Fórum Olavo de CarvalhoArquivo da comunidade do Orkut · 2004–2013

Metade do Brasil será evangélica em 2020?

Iniciado por klaicon em 26/05/2009 · 507 mensagens · página 5 de 11

albertoleopoldo#201
“Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.”

Pois é. Acontece que o Evangelho que os gálatas haviam recebido não era ainda o texto de Mateus, Marcos, Lucas ou João, e nem mesmo consistia integralmente na carta aos gálatas. Era resultado da pregação apostólica. E, repito, nada, nem na Sagrada Escritura nem fora dela, atesta para o fato de que a inteira doutrina dos apóstolos esteja contida na Bíblia. Nem poderia, pois a Bíblia (obviedade das obviedades) estava ainda sendo escrita, e não menciona em lugar nenhum dentro de si um cânone fechado. As passagens geralmente postadas para corroborar a Sola Scriptura afirmam a autoridade divina e infalibilidade da Palavra escrita de Deus, mas nunca a sua exclusividade.

O Catolicismo não afirma que a doutrina é alterável, afirma, pelo contrário, que a doutrina da Igreja é integral e exclusivamente a doutrina dos apóstolos. O que há é um gradual discernimento, mas todo acréscimo é condenado. Acontece que, além das Sagradas Escrituras, a Igreja se apóia nos testemunhos da Tradição patrística, que se compõe de relatos daqueles que foram membros e líderes da Igreja primitiva, em linha direta de contato com os apóstolos. Embora seus escritos não sejam inspirados e portanto imunes ao erro, quando há unanimidade moral (i.e., uma série de confirmações, e nem a mais mínima discordância) entre os Padres da Igreja, declarando explicitamente a origem apostólica de uma doutrina, com discernimento assistido pelo Espírito Santo, a Igreja pode declarar uma doutrina não explicitamente enunciada na Sagrada Escritura como sã e verdadeira expressão da Fé cristã. Algo que não seja inferido e devidamente discernido deste modo, seja da Bíblia, seja da Tradição apostólica, não pode tornar-se dogma ou doutrina católica, e de fato não o faz.

O segundo post creio já ter recebido seu comentário.
albertoleopoldo#202
Seria de fato muito estranho se, tão logo concluído o cânon bíblico (e mesmo para autores contemporâneos cujos textos não foram a ele assimilados), a assistência do Espírito Santo se tivesse afastado da Igreja, levando todos os demais membros da Igreja primitiva que deixaram algum registro daquilo em que acreditavam e declaravam ter recebido diretamente dos apóstolos, subscreventes das doutrinas registradas na Escritura, muitos inclusive por eles constituídos em presbíteros e bispos, a escrever as mais aberrantes falsidades, resultando já numa igreja corrompida e traiçoeira. Por que teria tão cedo Deus abandonado Sua Igreja, à qual prometera assistência ininterrupta?
albertoleopoldo#203
Por que vocês insistem em usar a Bíblia para atacar a Igreja Católica? Esta aceita integralmente o que está escrito nela e declara-a fonte infalível de doutrina revelada. Além disso, ela já teve 2000 anos para examiná-la e interpretá-la (incluindo os 500 anos de reiterada crítica protestante), de modo que nenhuma dificuldade vocês apresentarão que já não tenha recebido resposta canônica e se mostrado compatível, em conformidade com a interpretação adotada, com o inteiro corpo doutrinal da Igreja.

Se querem criticar a Igreja, é muito mais produtivo procurar outros flancos. Mas é bom lembrar: Nenhuma doutrina recebeu maior número de críticas e rebateu-as com similar eficácia na História. Há 2000 anos a apologética católica mostra uma eficácia inconturbada e lustre impecável. Até por critérios popperianos, a doutrina da Igreja é a "teoria" mais bem corroborada de todos os tempos.
aline#204
Alberto !!!

""como tua afirmação que evangélicos seriam “analfabetos"
Agora que vi isso. Onde foi que afirmei isso? Pode me indicar, por favor?"

Como assim?? Vc sabe muito bem o que disse! Vc chamou os protestantes de "pobres analfabetos". Se corrigiu depois, mas não negue o q disse! Quanto à questão dos livros bíblicos que continuam sendo adotados pela Igreja Católica, creio que estes não foram nem serão excluídos pois esta se sente tão segura em sua doutrina, tradições e sacramentos, em uma posição quase arrogante de "sucessão apóstolica" que pouco lhes importa se estes estão ou não em conformidade com a palavra de Deus, com a igreja primitiva. Sinceramente parece haver uma preocupação mais em manter a tradição do que se certificar de que seus fiéis compreenderam corretamente a mensagem da cruz de Cristo. Não adianta manter a tradição, se aquela pessoa que está sentada no banco assistindo a missa não entender que ela estará miseravelmente perdida sem aceitar e reconhecer que Jesus Cristo deve ser seu único Senhor e SUFICIENTE Salvador (volto a lembrar Rm10:9-13). Que Ele ocupou o lugar que era nosso!! Como você disse a verdade é uma só! A verdade da salvação não está sujeita a interpretações ela é clara e simples!! E não me venha com essa histórinha que sendo uma só está com um, se isso fosse verdade seguindo sua linha de raciocinio ela está só com o Papa. Não posso crer q vcs acham q a verdade ou a salvação sejam como um objeto e assim sendo só pode estar com um. Ainda mais quando esta provém de Deus. Ele é poderoso o bastante para revelar a quem quiser e Ele usa quem Ele quer para isso. Quando vc diz que fora da Igreja Católica não há salvação entenda, vc está tentando limitar Deus!! Então acho melhor darmos um basta nessa discussão, pois ela jamais chegará em lugar algum e já fugiu totalmente ao tema do tópico!
renan_6#205
Grande Alberto.

Esmiuçou o que penso sobre o Protestantismo.

Eu RIO quando vejo protestantes criticando a era moderna, etc.
renan_6#206
Recomendo lerem o livro Genealogy of Nihilism, de Connor Cunningham.

Quem tem olhos que veja.
albertoleopoldo#207
"Vc chamou os protestantes de ''pobres analfabetos'''

Não, não chamei. Disse que os analfabetos são prejudicados pela doutrina protestante de que a fé deve provir estritamente das Escrituras, que isso seria um sério handicap espiritual, posto que, nas "igrejas'', não somente se escuta a Palavra, mas esta sempre vem acompanhada do comentário do pastor. Você que me entendeu mal.

