ou o "direito fundamental ao prazer sexual" (e, ao que parece, você pretende que deveria haver até mesmo um certo direito "metafísico", "existencial" a ele). A sexualidade existe para ser vivenciada no matrimônio e observando os aspectos unitivo e procriativo do ato conjugal. A sexualidade é uma questão muito séria para o Cristianismo. Não se trata de um mero recreamento ou "exercício" fisiológico.
É um fato que vivemos num mundo fortemente sexualizado, em que se vende a idéia de que a realização pessoal do indivíduo deve passar necessariamente por uma certa realização sexual, caracterizada por uma vida sexual ativa seja lá em que estado de vida o sujeito se encontre. Trata-se de uma concepção profundamente anti-cristã. É certamente um desafio tremendo viver a castidade num mundo secularizado e sexualizado com o nosso, mas o prêmio que aguarda aquele que resiste é certamente muito maior do que qualquer prazer efêmero (ainda que recorrente) que possa oferecer o mundo.
Segundo, como diz o catecismo, os atos homossexuais "são contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. " A única verdadeira complementaridade afetiva e sexual se dá pela união conjugal de homem e mulher. O "amor" que se experimenta fora desse contexto é sempre uma exacerbação passional mascarada, e não um verdadeiro compromisso destinado a ser fecundo e indissolúvel (a própria instabilidade dos vínculos homossexuais é como que um indício desse princípio).
O amor não é uma troca de satisfações ou sequer uma sociedade afetiva para amparar os indivíduos que de outro modo padeceriam de solidão. Não é um privilégio, mas uma missão. Mesmo o heterossexual que enxerga o matrimônio como "direito" e "privilégio" seu, está assumindo uma postura profundamente equivocada. É pela difusão dessas idéias que o divórcio se encontra tão amplamente difundido.
Sim Alberto, porém a minha finalidade em colocar esse detalhe da vida de David é como um (mau) exemplo a não ser seguido. O próprio David carregou a culpa de seu ato pela vida à fora e, assim como provocou a traição da esposa do soldado e levou ele à morte, também David foi traido pelo próprio filho que morreu por isso, sem ele poder evitar. Em todo caso a abstinência do soldado que eu mencionei é um fator menor, usei isso para abrir o post, mas é irrelevante.
Terceiro: você não tem que afetar uma postura, nem precisa se condenar à solidão e à amargura. Você pode dedicar a sua vida a serviço de Deus e dos irmãos, e não lhe faltará uma missão nessa vida, nem o prêmio para os seus esforços.
Se você colocar a sua vida somente na perspectiva da satisfação mundana, e sofrer por reclamar um suposto "direito" a uma tal satisfação posto acima dos seus deveres de reconhecer a sua condição e lutar para crescer (sempre para fora, sempre construindo algo para o mundo, sempre apresentando as suas obras para os olhos de Deus), você realmente passará pelos maiores tormentos e, eu me arrisco a dizer, jamais alcançará a paz de espírito.
No momento em que você reconhecer que tem uma função, uma missão, que não deve viver para alimentar seus apetites e inclinações, mas sim direcionar as suas faculdades e capacidades para a edificação de um serviço significativo, ciente da sua importância para a realização dos planos de Deus (não rezamos "seja feita a Vossa vontade"?), eu estou certo de que você superará seus amargores e saberá, unindo a sua própria dor à dor de Cristo, fazer do seu sofrimento matéria da sua salvação.
Não é preciso, aliás, tornar-se padre.
Há muitos leigos que vivem a castidade.
O melhor que você poderia fazer, na minha sincera opinião, é procurar ajuda, aconselhamento espiritual, participação em grupos de oração, convivência com pessoas que estão preocupadas com o crescimento espiritual alheio. Além, é claro, de uma boa confissão.
Mas confesso que estou abusando do tópico para razões de evangelização. Esse não é o propósito da comunidade.
Se quiser, posso escrever na sua área pessoal. Ou então você poderia abrir um tópico numa comunidade católica, como [url]/Main#Community.aspx?cmm=58612[/url].
Não o são, porque "lei natural" não significa simplesmente a "norma do estado de natureza". É uma confusão freqüente. Grosso modo, diz respeito à plena realização das potencialidades da natureza humana, conforme a sua especificidade (como por exemplo em Aristóteles), através do recurso ao bem honesto (ou bem em si).
O problema é que o que a Igreja do homossexual não é a simples "castidade" e sim a negação absoluta da sexualidade mesma.O que a Igreja espera do Homossexual é incomparável à castidade exigida de um hétero .
A castidade hétero é simplesmente evitar relações sexuais ATÉ QUE a pessoa se case e possa viver normalmente a sua sexualidade.
A lei natural é a lei divina, de vez que foi inscrita pelo Criador em suas criaturas, mas essa é a maneira "teológica" de olhar para ela.
O bem honesto é justamente aquele bem através do qual atualizamos as potencialidades próprias da nossa espécie, pelo "filtro" da atividade particular a que nos dedicamos (e nisso ele difere do bem útil e do bem deleitável - cuja finalidade se encontra em escopo mais restrito). A consciência em nós que nos impele ao reconhecimento e ao uso adequado do bem honesto em nossas deliberações é que constitui a lei natural.