"E não me venha com essa histórinha que sendo uma só está com um, se isso fosse verdade seguindo sua linha de raciocinio ela está só com o Papa."
Não, é claro que a afirmação de que a verdade está com Papa não decorre da mera assunção de que ela é una, e não pode estar em divergência consigo mesma. Decorre de muitos outros fatos: da escolha de Cristo de Pedro para apascentar o seu rebanho, do testemunho patrístico, da sucessão apostólica, e de todos os sinais presentes na Igreja de Cristo. A Igreja Católica, durante 1500 anos, foi considerada pela Cristandade inteira como legítima representante de Cristo. Foi o protestantismo (como qualquer outra heresia) a quebrar a unidade e formar sectarismos. Os católicos defendem a unidade rompida. A Igreja não "disputa" lugar com Cristo. Por favor, não invente. A Igreja O representa, comunica eficazmente a graça sacramental e defende a integridade de Sua doutrina. A Igreja não é o Papa ou o Estado do Vaticano, mas o corpo de fiéis em comunhão com o Pontífice, cabeça visível e imagem da cabeça invisível da Igreja que é o Cristo. Ademais, Deus pode, sim, servir-se de meios extraordinários para salvar quem, não por culpa própria, não adere à Igreja, mas somente todos os meios eficazes para alcançar a Graça subsistem integralmente na Igreja de Roma. Os protestantes (e mesmo os pagãos - vide Rm 2, 14-16) certamente dispõem de alguns, mas possuem sérias carências (Eucaristia, confissão, matrimônio indissolúvel, comunhão com o sucessor de Pedro etc.).
albertoleopoldo#208
"Já mostrei para vc a passagem que Paulo fala sobre isso, onde ele mostra que nem Paulo, nem Apolo são alguma coisa, senão minístros da palavra de Deus, por meio de qual nós recebemos o evangelho."
Acontece, caro Alysson, que, para a Igreja Católica (se quisermos colocar assim), a Igreja Católica é a única Igreja de Cristo, é o Seu Corpo Místico, aquela única que é sem ruga e sem mancha. Quem aceita a tese da "total autonomia das comunidades" é o protestantismo e não o Catolicismo. Para este, as "igrejas" protestantes não são comunidades cristãs ao lado da Igreja Católica, mas são grupos hereges, que optaram por colocarem a si mesmos fora da única Igreja fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que não é a soma desconjuntada de várias comunidades, mas um corpo orgânico e hierárquico, governado temporalmente pela autoridade que recebeu de Cristo o encargo. Percebe? A divergência entre Paulo, Pedro e Apolo se apresenta no interior da Igreja, que não pode sofrer divisões. Aqueles que se põem fora da Igreja é que provocam os verdadeiros sectarismos. E o fato é: os protestantes são contra a Igreja de Cristo.

Sobre a assunção da Virgem Maria, a questão é simples: ou a Virgem foi assunta ao Céu ou não foi (quer a Bíblia fale disso ou não: tampouco a "morte ordinária" da Virgem Maria é lá afirmada). Ora, todos os testemunhos patrísticos dão fé de que foi. Além do mais, é plenamente compatível com a Sagrada Escritura (pois "o puro não nasce do impuro", e Cristo é o Puro por excelência - antes que alguém venha a falar em "transitividade"), e sendo a Virgem livre da mácula do pecado, encontrava-se ipso facto livre da corrupção da morte.
albertoleopoldo#209
"Hoje, qualquer católico honesto sabe que isto é heresia"
Todo católico honesto e minimamente bem informado sabe que a negação dessa doutrina é uma heresia. Acontece que, provavelmente, para você, "católico honesto" deve ser o mesmo que "católico em processo de aceitação do protestantismo". A veneração dos santos é um ato de respeito e reverência por aqueles que viveram exemplarmente o Evangelho e mereceram o reconhecimento de bem-aventurados, intercedendo no Céu a Deus, por meio de Cristo, único mediador, pela Igreja militante e padecente cá na Terra, assim como São João no-lo aponta, no Apocalipse (6,9-11, 5,8 e 8,4). A veneração dos santos é um ato de louvor a Deus, pela Graça operada eficazmente em suas vidas, e pelo testemunho da realização de Sua vontade. Trata-se de doutrina aceita desde os tempos apostólicos. Em uma carta datada do segundo século, fala-se, sobre o martírio de São Policarpo (discípulo de São João Evangelista): "Quanto aos mártires, nós os amamos justamente como discípulos e imitadores do Senhor, por causa da incomparável devoção que tinham para com seu rei e mestre. Pudéssemos nós também ser seus companheiros e condiscípulos!" e "pudemos mais tarde recolher seus ossos [de Policarpo], mais preciosos do que pedras preciosas e mais valiosos do que o ouro, para colocá-lo em lugar conveniente. Quando possível, é aí que o Senhor nos permitirá reunir-nos, na alegria e contentamento, para celebrar o aniversário de seu martírio, em memória daqueles que combateram antes de nós, e para exercitar e preparar aqueles que deverão combater no futuro."
albertoleopoldo#210
"Constrasta com PETRA"- Rocha firme e inabalável; pedra para Pedro no original grego "PETROS"- pedra pequena e móvel, tirada da "PETRA-CRISTO" O próprio Pedro afirma que Jesus Cristo é a "PEDRA PRINCIPAL""

Com efeito, o texto grego tem essa característica. "Petros" tem o sentido de "pedregulho", ao passo em que "Petra" o de rochedo. Acontece que "Petra" tem uma desinência feminina, que não cabe no nome de um homem. Tal distinção não se encontra, contudo, no hebraico "Kefas". Em todo o trecho (Mt 16, 17-19), Jesus se refere a Simão: "Bem aventurado és tu", "não foi a carne e o sangue que to revelou", "eu te digo", "dar-te-ei as chaves", "o que ligares", "o que desligares". No meio de tudo isso, os protestantes inserem uma interpretação para "esta pedra" como referindo-se ao próprio Cristo, contra todas as regras da estilística e da oratória, convertendo um discurso límpido e plácido em ambíguo e atravancado. Cabe lembrar que em toda a Sagrada Escritura, Deus diretamente muda o nome de alguma pessoa tão-somente três vezes. As duas outras referem-se a Abraão, pai na fé do povo de Deus, e Israel (Jacó), progenitor das doze tribos. Cabe lembrar que Pedro, em todo o Novo Testamento sempre encabeça qualquer lista dos apóstolos, que é sempre ele quem fala em nome dos doze, em toda a primeira metade dos Atos dos Apóstolos (onde não se refere às viagens que seu autor, Mateus, empreendeu ao lado de Paulo), é sempre ele quem assume uma posição de liderança. Mais: de fato, Jesus é a Pedra Angular, é a Rocha firme sobre a qual se deve edificar morada. Mas também Jesus é a Luz do Mundo, o que não O impediu de afirmar o mesmo dos discípulos. Trata-se de uma participação na Luz de Cristo, assim como a solidez de Pedro enquanto Rocha deriva da mesma solidez da Rocha-Cristo.
albertoleopoldo#211
Nunca ninguém afirmou que o Papa merece "veneração como um Deus", e você deve saber disso. Sobre ser Pedro casado, já postei aqui:
Acontece que o celibato sacerdotal não é matéria doutrinal mas norma disciplinar, obrigatória somente para os sacerdotes de rito romano (há, nas igrejas sui juris, subordinadas a Roma, como a Maronita e a Greco-Melquita, a possibilidade de ordenação de homens casados), consolidada somente depois dos concílios de Elvira e de Trulos II. Ademais, não se sabe ao certo se a mulher de São Pedro ainda vivia quando da Paixão e Ressurreição de N. S. Jesus Cristo, embora haja notícia, por Clemente de Alexandria, de que ela teria morrido martirizada. A Igreja não faz segredo disso a ninguém.

Em tempo: evidentemente, no Céu não existe qualquer distinção especial para o Romano Pontífice. O papel que ele exerce é temporal, trata-se do governo da Igreja Militante e Padecente na Terra. No Céu, pode ele receber distinções muito menores, se é que chegue lá. Pedro não poderia ter reivindicado qualquer primado de glória sobre os discípulos, pois não é disso que se trata o Papado. Trata-se de um primado de serviço de natureza governamental.
albertoleopoldo#212
Agora vou trabalhar. Tou é negligenciando os meus deveres. Um abraço para todos e fiquem com Deus.
albertoleopoldo#213
Só mais essa: a Igreja nunca "esqueceu" as Escrituras, mas sempre dedicou um enorme empenho no seu estudo, clarificação, discernimento. Os doutores da Igreja, de todos os tempos, produziram estudos estupendos sobre o assunto, e o próprio Magistério tem-lhe dedicado documentos verdadeiramente excepcionais. Os nossos irmãos protestantes deviam pelo menos esforçar-se em passar-lhes uma vista, antes de sair por aí criticando sobre aquilo que não conhecem.
aline#214
"Além disso, ela já teve 2000 anos para examiná-la e interpretá-la (incluindo os 500 anos de reiterada crítica protestante), de modo que nenhuma dificuldade vocês apresentarão que já não tenha recebido resposta canônica e se mostrado compatível, em conformidade com a interpretação adotada, com o inteiro corpo doutrinal da Igreja." Já foi questionado pelo Alysson mas volto a repetir: qual a resposta canônica para a ascensão de Maria?

"Se querem criticar a Igreja, é muito mais produtivo procurar outros flancos. Mas é bom lembrar: Nenhuma doutrina recebeu maior número de críticas e rebateu-as com similar eficácia na História. Há 2000 anos a apologética católica mostra uma eficácia inconturbada e lustre impecável. Até por critérios popperianos, a doutrina da Igreja é a "teoria" mais bem corroborada de todos os tempos." Após responder ao item anterior fale de eficácia.
Só pra não perder o costume: "Mt15:6 - E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus."
Há algum mandamento de Deus que não esteja descrito na bíblia? Ou Jesus mentiu? Ou Deus mudou de opinião? Agora se vc me disser q o Papa não sei quem inspirado pelo Espírito Santo aboliu o q o próprio Jesus disse, só poderei concluir que os católicos estão com problemas mais sérios do que pensei.
Outra coisa eu aprendi que os mandamentos de Deus estão expressos na bíblia, e o mais interessante é que aprendi isso na Igreja Católica. Quanta incoerência!! Por isso sai de lá!!
O que vc chama de eficácia eu chamo de saída pela tangente. Sejamos francos vcs não conseguem travar um embate tomando como base única e exclusiva a palavra de Deus, então adotaram a estratégia de recorrerem às suas tradições, à linha de "sucessão apóstolica", chegando inclusive a questionar infabilidade da bíblia (que vcs afirmam seguir).
albertoleopoldo#215
Repito: eu não falei que os protestantes são analfabetos. Falei, pelo contrário, que analfabetos têm dificuldades espirituais sérias no protestantismo, enquanto estas não subsistem no Catolicismo. Qual a dificuldade de entender isso?

A "igreja" pode ser uma "entidade humana" para os protestantes. Para os católicos, é uma instituição divina. É claro que seus membros são humanos, e enquanto tais, sujeitos a falhas, mas conquanto essas falhas lhes pertençam enquanto homens, elas não lhes poderiam pertencer enquanto membros da Igreja de Nosso Senhor, santa, imaculada, sem ruga e sem mancha. Isso vale para qualquer um. O Papa não está de maneira nenhuma isento de falhas humanas, exceto ao pronunciar-se solenemente e em definitivo sobre assuntos de fé e moral - mas nisso não por mérito próprio, mas pela assistência infalível do Espírito Santo, que não permite macular a pureza doutrinária. Pureza doutrinária essa que não é idêntica à doutrina da Sola Scriptura (que é uma assunção inteiramente arbitrária, desprovida de amparo, seja escritural, seja histórico, seja mesmo racional). O Papa, lembre-se, está tão sujeito quanto qualquer outra pessoa a ir seja para o céu, seja para o inferno.

"Há algum mandamento de Deus que não esteja descrito na bíblia? Ou Jesus mentiu? Ou Deus mudou de opinião? "
Onde Jesus afirma que a inteira doutrina necessária à salvação está contida na Bíblia? Veja bem: não é o mesmo que dizer que a doutrina da Bíblia é seguríssima, infalível, e deve ser ouvida e estritamente obedecida, pois isto ensina também a Igreja Católica.
albertoleopoldo#216
"vcs não conseguem travar um embate tomando como base única e exclusiva a palavra de Deus"
A Palavra de Deus é Jesus Cristo (vide Jo 1). É à doutrina de Jesus Cristo que nos remetemos, tal como nos chega, seja por meio das Sagradas Escrituras, seja por meio da Tradição Apostólica. Não temos interesse de "travar um embate tomando por base única e exclusiva a Bíblia simplesmente porque esta é uma doutrina protestante, herética, e que é necessário combater, e não assumir como premissa.

Sobre a Virgem Santíssima: primeiro, ela não ascendeu ao Céu, mas foi assunta, posto que não é Deus e não pode, portanto, elevar-se a si mesma. Mais: a Imaculada Conceição de Maria (que não se identifica a concepção virginal) não se deu por mérito próprio, mas ela foi preservada do pecado por antecipação dos méritos de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Maria foi salva por Cristo tanto quanto qualquer outro cristão. A diferença é que, enquanto Cristo é para nós, contaminados do pecado original, remédio, foi para ela vacina. Pois está escrito (Jb 14,4): "Quem fará sair o puro do impuro? Ninguém".
Maria não é adorada como deusa, nem o Papa se toma na condição de Deus. Vocês com certeza nunca ouviram isso da boca de nenhum católico, simplesmente porque não tem procedência alguma.
albertoleopoldo#217
Sobre padres pedófilos, escrevi em outra oportunidade:
Essa associação, que tem sido repetida ad nauseam pelos meios de comunicação , tem algo de decididamente falaz e desonesto, posto que se apontam os números absolutos de abusos sexuais perpetrados por sacerdotes e religiosos sem estabelecer-se qualquer classe de contraste entre os praticantes de outros ofícios [ou, inclusive, pastores protestantes]. É evidente que o relato de um abuso sexual realizado por um sacerdote ou irmão congregado tem o imediato efeito de escandalizar a opinião pública, mas justamente porque esta é uma das últimas fontes de procedência a se considerarem "prováveis". Imediatamente, contudo, reverte-se a situação e quer-se tornar a prática de tais atos quase como corolário natural do estado de celibato. O fato é que a esmagadora maioria dos casos de abuso sexual de infantes verifica-se dentro do lar, e os seus principais impetradores são - em número absoluto - progenitores e padrastos (e portanto, não celibatários), sendo que a proporção é consideravelmente maior em famílias desestruturadas. Outras ocupações contam igualmente com uma representatividade significativamente mais pronunciada - tal é o caso dos médicos, por exemplo, ou dos assistentes sociais.
albertoleopoldo#218
A mesma associação é beneficiada do dogma acadêmico, inicialmente de inspiração freudiana (que tributava à repressão pulsional - especialmente do impulso sexual - a gênese das neuroses) e depois propalada pela antropologia cultural de Franz Boas e Margaret Mead (cuja pesquisa fundamental nesse assunto foi depois devastada pelo trabalho de Derek Freeman, ao qual muita gente prefere fazer vistas grossas) e dotada de caráter programático a partir da década de 50 com tipos como Reich e Marcuse, de que a saúde psíquica quer do indivíduo quer do organismo social está atrelada à liberação sexual. Deste modo, o exercício do celibato se tornaria em um celeiro de neuroses e lugar privilegiado do comportamento desviante. O que se verificou de fato, contudo, foi que a permissividade generalizada dos costumes e o desregramento sexual vendido a título de via de realização existencial geraram um incremento massivo nos índices de violência sexual, e a exploração sexual de crianças se converteu em um dos mais lucrativos negócios do planeta - cogita-se que somente a rede de pornografia infantil operante no Brasil corrompe cerca de 10 mil crianças e adolescentes por mês - e nada disso deve-se ao fato de que a nossa população ande mais recatada ou entregue ao celibato. Todos os setores da sociedade estão expostos a essas circunstâncias - sendo que os padres estão longe de ser a classe que mais incorre em tal tipo de ação.

Curioso que os protestantes, no fim das contas, acabam com uma posição parecidíssima. O celibato seria uma aberração, porque o homem é incapaz de conter seus desejos sexuais.
albertoleopoldo#219
Também escrevi em outra parte:
Essa estratégia é velha: vc fomenta o problema, espalha pedofilia por todos os lados, enfatiza maniacamente a sexualidade das crianças, chama-as "perversas polimorfas", espalha que todo cidadão normal é no fundo um pervertido, conclama à liberação sexual de todas as amarras da tradição, veste meninas de putas, fotografa putas em trajes de menininhas, se infiltra nos quadros da instituição inimiga para corrompê-la por dentro (v. teologia da libertação, "católicas" pelo direito de decidir...), depois imputa a essa mesma instituição os crimes que vc mesmo fomentou, e ainda propõe como solução a aceitação da pedofilia, alegando que os seus principais detratores são hipócritas e não têm qualquer autoridade para se posicionar a respeito. Lenin aplaude de dentro do mausoléu.
Cabe lembrar que, historicamente, a Igreja Católica foi a instituição que mais significativamente contribuiu para o banimento da prática da pedofilia, que era socialmente aceitável e gozava mesmo de certo respeito institucional no mundo pagão. Jovens eunucos eram bibelôs apreciados por ricos pederastas em praticamente toda a antiguidade pagã (alguém aqui viu Satyricon, de Fellini?).
albertoleopoldo#220
Esses ímpetos de "liberação dos impulsos sexuais" já estavam presentes, interessantemente, no discurso de Lutero. Não foi à toa que se seguiu, nos países "reformados", a mais aviltante degradação dos costumes (e não é à toa que países protestantes tenham sido os primeiros a aprovar o divórcio, a legalização do aborto, das drogas, o "casamento" homossexual etc.).
albertoleopoldo#221
Sobre a doutrina da "dormição" dos mortos, escrevi já aqui:
Não precisamos considerar a doutrina da "dormição" dos mortos - a passagem do Eclesiastes empregada para justificá-la fala claramente sobre os condenados, conforme se pode confirmar nos Provérbios 9,18 e 15,24, e, por contraste, Isaías 14, 9-10, o que se diz sobre a pregação de Cristo entre os mortos - p.ex. 1Pd 3,19 - e outros episódios como a aparição de Moisés e Elias na Transfiguração - Mt 17,3.
albertoleopoldo#222
É muito interessante ver esse fenômeno de hereges escandalizados diante da ortodoxia!

O protestantismo é herético, tem raízes gnósticas, e, como mencionei, espalhou as sementes da revolução mundial.

Ora, com as doutrinas combinadas da Sola Scriptura e do livre exame, foi uma conseqüência natural que, tomando a inspiração individual como supremo critério exegético, viesse-se a questionar a legitimidade das escrituras canônicas. Por isso o protestantismo logo tendeu a fomentar todas as escolas de "livre pensamento", e a própria teologia protestante tendeu ao racionalismo materialista. O que observamos hoje é um retorno ao fundamentalismo como reação ao racionalismo do séc. XIX e as "teologias radicais" da primeira metade do séc. XX. Fenômeno esse que acabou levando muitos protestantes, suficientemente munidos de recursos para isso, a ocupar espaços na Academia, na imprensa e nos grupos de discussão sobre ciência, defendendo uma "hipótese científica do criacionismo literalista", que é o boneco de palha preferido de todo ateu que está disposto a ridicularizar a religião (não afirmo com isso que o darwinismo seja isento de problemas: uma coisa é isso, outra é defender o tal literalismo como tese científica praticamente consolidada). Interessante é que os ateus se valem duplamente da "contribuição" dos novos fundamentalistas protestantes: primeiro para ridicularizar toda e qualquer religião, tomando a sua posição como parâmetro; depois, usando precisamente os mesmos argumentos dos protestantes para denegrir a Igreja Católica. É um espetáculo verdadeiramente tétrico. Claro que isso é só uma faceta do problema. Mas uma coisa é certa: mais protestantismo é sinal inequívoco de mais ateísmo.
albertoleopoldo#223
Amigo, quantas vezes eu preciso repetir que, do ponto de vista católico, a Sola Scriptura é uma heresia perniciosíssima? Não adianta ficar remoendo que a Igreja afirma coisas "além do disponível nas Escrituras", porque jamais a Igreja afirmou que as Escrituras eram a única fonte de verdade religiosa.

Sobre os "irmãos" de Jesus, não há nenhuma razão para julgar que a interpretação deva ser "filhos da mesma mãe". O Antigo Testamento é repleto de referências a "irmãos" como familiares em geral, até mesmo sogros e genros, como é costume generalizado no Oriente (eu mesmo tenho primos na Índia que me chamam "irmão" - em inglês e não em hindi, que eu não falo). É certo que os Evangelhos, embora escritos em grego, tendiam a preservar hebraísmos. Não há qualquer "demonstração" da não-virgindade de Maria nas Escrituras. E, repito: a Igreja leva a sério o testemunho o testemunho dos Santos Padres, que atestavam em uníssono a perpétua virgindade e grande santidade da mãe de Deus.

Ademais, e Alfeu e Zebedeu? Eram codinomes de José? Ou julga-se que Maria contraiu segundas núpcias também? Tudo isso é doutrina herética da pior espécie.
albertoleopoldo#224
Nosso Senhor Jesus Cristo pagou pelos pecados que todos os outros cometeram, mas ele não.
albertoleopoldo#225
Bom, agora tenho que sair. Boa tarde a todos e fiquem com Deus.
julio_4#226
Amém irmão!!!!
ayrton#227
Eu prefiro assistir (e dançar!) dez missas do padre marcelo Rossi do que um sermão do pastor Silas Malafaia.
ayrton#228
Já pensou? Daqui a pouco vamos poder ouvir o sermão da Baby Consuelo!
gustavo_15#229
Daqui a pouco vamos poder ouvir o sermão da Baby Consuelo!

Da Baby Consuelo?? Fala sério... Os protestantes já ouvem sermões do BOZO!!! 😉
ayrton#230
Sou católico e vou pouco a missa, mas já ouvi sermões memoráveis - nunca vou esquecer do sermão detonando os mensaleiros, ou outro sobre o Apocalipse...

Infelizmente, aqui no Rio de Janeiro, existe uma rotatividade muito grande de padres e quando lá retornei, já havia um teólogo da libertação ou ,na melhor das hipóteses, um carismático, no lugar do irmão.

Já pedi para um padreco barbudinho (que era comunista na certa) para benzer uma garrafa d'água e ele desdenhou, pois não acreditava em água-benta.
ayrton#231
Olha, eu sou leitor do Olavão de longa data e já percebi que suas análises são, quase sempre, muito precisas, por isso, quando ele detona esses padrecos de araque, infelizmente, acho que a coisa é séria.
julio_4#232
Alberto e os católicos aqui presentes.
Conhece-se um cristão pela resposta que ele dará a esta pergunta:
Quando você morrer, para onde irá e por quê?

Se quiserem, respondam. Eu quero ouvir!

Mas, se tiverem alguma dúvida, ajoelhem-se IMEDIATAMENTE e arrependam-se dos pecados. Peçam a Deus para te perdoar e creia que a morte e ressurreição de Jesus, o Filho de Deus, foi COMPLETAMENTE SUFICIENTE para sua salvação!

Procure a Deus com TODO o seu coração e o acharás!
Jesus Cristo: Por Ele e para Ele TODAS as coisas foram feitas!

ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SEARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SEARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SEARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SEARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SEARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SEARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE ARREPENDAM-SE
diego_10#233
Tens razao.
Aqui no RS tambem e dificil ouvir um sermao que preste. Volta e meia corro os olhos nos Sermoes do Pe. Vieira e me pergunto: sera que os padres leram isso alguma vez? Ha tanta verdade ali. Mais do que isso sua palavra parece, de fato, inspirada no Espirito Santo. Bem diferente daquela coisa enfadonha ou da vergonhosa pregacao do evangelho de Marx que se ve nas igrejas.
albertoleopoldo#234
Quem falou em atrito pessoal?

Vamos primeiro cortar esse tipo de impressão, que é absolutamente contra-producente. O que tenho feito aqui é argumentar, apontar os erros proferidos (e mostrar por que estão errados) e, claro, dar as razões pelas quais o protestantismo é, afinal, uma postura errada (e não propriamente "indiferente", mas perigosa).

Não se trata, aliás, de uma questão de juízo. Quem anda dizendo que devemos "nos converter enquanto é tempo" é Julio. Não acho que seja este lugar para tais pregações e proselitismo, e o que eu tenho tentado é manter a conversa no nível do debate intelectual. Em todo o caso, eu não afirmo (nem a doutrina da Igreja permite fazê-lo) que quem não está na Igreja Católica está automaticamente condenado ao inferno. E nem muito menos que quem está nela está automaticamente destinado ao Céu (já respondendo à pergunta de Julio: eu não sei para onde vou, mas me esforço para fazer reparação dos meus erros e evitar o pecado, de modo a ser capaz de morrer na Graça). É claro que não é impossível a Deus salvar um protestante, ou mesmo um pagão, mas rejeitar culpavelmente os meios salvíficos investidos na única Igreja de Cristo é sem dúvida uma falta grave - é recusar o mais precioso presente que Deus nos eferece em nossa vida terrena. Mas não podemos julgar, é um fato. Embora a Igreja dê o testemunho de algumas daquelas almas que já estão entre os eleitos, jamais fez proclamação solene de uma só que esteja no inferno (embora sem dúvida alguma este não esteja vazio).
albertoleopoldo#235
Mas vejamos...

Algumas críticas foram cá levantadas contra o protestantismo. O que se tentou fazer inicialmente foi neutralizá-las por meio de um possível "acordo sobre pontos principais", mas não tardamos que descobrir os tais pontos de acordo nada mais seria, do ponto de vista dos protestantes daqui da comunidade, do que aceitar a doutrina da Sola Scriptura, herética desde o ponto de vista católico, de modo que não poderia ser base para acordo algum.

Daí para diante, os participantes do lado protestante nada mais fizeram do que lançar uma série de críticas à Igreja Católica, muitas das quais 1. se mostraram prontamente equivocadas (fruto de uma clara ignorância daquilo em que a doutrina católica efetivamente consiste).
Exemplos:
- É uma afirmação dogmática da Igreja que presbíteros não podem ser casados (de modo que a referência à sogra de São Pedro - embora à esposa não se faça qualquer referência explícita - e os conselhos de São Paulo a Timóteo seriam a prova escritural do erro doutrinal);
- É proibido comer certos alimentos;
- A Igreja proibia a leitura da Bíblia, e só podia circular a tradução latina;
- O Papa é irrepreensível e nunca pode se enganar no governo da Igreja;
- O Papa reivindica um primado de glória, e um tratamento como o de Deus;
- A Igreja "cobra" indulgências;
- O limbo das crianças é dogma católico;
- A Igreja ensina a "salvação por meio de obras";
- A Igreja ensina que a Virgem Maria salvou-se por seus próprios méritos, independente do sacrifício de Cristo;
- A Igreja presta à Virgem um culto como o de uma "deusa";
- A Igreja acrescenta livremente à sua doutrina ensinamentos diferentes dos que julga encontrar na doutrina dos apóstolos;
- A Igreja Católica "reviu" - ou mudou - alguns de seus conceitos para fazer frente ao protestantismo
albertoleopoldo#236
E a lista continua. Nenhuma dessas doutrinas é ensinada pela Igreja, e o mero fato de terem sido listadas no tópico revela o quão pouco conhecem os protestantes desta Igreja que tão temerariamente criticam, sem dar-se o mínimo trabalho de saber o que ela realmente ensina.
albertoleopoldo#237
O restante se resume a, de posse da premissa da assunção da Sola Scriptura como a verdadeira substância da fé cristã, usam-se versículos bíblicos para mostrar que a Igreja "se afastou da fé dos apóstolos". Não sei se respondi a todas (e, parece-me, foram muitas), mas em um grande número de casos eu procurei mostrar como as ditas passagens em nada corroboram a interpretação protestante (em particular, nenhuma delas justifica a Sola Scriptura, mas somente a autoridade infalível das Escrituras - que é igualmente ensinada pela Igreja Católica) que as quer enxergar como contrários aos ensinamentos da Igreja de Roma. Mas o fato é que nenhuma dessas passagens se mostra incompatível com a doutrina da Igreja, conforme à interpretação que lhes dá o Magistério.

Mais uma vez, eu pergunto: que interesse teria a Igreja em conservar íntegro e declarar como autoridade inabalável e verdade certíssima todo esse corpo de ensinamentos e exortações frontalmente contrários às suas doutrinas e às suas ambições? Ora, a Igreja proclama reiteradamente desde os primeiros tempos que a Sagrada Escritura, patrimônio da fé que lhe foi confiado, é a fonte mais segura e sustentáculo indispensável da doutrina católica. E, durante dois mil anos, homens da Igreja se dedicaram incansavelmente à sua leitura, meditação, extração de ensinamentos, conhecimento erudito apoiado pelas mais diversas áreas de estudos, da arqueologia à filologia, da análise literária à História etc. etc., promovendo desde os mais remotos tempos os mais sistemáticos e detalhados estudos, guardando com um zêlo singular os códices mais antigos, desenvolvendo um trabalho de cópia tão minucioso que nenhum outro corpo de obras tão antigo conta com um número tão reduzido de corrupções.

Não faz o mínimo sentido brandir a Bíblia contra a Igreja, como se esta a desconhecesse, e nunca tivesse atentado às contradições que qualquer freqüentador de uma igreja evangélica aprende nas primeiras semanas de pregação.
albertoleopoldo#238
Vou deixar só mais um comentário sobre a postura dos protestantes (em particular os participantes deste fórum):
Trata-se de um verdadeiro paradoxo. Se é verdade que os protestantes pretendem resgatar a pureza de doutrina da Igreja primitiva, e identifica essa mesma Igreja primitiva precisamente com aquela descrita nos livros das Sagradas Escrituras (não aceitando qualquer outra autoridade comparável nos relatos sobre ela), como poderiam julgar que a doutrina dessas comunidades é única e exclusivamente a que foi registrada nas Escrituras, se nem sequer as Escrituras haviam sido completadas? Claro, por ser um paradoxo, não significa induzir uma completa contradição. É logicamente possível que as comunidades cristãs de então tenham recebido da boca dos apóstolos somente a doutrina que depois foi registrada nas Escrituras, e nada além dela. Mas em nenhuma parte das Escrituras há a afirmação de que assim tenha sido. Pelo contrário, São João afirma que nem todos os livros do mundo caberiam o relato de tudo o que Jesus fez em sua vida terrena. E, repito: não seria, para dizer o mínimo, impiedoso afirmar que houve tantos aspectos e momentos da vida de Nosso Senhor que não tenham tido qualquer relevância para a salvação da humanidade? Ademais, todos os escritores eclesiásticos dos primeiros tempos da Igreja referiam-se a elementos da pregação dos apóstolos - sobre uma porção de assuntos: da liturgia ao dogma - que não estavam explicitamente contidos nas Escrituras. Seriam todos eles mentirosos e hereges?
albertoleopoldo#239
e sim, por que teria Deus abandonado a Sua Igreja tão cedo, contra a Sua própria promessa? Pior ainda, para a doutrina da Sola Scriptura: pareceria então que, tão logo as Sagradas Escrituras estavam prontas e acessíveis aos fiéis, tão logo os membros e líderes da Igreja caíram na heresia e se renderam a uma falsa autoridade. Como Deus teria permitido uma tal calamidade, logo após o ímpeto de santidade testemunhado pelos apóstolos e suas comunidades, e no interior dessas mesmas comunidades?
clamor#240
Do tipo Aline Barros que se vendeu pra rede globo e agora engorda as fileiras da som livre?

Do tipo Monique Evans que convidou seu pastor, que é gay a ter uma experência sexual com ela?

Do tipo Edir Macedo que deturpa as escrituras e as usa em defesa do aborto?

Crescer em número e patrimônio não que dizer nada pro reino de Deus amados...

Muitos ouvirão do justo juiz, naquele dia: "não vos conheço, apartai-vos de mim malditos..."

Muitos evangélicos poucos cristãos...

Não se iludam...
marcioneijr#241
Na verdade os evangélicos somos nós católicos, que guardamos e praticamos o evangelho a 2 mil anos.
fernando_22#242
"Esses e outros dogmas, que a igreja católica se recussa a rever, por exegese tendenciosa, são o que fazem dos protestantes (na visão protestante, claro), mais zelosos pela doutrina cristã, ao passo que a doutrina Católica coloca pensamentos humanos (que deveriam ser no máximo teses) como dogmas cristãos, e uma vez que se chancela um dogma errado, para sempre os católicos estarão no erro, visto o dogma da infalibilidade papal, que também não possui respaldo bíblico..."

Há um erro grave aqui, parece-me. Dogma e doutrina não são sinônimos, como o colega quer fazer crer. Doutrina é o resultado de uma pesquisa dialética, pesquisa esta que, ao cabo de muito anos ou séculos (a Igreja não tem pressa), chega a algumas conclusões.

Dogma não é o resultado de uma debate entre estudiosos e entedidos. Dogma, ao que eu saiba, é um pronunciamento inspirado pelo Espírito Santo; não é o resultado de uma debate entre sábios; não é uma conclusão racional de uma discussão; pelo contrário, o dogma vem à baila justamente quando uma conclusão racional no nível humano não é possível.

Se alguém se der ao trabalho de ler a encíclica, na qual o Papa Pio IX proclama o dogma da Imaculada Conceição de Maria Virgem, vai perceber isso claramente: o Papa não decreta a conclusão de um debate entre doutos; ao contrário, ele apenas proclama aquilo que o Espírito Santo soprou ao seu ouvido.

Em suma, dogma e doutrina não estão no mesmo nível; o dogma está muito, mas muito acima mesmo, de qualquer doutrina.
fernando_10#243
Já vi muita asneira sendo proferida contra os crentes evangélicos, mas essa de que o "impulso revolucionário" começou com o Protestantismo é das maiores.

Quero ver algum católico desses desmentir a afirmação abaixo:

"Por quase meio século, a Igreja estava dividida em duas ou três obediências que se excomungaram umas às outras, de modo que todo Católico vivia sob excomunhão por um papa ou por outro, e, em última análise, ninguém podia dizer com certeza qual dos contendores tinha a verdade ao seu lado.
A Igreja não mais oferecia a certeza da salvação; ela havia se tornado questionável em sua forma objetiva inteira - a verdadeira Igreja, a verdadeira promessa de salvação, tinha que ser buscada fora da instituição.
É diante desse cenário de uma consciência eclesiástica profundamente abalada que devemos compreender que Lutero, no conflito entre sua busca por salvação e a tradição da Igreja, no final veio a experimentar a Igreja, não como a garantidora, mas como a inimiga da salvação."
thiago_7#244
Fernando, na época de lutero, que eu saiba, a questão do cisma do ocidente já se resolvera, e qual é a verdadeira é uma questão complexa, de qualquer modo o vaticano sempre considerou umna a verdadeira, ainda que várias igrejas tenham sido reemcorporadas.
e o probçema do protestantismo é que lutero quis sair da Igreja e fundar outra, se ele estava descontente o correto seria fundar uma igreja com o objetivo de ser apen as temporária enquanto a Igreja Católica não estava lhe agradando.
marcioneijr#245
Nas palavras do Papa Pio XII sobre o ''inimigo'' da Santa Igreja:

''Ele se encontra em todo lugar e no meio de todos: sabe ser violento e astuto. Nestes últimos séculos tentou realizar a desagregação intelectual, moral, social, da unidade no organismo misterioso de Cristo. Ele quis a natureza sem a graça, a razão sem a fé, a liberdade sem a autoridade; às vezes a autoridade sem a liberdade. é um ''inimigo'' que se tornou cada vez mais concreto, com uma ausência de escrúpulos que ainda surpreende: Cristo sim, a Igreja não! Depois: Deus sim, Cristo não! Finalmente o grito ímpio: Deus está morto; e, até, Deus jamais existiu.
E eis, agora, a tentativa de edificar a estrutura do mundo sobre as bases que não hesitamos em indicar como principais responsáveis pela ameaça que pesa sobre a humanidade: uma economia sem Deus, um direito sem Deus, uma política sem Deus.''
albertoleopoldo#246
Alysson,

A doutrina da Sola Scriptura não tem fundamento bíblico, não recebeu (nem poderia) endosso dos membros da primitiva Igreja nem da Tradição Apostólica. As Escrituras são, em matéria doutrinal, seguríssimas e livres de erro, sem dúvida. Mas elas deixam lacunas sobres pontos importantíssimos, que mesmo os defensores das comunhões protestantes não deixam de preencher de alguma maneira. E aliás, que credenciais estes exibiam para a refundamentação da vida da Igreja? Perceba: é possível remontar toda a linha da sucessão episcopal na Igreja Católica até os apóstolos (incluindo, claro, a cátedra do bispo de Roma, o Papa). Mesmo a alguns grupos separados da comunhão com Roma (p.ex. os cismáticos do Oriente, os "vetero"-católicos e mais recentemente os lefèbvristas), a Igreja Católica não pode deixar de reconhecer a validade das ordenações, pois são tributários diretos do investimento apostólico, cujos primeiros casos já se registravam nas Sagradas Escrituras. Preservaram os reformadores a integridade dessa linha de sucessão? Não. Nem sequer se apresentaram como homens de vida santa e exemplar (embora tal esforço tenha vindo a ser realizado posteriormente, em particular desde os puritanos), ou trouxeram em seu favor o testemunho dos milagres. Erasmo, cronista atento do período, observava: com toda a sua pregação, não logravam os reformadores sequer a cura de um burro coxo.
albertoleopoldo#247
É verdade que uma parte do clero católico estava corrompida? Decerto. Mas também é verdade que nunca na história da Igreja, faltaram testemunhos de vidas santas e os milagres mais extraordinários (incluindo a restituição de uma perna amputada - o célebre milagre de Calanda, na Espanha - para falar de uma objeção típica dos céticos), além da sucessão apostólica, da unidade, catolicidade (universalidade) e governo sob o sucessor do Príncipe dos apóstolos (que é um pecador como qualquer outro, mas investido de uma missão de governo sagrada - e mesmo quando se mostra infiel a ela, o que aconteceu algumas vezes na história da Igreja, ainda assim jamais permitiu o Espírito Santo que proclamasse um ensinamento sobre fé e costumes incompatível com o Magistério anterior, com as Escrituras por ele interpretadas ou com os ensinamentos dos apóstolos conforme transmitidos através dos seus sucessores).
albertoleopoldo#248
Sobre o batismo de crianças, lembremos dos Atos dos Apóstolos(2, 38-39):
38. Pedro respondeu: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E recebereis o dom do Espírito Santo.
39. Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor, nosso Deus, chamar”.

E de todas as outras passagens em que se registra o batismo de alguém (Lídia, o carcereiro, Crispo) junto com "toda a sua casa". É claro que o batismo de Cristo tem um significado diferente daquele de qualquer outra pessoa, pois Cristo não necessitava ser purificado de quaisquer pecados, visto que não os tinha. E é óbvio que pessoas adultas não precisam retornar à infância para serem batizadas. Além disso, os batismos de crianças eram comuns nos tempos primitivos, do que são testemunhas os Padres (p.ex. Irineu, Hipólito, Orígenes, Cipriano), e possuem um certo precedente, também bíblico, na circuncisão dos infantes.
albertoleopoldo#249
Quanto ao Purgatório, já postei aqui que Cristo se referiu explicitamente à possibilidade de perdão "no século futuro" (Mt 12, 32), e também em Lucas 12, 58-59:
58. Quando, pois, estás indo com teu adversário apresentar-te diante do magistrado, procura resolver o caso com ele enquanto ainda a caminho. Senão ele te levará ao juiz, o juiz te entregará ao oficial de justiça, e o oficial de justiça te jogará na prisão.
59. Eu te digo: dali não sairás, enquanto não pagares o último centavo”.

O Purgatório, em verdade, não exclui o perdão dos pecados, antes o pressupõe, pois não irá para o Purgatório senão aquele que já está salvo. Portanto, a esperança da alma nesse estado converte-se em certeza. Trata-se de uma necessidade da alma, voluntariamente aceita, pois não poderia apresentar-se "suja" perante Deus. Contudo, é claro que está ao alcance do poder de Cristo mesmo o purificar de todos os pecados, que é precisamente o que se chama "indulgência plenária".

Em todo o caso, deixarei com a palavra o anglicano C.S. Lewis:
"Nossas almas exigem o purgatório, não é mesmo? Não nos quebraria o coração se Deus nos dissesse, 'é verdade, meu filho, que tu não cheiras bem, que tuas vestes são surradas e derramam lama e lodo, mas aqui somos caridosos e ninguém irá te reprovar por você ser assim, muito menos te enviará de volta. Regozije-se conosco'. Por acaso não responderíamos 'Com submissão meu Senhor, e se não houver nenhuma objeção, eu prefiro me limpar antes'. 'Há sofrimento, sabias disso?'. 'Ainda assim, meu Senhor'."
albertoleopoldo#250
Também é verdade que houve controvérsias ao longo da História acerca dos deuterocanônicos (não por acaso recebem denominação própria). Mas é justamente aí que se mostra de maneira mais clara a necessidade da atuação do Magistério da Igreja e a fraqueza da Sola Scriptura. Houve também outros livros do Antigo Testamento que circulavam entre os Padres da Igreja e eram por eles citados. Foram, contudo, excluídos do cânon. Por quê? Porque revelavam ensinamentos ambíguos ou incompatíveis com a orgânica doutrina apostólica. No entanto, esta doutrina não se poderia dizer que fosse aquela que se encontra "na Bíblia", pois tudo quanto havia eram livros avulsos circulando entre os membros da Igreja.

Alguma autoridade exterior precisava intervir. Tal fizeram os doutores hebreus, posteriores a Cristo, que excluíram, dentre outros, todos aqueles livros que não foram originalmente escritos em hebraico, mas em grego, característica, aliás, comum aos Evangelhos (exceto o de Mateus, originalmente aparecido em aramaico). Muitos se deixaram guiar por tal escolha, mas nenhum veredito final havia sido pronunciado. Outra vez: ou bem os livros que ficaram de fora da versão hebraica eram inspirados ou bem não o eram, e se o fossem, seria uma grave mutilação excluí-los. O discernimento da Igreja, sob os auspícios do Espírito Santo (tal como nós católicos cremos) levou à sua aceitação. Vale lembrar que a versão do cânon usada por Cristo e os apóstolos era a versão grega dos LXX (Septuaginta), que continha os deuterocanônicos.

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